Este domingo, 15 de março, um dia depois de ter sido reeleito para o cargo de secretário-geral do PS, José Luís Carneiro acusou o Governo de estar incapacitado “para responder às questões estratégicas fundamentais”, utilizando como argumento o facto do ministro da Defesa, Nuno Melo, ter dito que “está à espera há oito meses pelos contributos” do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, para concluir o Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN).José Luís Carneiro falava na Praia da Vitória, nos Açores, na sessão de encerramento da Academia Novo Futuro, organizada pelo PS e pela Juventude Socialista nos Açores. Na noite anterior, José Luís Carneiro tinha sido reeleito secretário-geral do PS nas eleições diretas em que foi candidato único. A última contagem disponibilizada pela página oficial do partido, pelas 23.30, dava conta que tinham sido apurados 21.848 votos, sendo identificados 483 votos brancos e 145 nulos (faltavam apurar 24 secções). Carneiro somava 97,1% e a taxa de participação eleitoral estava nos 55,3%.Logo depois de ter o cargo reconfirmado, o líder socialista considerou, em declarações na sede do partido, no Largo do Rato, que este resultado lhe “atribui especiais responsabilidades”, incluindo a habilitação para “no futuro” ser “candidato a primeiro-ministro”.José Luís Carneiro referiu ainda que “uma das mais importantes responsabilidades” que tem, na qualidade de líder socialista, é o “respeito pela diversidade de opiniões” dentro do partido.O líder do PS confirmou também que vai pedir uma reunião com o Presidente da República, António José Seguro, para prestar cumprimentos e falar “sobre outros assuntos”.Por outro lado, manifestou disponibilidade para “construir soluções que sirvam o país”, lembrando que o partido avançou “desde julho do ano passado a confluência em áreas de soberania, na defesa, na justiça, na segurança interna” e na saúde.Seguindo esta linha, Carneiro recordou que o ministro da Defesa, Nuno Melo, disse, na quinta-feira passada, 12 de março, numa audição na Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República, que estava há vários meses à espera do contributo do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, para poder fechar o Conceito Estratégico de Defesa Nacional.Com isto, o líder do PS lembrou que o partido tinha deixado o Conceito Estratégico de Defesa Nacional aprovado em Conselho de Ministros, em 2023, necessitando apenas de aprovação na Assembleia da República para produzir efeitos..José Luís Carneiro assume que o resultado de 96% na sua reeleição atribui-lhe "especiais responsabilidades".PS acusa Governo de "insensibilidade e incompetência" em questões fundamentais