O Livre regista um crescimento exponencial na militância do partido nos últimos dois anos e o resultado eleitoral nas legislativas de maio passado fez acelerar esse crescimento. Se em 2024 o partido totalizava, entre as categorias de membros e apoiantes, 902 pessoas registadas, agora o número salta para os 4511, neste mês de março, de acordo com um relatório de militância feito pelo partido e a que o DN teve acesso. O crescimento inaudito, sem comparação com outro período da história do movimento político criado em 2014, já se registava no início de 2025, quando o partido contabilizava 1167 membros e 1035 apoiantes - ou seja, um pouco mais de 2200 pessoas registadas. No entanto, o salto é ainda mais relevante no último ano, em que o Livre consolidou a sua presença parlamentar nas últimas legislativas, aumentando a sua bancada para seis deputados. Os números de militantes mais do que duplicaram entre 2025 e 2026 e quase quintuplicaram face a 2024, fazendo do Livre o partido que regista o maior crescimento de militância dos últimos dois anos - ainda assim, a cerca 5000 pessoas do que se estima ser o total de inscritos no Bloco de Esquerda, pelo que o DN apurou. PS e PSD têm tido os números acima dos 90 mil filiados, veem crescimentos sustentados, mas mantêm, em muitos casos, militantes sem quotas regularizadas, o que pode significar uma participação muito inferior aos números totais de filiados.O Livre reúne comissões que afinam regras, até de adesão ao partido, face ao enorme número de pessoas que manifestaram interesse em juntar-se à causa ecológica, europeísta e de esquerda. No final de agosto, Pedro Mendonça, membro do Grupo de Contacto de 2015 a 2022 e antigo co-porta-voz, reconheceu ao Diário de Notícias que existiam “cerca de 1500 inscrições feitas desde as eleições de maio”, justificando que seria necessária uma espera maior do que o procedimento habitual, de modo a não influenciar negativamente as nomeações para as Autárquicas. Mendonça indicou que existiu uma “validação dos candidatos nas redes sociais”, procedendo-se a um questionário, um pedido de “biografia e aceitação dos valores do partido” e ainda a verificação de outros antecedentes políticos, retratando que a maioria dos interessados vem do “Litoral”, com impacto decisivo de “Lisboa, Porto, Setúbal e Aveiro”. O Livre contava terminar o ano passado com 4200 membros e a expectativa, portanto, confirmou-se.A grande diferença no Livre face a outros partidos, e que pode ser tida como um incentivo aos independentes, é a possibilidade de efetivar uma candidatura sem assinaturas ou encaminhamento de outro militante. Há também diferenças entre os estatutos de membro e de apoiante, as duas categorias de filiados. Têm direitos semelhantes em muitos casos, tanto em votações de candidatos como apresentação de candidaturas, mas os apoiantes não podem ser eleitos para os órgãos máximos do partido nem participar em revisões de estatutos.Atualmente, o Livre conta com 2611 membros e 1900 apoiantes, mas o ano passado até foi dos anos com maior proximidade entre candidaturas para as duas categorias: apenas 132 de diferença (1167 membros, 1035 apoiantes aprovados).No partido, as listas têm de respeitar a paridade, estando acima do que é previsto nas listas eleitorais, que prevê uma mulher em cada três nomes de uma lista. No Livre, o critério de igualdade tem feito com que haja também um crescente associativismo feminino: 1790 mulheres e e 2700 homens no partido, quando em 2024 estavam pouco mais de 700 pessoas do género feminino e 1400 do masculino, ou seja o dobro face às mulheres e com efeitos, por isso mesmo, difíceis na elaboração de listas para respeitar a paridade. Nesta fase, há 1398 filiados abaixo dos 30 anos, uma percentagem inferior a um terço dos militantes. Dos 30 aos 50 anos encontra-se a maior fatia (2268).O partido de Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes tem, portanto, nesta fase, solidificado o eleitorado sem registar abandonos notórios de militantes. No início de março, o jornalista Filipe Caetano foi uma exceção, tendo anunciado a desfiliação depois de ter pertencido ao núcleo que fundou o partido, embora agora estivesse afastado das principais reuniões do Livre. .39,68%A paridade é fundamental para as listas do Livre e há uma evolução nas inscrições femininas. As mulheres representam 39,68% do partido..4511Entre membros (2611) e adeptos (1900), as duas categorias de filiados, partido superou barreira dos 4500, duplicando a militância no último ano. .Em três meses, 1500 pessoas candidataram-se a militante do Livre.Afinal votação nas primárias do Livre voltam a ser abertas a membros e externos.Menos de 4% dos filiados do Bloco de Esquerda elegeram José Manuel Pureza