O primeiro-ministro anunciou esta quarta-feira, 13 de maio, que o Conselho de Ministros vai aprovar na quinta-feira a proposta de lei de revisão da legislação laboral que levará, depois, ao parlamento.Luis Montenegro falava na tomada de posse do novo presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Gustavo Paulo Duarte, para o quadriénio 2026-2029, sucedendo a João Vieira Lopes que vai assumir a liderança do Conselho Geral desta organização.O primeiro-ministro afirmou que o Governo fez “um esforço enorme” em sede de concertação social para alcançar um acordo em matéria de legislação laboral e acusou a UGT de, neste processo, ter sido “intransigente e inflexível”.“O país tem de decidir se quer ficar no imobilismo de ‘assim chega”, ou se olhamos para a frente”, desafiou, dizendo estar convencido que o país quererá “ir mais longe”.Montenegro acredita que PS e Chega estão disponíveis para negociarO primeiro-ministro afirmou ainda ter recebido a disponibilidade do Chega para negociar a legislação laboral e disse acreditar que esta abertura também existe do lado do PS, que confirmará “pessoalmente quando tiver essa oportunidade”.Depois de ter estado reunido em São Bento com o presidente do Chega, André Ventura, Luís Montenegro afirmou ter, “neste momento, a disponibilidade de um dos maiores partidos da oposição” para debater a proposta de lei que o Governo aprovará na quinta-feira em Conselho de Ministros e seguirá depois para o Parlamento.“E também tenho a auscultação que fiz de uma declaração do secretário-geral do PS - que confirmarei pessoalmente quando tiver essa oportunidade - de igual disponibilidade. Se assim for, se os dois maiores partidos da oposição estiverem, como aparentemente parece que estão, disponíveis, nós teremos de passar à fase seguinte, que é a de verificação, ponto por ponto, dos pontos de contacto”, afirmou.Em breves declarações à comunicação social depois da tomada de posse do novo presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Luís Montenegro já não respondeu à pergunta se o encontro com o líder do PS, José Luís Carneiro, já está marcado.PS diz que não há nenhuma declaração que mostre disponibilidade para negociarO PS já veio entretanto dizer que não há nenhuma declaração do secretário-geral socialista de onde se possa inferir que existe disponibilidade para negociar a legislação laboral, adiantou à Lusa fonte da direção do partido.“Até hoje não houve nenhuma conversa do secretário-geral do PS com o primeiro-ministro sobre o tema nem nenhuma declaração do líder do PS de onde se possa inferir essa disponibilidade”, referiu a mesma fonte.Chega “não vai abdicar” das exigências nas negociações Por sua vez, André Ventura, presidente do Chega, indicou que não vai abdicar das exigências que colocou para viabilizar a reforma laboral e afirmou que “naturalmente” tinha de falar com o líder do PSD “para perceber qual a margem para avançar” nas negociações.Em declarações no parlamento, depois de se ter reunido com o primeiro-ministro em São Bento, o líder do Chega disse ter insistido na descida da idade da reforma e na reposição dos dias de férias como condições para aprovar as alterações à lei laboral.“São questões essenciais, nós não vamos abdicar delas, são questões que vamos continuar a trabalhar, quer a descida da idade da reforma, quer a questão injusta, que é terem sido cortados os dias de férias e não terem sido repostos”, afirmou.O presidente do Chega voltou a defender que a “reforma laboral que está agora em cima da mesa é má para o país, é má para os trabalhadores” e “teria que ter alterações para ficar boa”.“Naturalmente, o líder do Chega tinha que falar com o líder do PSD para perceber qual é a margem para avançar”, disse, acrescentando que “era importante” a reunião acontecer hoje, na véspera da aprovação pelo Conselho de Ministros da proposta de lei de revisão da legislação laboral que levará depois ao Parlamento.Mas recusou alongar-se nas considerações, dizendo não querer “fazer declarações que possam comprometer esse processo”. “E, sobretudo, e antes de qualquer outra coisa, não quero enganar os portugueses e, portanto, quero falar sobre estes assuntos quando tivermos mais margem e quando tivermos mais certeza do que é que vai acontecer”, indicou.André Ventura não quis dizer também se houve abertura da parte do primeiro-ministro às suas reivindicações, remetendo para o PSD. “Da parte do Chega nós mantivemos estes pontos como pontos importantes na discussão”, afirmou.Questionado se serão linhas vermelhas nesta negociação, o líder do Chega respondeu que “será o PSD que terá de falar por ele próprio”. À pergunta se estão previstas mais reuniões com o primeiro-ministro, Ventura disse apenas: “depois saberão”..P&R: O que está em causa na reforma da lei laboral do Governo