Gouveia e Melo e Jorge Pinto encontraram-se em Viana do Castelo
Gouveia e Melo e Jorge Pinto encontraram-se em Viana do CasteloJOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Gouveia e Melo critica cinismo dos anúncios de medidas proclamatórias. Marques Mendes diz que saúde está demasiado politizada

As questões relacionadas com a Saúde continuam a dominar a campanha eleitoral para as presidenciais.
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O candidato presidencial Gouveia e Melo prometeu esta sexta-feira, 9 de janeiro, combater a “elevada demagogia” e o cinismo na política, dando como exemplo medidas proclamatórias para a saúde, e adotar uma atitude crítica, exigente e cooperante face aos governos.

“Existe uma elevada demagogia no nosso sistema político. Por exemplo, na quinta-feira, perante um problema da saúde”, apontou o ex-chefe do Estado-Maior da Armada aos jornalistas, no centro histórico de Viana do Castelo, numa alusão às medidas anunciadas pelo Governo, na sequência de cidadãos que morreram por ausência de socorro atempado.

“O que veio dizer logo à Assembleia da República, o Governo, foi dizer que há 275 viaturas deste género, mas esse processo das viaturas já vem em 2023. E qual a razão para não existirem?” questionou , no sexto dia da campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro.

O almirante registou também o anúncio de medidas como “o famoso hospital do Algarve, que só em pedras inaugurais já devia estar construído. Põe pedras inaugurais umas por cima de outras”, comentou, usando neste caso a ironia.

A seguir, tirou uma conclusão: “A população portuguesa está a perceber, exige uma boa governação com coisas concretas e não com declarações proclamatórias às oito da noite para as televisões. Isso é que não pode ser”, frisou.

Se for eleito Presidente da República, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada prometeu ser “crítico” com o Governo, mas “não para o derrubar”.

“Sou crítico do governo quando o Governo está a errar, porque acho que é isso que melhora a governação”, advogou.

Neste contexto, Gouveia e Melo lamentou ainda as “atitudes cínicas” que se registaram “quando houve problemas nos incêndios” e advertiu que “é preciso ter cuidado com a democracia”.

“Se continuamos com algum cinismo político, o que vai acontecer? É um estado de espírito que está na nossa política. Quando há um problema, vamos fingir qualquer coisa, vamos fazer uma proclamação qualquer demagógica que afasta o problema, mas o problema continua”, assinalou.

Em termos específicos, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada apontou que, até hoje, ainda ninguém esclareceu a razão de os aviões de combate a incêndios terem ficado no chão quando, no último verão, havia incêndios florestais.

 E, na sua perspetiva, na quinta-feira, “foi também um momento de cinismo, quando se anunciam investimentos na saúde, também para esconder um pouco aquilo que se estava a passar no setor com estes casos das mortes por falta de assistência”.

“A população quer respostas. E esses anúncios são percebidos pela população, mais uma vez, como uma manobra política, o que descredibiliza a democracia”, acrescentou.

O candidato presidencial considerou ainda que os seus adversários têm “pequenina” dimensão política, sem qualquer comparação com Mário Soares ou Cavaco Silva e sem valor intrínseco, porque dependem dos respetivos partidos.

Estas críticas, que visaram indiretamente Marques Mendes e António José Seguro, foram feitas pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada no final de ações de campanha em Viana do Castelo, que começaram bem cedo junto ao Mercado Municipal e terminaram junto ao café Natário no centro da cidade.

Nas declarações que fez aos jornalistas, Gouveia e Melo disse que tem como principal opositor “o sistema” e também acusou os partidos de pretenderem controlar o voto dos portugueses nas eleições presidenciais.

Já no fim, falou da seguinte forma sobre os seus principais adversários na corrida a Belém: “Não queiram comparar os candidatos atuais, que nem conseguiram vencer dentro dos seus partidos, nunca foram primeiros-ministros e não têm uma dimensão como teve o Mário Soares ou Cavaco Silva, ou outros presidentes” da República.

“Não é com a dimensão pequenina com que estão a concorrer - e estão todos preocupados. Se não fossem os partidos, não chegavam lá, porque não têm valor intrínseco. Se tivessem valor intrínseco, não precisavam do partido para nada”, declarou o candidato, que teve um encontro fortito com o adversário Jorge Pinto.

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Marques Mendes considera que “saúde está demasiado politizada”

Já Marques Mendes considerou que a “saúde está demasiado politizada” e defendeu que os gestores “deviam ser todos nomeados por concurso público”, pois “há demasiado cartão partidário na escolha” destes responsáveis.

“Acho que o setor da saúde está demasiado politizado, há demasiada guerra política em torno da área da saúde, e portanto isto é um ‘ping-pong’, Governo de um lado, oposição de outro. Com toda a franqueza do mundo, assim não se vai resolver problema nenhum da saúde, ninguém está a dar nenhuma solução”, afirmou no final de uma visita à Associação Social dos Idosos da Amoreira, Cascais.

Luís Marques Mendes considerou que “a saúde está demasiado politizada” e é “preciso despolitizar um pouco a intervenção na área da saúde, é preciso capacidade para juntar as partes, Governo e partidos da oposição, é preciso capacidade para ter soluções diferentes do habitual”.

Uma dessas soluções, propôs, é a escolha dos gestores dos organismos da saúde acontecer por concurso público.

“Porque acho que há demasiado cartão partidário na escolha dos gestores da saúde, e portanto depois as coisas não funcionam. Isto é ir ao fundo dos problemas, isto não é politiquice”, salientou.

O candidato a Presidente da República defendeu igualmente “melhores remunerações” para os gestores da área da saúde.

“Um gestor na saúde não tem que ganhar milhões, mas tem que ter uma remuneração maior do que aquela que tem. O barato sai caro, queremos uma coisa barata, significa que os melhores vão para os serviços privados de saúde”, alertou.

Seguro pede coragem ao Governo

António José Seguro, por seu lado, pediu coragem ao Governo para agir e concretizar as soluções identificadas como necessárias para resolver os problemas na saúde, defendendo que “chega de palavras” porque “é preciso resultados”.

“Estão identificadas as soluções, é preciso é coragem para agir. O Governo tem que ter essa coragem”, respondeu António José Seguro aos jornalistas, no Gavião, em Portalegre, quando questionado sobre a situação na saúde.

Sobre se a ministra da Saúde tem condições para continuar no cargo, o candidato presidencial apoiado pelo PS voltou a escusar-se a responder e preferiu focar-se nas preocupações que tem com o setor.

“A minha preocupação é que os portugueses, quando querem marcar uma consulta tenham a consulta no tempo certo, a horas certas, tenham urgências abertas, que as intervenções cirúrgicas sejam feitas quando as pessoas precisam, mais médicos, mais profissionais de saúde, melhor o estatuto dos nossos profissionais de saúde no nosso SNS”, defendeu.

Segundo Seguro, Portugal tem “mais médicos que a média europeia a nível nacional”, mas “poucos médicos no SNS”.

Questionado sobre se acha que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o ouviu quando pediu explicações ao Governo, o candidato presidencial respondeu: “Se ele me ouviu, fico feliz, mas mais do que ouvir é preciso agir e é preciso que da ação resultem soluções”.

“Os portugueses têm que ter acesso a tempo e horas aos cuidados de saúde e isso deve ser uma preocupação e uma prioridade de todos, todo o país. Chega de palavras, é preciso resultados”, disse.

Ventura promete usar Conselho de Estado para criticar PR

O candidato presidencial apoiado pelo Chega lamentou a “inoportunidade” do Conselho de Estado, no qual vai participar, e onde pretende transmitir ao Presidente da República que devia ter tido uma “ação firme” com o Governo na saúde.

“Certamente vou dar nota de duas coisas: da inoportunidade que um Conselho de Estado no meio de uma eleição presidencial, que não tem uma justificação, a que não seja colocar o Presidente da República em exercício no centro do debate político. E obviamente que vou dizer a Marcelo Rebelo de Sousa que aquilo que aconteceu nos últimos dias em Portugal, em termos de saúde, mereceria uma ação firme do Presidente da República”, defendeu André Ventura, em Sobral de Monte Agraço, distrito de Lisboa, num dia em que a sua agenda de campanha tem apenas uma iniciativa devido ao Conselho de Estado no qual vai participar, à tarde, para analisar a situação na Ucrânia e na Venezuela.

Apesar de os temas serem internacionais e de considerar que a convocatória deste órgão consultivo do chefe de Estado é errada, André Ventura, que foi eleito conselheiro de Estado pelo parlamento em 2024, considerou que “é preciso dizer a Marcelo Rebelo de Sousa que ele falhou ao não chamar a atenção do Governo em falhas gravíssimas” nos últimos dias, “quando pessoas morriam por falta de atendimento médico”. 

“Portanto, eu perguntarei ao Presidente da República, com todo o respeito, e é muito, que tenho por ele, o que é que andava a fazer nestes dias”, afirmou.

Interrogado sobre o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter pedido, na quinta-feira, uma explicação o mais rápido possível sobre os casos de mortes que ocorreram sem que tivesse chegado socorro do INEM, defendendo que os portugueses precisam de certezas nesta matéria, Ventura considerou que o chefe de Estado “falou 48 horas depois do que devia ter falado”.

O candidato a Belém lamentou que “o Presidente da República tenha que ter um candidato a dizer-lhe que ele tem que falar sobre saúde” e acrescentou que, caso seja eleito, não irá “precisar que ninguém” lhe diga “que é o momento de falar ou não falar”.

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