"Não podemos querer só o crescimento empresarial”, defende a delegada do 25.º Congresso Nacional do PS Maria Inês Silva, de 26 anos, argumentando que, “para existir uma economia circular nós precisamos das pessoas, que têm de ter uma boa condição de vida”. “Basta pensarmos, por exemplo, no Serviço Nacional de Saúde”, lembra a também enfermeira, que, ao DN, explica que, “se as pessoas não tiverem saúde também não conseguem trabalhar”.Esta é uma das formas como Maria Inês Silva procura justificar o distanciamento face a narrativas de partidos de extrema-direita que têm angariado a atenção de públicos jovens através das redes sociais.Apesar desta observação, Maria Inês Silva admite que PS e PSD, “durante muito tempo, fecharam-se dentro de si próprios” com um “discurso que era muito perfecionista”. “Os políticos não podem ser perfecionistas, os políticos têm que ser do povo. E, portanto, esse discurso também tem que ser adaptado para o povo”, observa.Também o delegado do congresso João Avelar Dias assume que, “antes de acreditar em qualuer ideologia”, acredita na democracia. Por este motivo, aos 20 anos, o estudante de Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa justifica que não se sente aliciado pela extrema-direita. No entanto, há um contraponto, que reconhece “com toda a tristeza”: “nós vemos que o Chega, salvo erro, tem quase uma dezena de deputados jovens, e o Partido Socialista tem uma deputada jovem.”Assim, de acordo com a recomendação de João Avelar Dias, “os partidos democráticos têm de confiar mais na juventude, porque lá está, o PS hoje em dia está num processo de renovação”.. Com um perigo no horizonte, o estudante de direito explica que “um jovem eleitor, mesmo que seja desligado da política, abre as redes sociais e vê que o Chega tem 10 caras diferentes a comunicar o seu projeto político, enquanto o PS tem, a muito a custo, uma pessoa”.“Por que motivo é que esse jovem há de pensar que vai dar o seu voto a quem não tem outros jovens no Parlamento?”, questiona, de forma retórica.“Isso é uma coisa que me aflige muito enquanto jovem e enquanto jovem socialista, que é perceber que o meu partido devia ouvir mais a minha geração e não o faz”, destaca.O DN também conversou com o delegado Miguel Xavier, de 22 anos, que explica a forma como se sente atraído pelo socialismo, mas procurando evitar usar uma máxima “muito marxista”: não aceita “uma exploração do homem pelo homem, onde os interesses de uns possam prevalecer sobre os interesses dos outros, onde uma pessoa, só porque tem uma profissão diferente, não pode aceder a certos direitos fundamentais”.O segredo para este estudante de Direito, também da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, é o estado social, tendo em conta que o “socialismo democrático defende um mercado com regras, que permite que, por um lado, as pessoas possam fazer as suas empresas, mas que essas empresas não possam prejudicar quem lá trabalha”.. Já a delegada Maria Augusta Queimado, aos 23 anos e com uma licenciatura em Direito, explica que optou pelo socialismo porque sentiu na pele a sensação de ser diferente, desde logo pelos apoios sociais que lhe foram dados durante o ensino básico e secundário, que lhe permitiram ser igual a todas as outras crianças. No entanto, na faculdade, a dificuldade começou quando se viu “obrigada a trabalhar para poder pagar uma licenciatura”, para além de ter de suportar o custo da vida académica, como o alojamento.Por isso destaca as medida do Governo de António Costa, do aumento dos apoios às Bolsas, do aumento dos apoios à Habitação para Arrendamento Jovem, para conseguir "sobreviver à vida numa área metropolitana como a de Lisboa"..Carneiro foi a Viseu deixar uma mensagem para o exterior: "Estamos vivos"