Entre outubro de 2025 e abril de 2026 passaram seis meses, fizeram-se eleições autárquicas e presidenciais, e houve alterações pronunciadas nas intenções de voto, com o PS a obter liderança destacada no mais recente Barómetro DN/Aximage. E nesse período também houve mudanças significativas no eleitorado mais jovem, que continua inclinado para a direita, mas agora bastante aquém dos dois terços que AD, Chega e Iniciativa Liberal somavam há meio ano. E com o partido de André Ventura a dar sinais de quebra entre os mais novos.Comparando os barómetros DN/Aximage de outubro e de abril, o Chega passou da liderança nas intenções de voto dos inquiridos entre os 18 e 34 anos, com 30,1%, para o quinto lugar, com apenas 12,5%, ficando atrás da AD (25,6%), do PS (22,3%), da Iniciativa Liberal (17,3%) e do Livre (14,8%), apesar de nos resultados globais ter três vezes mais apoiantes do que o penúltimo e quatro vezes mais do que o último desses partidos.. E se não há sinais exteriores de apreensão do Chega, cuja organização juvenil conta com seis deputados na Assembleia da República, e tem Rita Matias como uma das principais figuras do partido, nos liberais acredita-se que há uma mudança em curso no eleitorado mais jovem.Entre os dirigentes da Iniciativa Liberal existe a convicção de que as eleições presidenciais foram um momento de viragem. Apesar de ter sido André Ventura a disputar a segunda volta com António José Seguro, obtendo os votos de 1.739.745 portugueses (33,17%), a candidatura do eurodeputado João Cotrim de Figueiredo foi reconhecida como a favorita dos mais jovens. Aproveitando o lastro das eleições presidenciais, a liderança de Mariana Leitão tem defendido a ideia de que a Iniciativa Liberal é o “partido do futuro”, destacando que 30% dos seus membros têm menos de 30 anos. E que tem no seu programa e nas suas medidas soluções para o país “ter uma sociedade mais próspera, mais justa e que permite mais liberdade”.Sem juventude partidária, a Iniciativa Liberal garante que os mais novos que aderem ao partido “são tratados como adultos desde o primeiro momento”. E apesar de nesta legislatura não ter um sub-30 com o protagonismo do ex-deputado Bernardo Blanco, nada disso está a afetar o poder de atração entre os jovens.Já o Livre, também sem deputados sub-30, embora Jorge Pinto tenha entrado na corrida a Belém aos 38 anos, apenas mais três do que a idade mínima para ser Chefe de Estado, procura consolidar apoios nos mais jovens que se aproximem da fasquia que o Bloco de Esquerda tinha há alguns anos. Embora os estudos de opinião continuem a dar vantagem clara para a direita neste segmento do eleitorado, há seis meses o Barómetro DN/Aximage de outubro de 2025 dava menos de 30% de intenções de voto à soma de PS, Livre e outros partidos de esquerda nos inquiridos entre 18 e 34 anos. E agora supera os 40%.Enquanto a AD tem estado em linha com os seus resultados globais no que toca aos mais novos, o PS subiu constantemente nos cinco barómetros DN/Aximage com perguntas sobre voto legislativo realizados desde maio de 2025. Embora o núcleo duro do eleitorado socialista continue a ser os reformados, os 22,3% de intenção de voto registados em abril nos inquiridos entre 18 e 34 anos ajudaram à vantagem do PS sobre a coligação que sustenta o Governo de Luís Montenegro.Sem o elevado contingente que a Juventude Social Democrata tem na Assembleia da República, pois a substituição de eleitos que foram para o Governo e para autarquias leva a que a estrutura juvenil do PSD tenha oito deputados, o PS tem no hemiciclo a atual secretária-geral da Juventude Socialista, Sofia Pereira, e o seu antecessor, Miguel Costa Matos.Mas o PS também conta com o eurodeputado Bruno Gonçalves, derrotado por Sofia Pereira na disputa pela liderança da Juventude Socialista, mas que procura reverter o domínio da direita nas redes sociais. Acaba de lançar o Movimento Bora, para “trazer de volta o debate saudável, a partilha de ideias e a coragem de discordar sem medo”, com apoio da Notable, agência que representa, entre outros, a apresentadora de televisão Cristina Ferreira. .Ficha Técnica.Objetivo do Estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage – Comunicação e Imagem Lda. para o DN relativa a barómetro político e temas da atualidade.Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal.Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em entrevistas efetivas: 500 entrevistas CAWI; 246 homens e 254 mulheres; 111 entre os 18 e os 34 anos,132 entre os 35 e os 49 anos, 136 entre os 50 e os 64 anos e 121 para os 65 e mais anos; Norte 185, Centro 117, Sul e Ilhas 64, Área Metropolitana de Lisboa 134.Técnica: Aplicação online – CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) – de um questionário estruturado, devidamente adaptado ao suporte utilizado, a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas. O trabalho de campo decorreu entre 10 e 15 de abril de 2026.Taxade resposta: 89,77%.Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,4%.Responsabilidade do estudo: Aximage – Comunicação e Imagem Lda.,sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.