O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, afirmou este sábado (28) que a ameaça de tempestades feita pelo líder do PS “é conversa para claque” e garantiu que o Governo vai continuar a dialogar com todos os partidos com representação parlamentar.“Acho que isso é conversa para claque. Honestamente, é típico de um congresso partidário”, referiu à agência Lusa, em Cabeceiras de Basto, à margem da tomada de posse da nova concelhia do PSD, liderada por Laura Magalhães.Hugo Soares lembrou que os portugueses “escolheram um Parlamento com três blocos maioritários” e acrescentou que o Governo vai continuar o seu caminho, “respeitando a vontade dos portugueses, que é dialogando com todos aqueles que têm representação parlamentar”.“Isso é que é o cumprimento da democracia”, disse o líder parlamentar social-democrata.Na sexta-feira, o secretário-geral do PS exigiu à AD “que se decida” e esclareça se quer “convergências moderadas” com o PS ou acordos com o Chega, avisando que dirá um “rotundo não” a tentativas de desequilibrar o Tribunal Constitucional.“É altura de exigirmos à AD que se decida”, desafiou José Luís Carneiro durante o seu primeiro discurso no 25.º Congresso Nacional do PS, em Viseu, avisando que, “se o Governo escolher ventos, terá tempestades”.No mesmo discurso, o líder socialista avançou com quatro propostas para ajudar a fazer face aos efeitos do conflito no Médio Oriente: IVA zero nos produtos alimentares essenciais, redução de 23% para 13% no IVA dos combustíveis e do gás, a duplicação do consumo de energia tributada a 6% e isenção de ISP sobre o gasóleo para a agricultura.Hugo Soares criticou, desde logo, o IVA zero, considerando que “é uma medida cega” e “altamente injusta, porque vai beneficiar todos por igual e nem todos precisam da mesma maneira”.“E o Estado português não é um Estado com recursos ilimitados e, por isso, as políticas devem ser direcionadas para quem precisa e o Governo está certamente atento”, referiu.Sublinhou que o Governo tem anunciado “constantemente e desde a primeira hora” medidas, designadamente relacionadas com os combustíveis e o gás e “estará atento também ao preço dos bens alimentares”.Sobre o anúncio do líder do Chega de que avançará, até ao final do ano, com uma proposta de revisão da Constituição, Hugo Soares não avançou se o PSD tomará iniciativa idêntica.“Cada coisa a seu tempo. Agora é tempo de continuar a governar e a transformar a vida das pessoas. Se algum partido apresentar uma proposta de revisão constitucional, lá estaremos para analisar”.Hugo Soares também não se quis pronunciar sobre a escolha dos juízes para o Tribunal Constitucional, vincando que o processo está “no recato em que deve estar”.“Eu sobre essa matéria nunca me pronunciei publicamente, também não vou fazê-lo agora”, rematou..Carneiro concorda com Cavaco e diz que o "Governo não governa" e está a "cair para onde não deve"