Henrique Gouveia e Melo chegou à sede da noite eleitoral às 19 horas. Rui Rio, o seu mandatário nacional, juntou-se ao almirante às 22h15, quando Gouveia e Melo reagiu aos resultados mais consolidados.
Henrique Gouveia e Melo chegou à sede da noite eleitoral às 19 horas. Rui Rio, o seu mandatário nacional, juntou-se ao almirante às 22h15, quando Gouveia e Melo reagiu aos resultados mais consolidados.Foto: Reinaldo Rodrigues

Gouveia e Melo afirma que estas foram “eleições legislativas” e ataca sondagens

Henrique Gouveia e Melo defendeu que não deve haver sondagens no período de campanha para não condicionar os resultados. Rui Rio, mandatário do almirante, afirmou que o resultado penaliza o PSD.
Publicado a
Atualizado a

Os únicos gritos de entusiasmo que se ouviram na sede da noite eleitoral de Henrique Gouveia e Melo, num hotel em Lisboa, aconteceram quando o candidato, finalmente acompanhado pelo mandatário nacional, Rui Rio, entrou na sala onde o esperavam algumas dezenas de apoiantes. “Portugal, Portugal”, repetiram alguns jovens, que mais tarde seriam alvo de um dos agradecimentos mais profundos do almirante. No extremo oposto, estariam os partidos políticos que, de acordo com Gouveia e Melo, condicionaram a campanha.

“Na minha muito modesta opinião, não estivemos verdadeiramente numas eleições presidenciais, estivemos mais numas eleições legislativas, e, consequentemente, por isso, um candidato independente ressentiu-se nesse processo”, afirmou depois de ser questionado sobre o que teria acontecido para, no início da sua candidatura, ter surgido como um dos favoritos para agora terminar numa quarta posição.

Sobre o facto de não ter ainda assumido se endossaria os seus votos num dos candidatos que passaram à segunda volta – António José Seguro e André Ventura –, Gouveia e Melo garantiu que nunca “disse que não ia tomar uma posição”, apenas que era “prematuro” fazê-lo. 

Para além disso, o almirante lembrou que “ainda agora acabámos de saber os resultados da primeira volta. Eu vou reservar isso para outro momento mais tarde”, prometeu, antes de defender que “ao longo desta campanha” notou que muitas vezes as suas “palavras eram distorcidas”.

Sobre os mais de 690 mil votos que a sua candidatura angariou, Henrique Gouveia e Melo agradeceu “a confiança destes portugueses” mas rematou: “eu só sou dono de mim próprio e da minha consciência. E mais tarde falarei quando achar que for oportuno.”

Em relação às sondagens, Gouveia e Melo sustentou “que há sempre uma dúvida que fica no ar a partir de agora: são causa ou consequência?” 

Com esta ideia ainda a ressoar, o almirante defendeu que, “enquanto democrata”, não deve haver sondagens no período imediatamente antes das eleições.

Silêncio e resignação

Nas horas de espera que antecederam a chegada de Gouveia e Melo à sala onde haveria reações ao resultado das eleições, os apoiantes do candidato demoraram a instalar-se, e, no momento exato em que começaram a sair as primeiras projeções, que o colocaram num quarta lugar, nesse momento ainda provisório, não houve qualquer reação.

As dezenas de apoiantes que esperavam Gouveia e Melo conversavam entre si, em surdina, mexiam nos telemóveis e olhavam para os ecrãs que iam mostrando os resultados que iam saindo a conta gotas. Pouco depois, a sala que não estava cheia, ficou ainda mais vazia com a urgência em jantar.

Depois, a sala encheu-se enquanto se esperava a reação de Gouveia e Melo, que, sem surpresas, anunciaria um resultado do qual não estava à espera.

Antes da chegada do almirante, houve aplausos para as palavras da mandatária distrital de Lisboa da candidatura de Gouveia e Melo, Conceição Calhau, que afirmou que, naquele momento, e perante os resultados que ainda não estavam consolidados, só havia uma coisa a fazer, "serenamente": "aguardar os resultados".

Muitos dos apoiantes de Gouveia e Melo mantiveram-se sentados enquanto olhavam para as percentagens que mostravam os intervalos que iriam balizar as concretizações eleitorais do almirante.

Conceição Calhau agradeceu "aos muitos milhares de portugueses que confiaram na candidatura de Henrique Gouveia e Melo" e frisou aquilo que o almirante várias vezes destacou durante a campanha: "É uma candidatura independente."

Mais tarde, no discurso, Gouveia e Melo recuperaria esta ideia, enquanto justificava que se candidatou "também pela convicção de que a Presidência da República deve ser um espaço de união e não de divisão. Um espaço acima de interesses partidários, independente e livre."

Reforço da ideia das "legislativas" e penalização para o PSD

Numa nota final, já depois da reação de Gouveia e Melo, o mandatário nacional do almirante, Rui Rio, não quis revelar em quem vai votar na segunda volta.

O antigo presidente do PSD e antecessor de Luís Montenegro analisou este resultado eleitoral – que, para já, no território nacional, atribuem 31,21% dos votos a António José Seguro, 23,29% a André Ventura, 16,01% a João Cotrim de Figueiredo, 12,41% a Henrique Gouveia e Melo e 11,34% a Luís Marques Mendes – e vincou a ideia que Gouveia e Melo tinha transmitido, no sentido de considerar que estas eleições foram "legislativas" e não presidenciais.

Sobre o resultado de Marques Mendes, apoiado pelo PSD, Rui Rio considerou que não é penalizador para o Governo mas penaliza o partido.

Henrique Gouveia e Melo chegou à sede da noite eleitoral às 19 horas. Rui Rio, o seu mandatário nacional, juntou-se ao almirante às 22h15, quando Gouveia e Melo reagiu aos resultados mais consolidados.
Presidenciais: Como funciona o processo eleitoral até à 2ª volta
Henrique Gouveia e Melo chegou à sede da noite eleitoral às 19 horas. Rui Rio, o seu mandatário nacional, juntou-se ao almirante às 22h15, quando Gouveia e Melo reagiu aos resultados mais consolidados.
Veja aqui todos resultados das eleições presidenciais

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt