Ex-presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues
Ex-presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro RodriguesGerardo Santos / Global Imagens

Ferro Rodrigues: "Esperemos que, em nome da estabilidade, o PS não continue a colaborar para que a aliança PSD-Chega se fortaleça"

Antigo líder socialista diz que, perante os acontecimentos dos últimos dias no Parlamento, "é preciso que o mais cedo possível fique claro que quem governa Portugal é o PSD e a extrema-direita”. E pede uma resposta política mais firme dos socialistas, apelando ao voto contra o Orçamento do Estado para 2027.
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Num contexto marcado por alguns desaires socialistas no parlamento, o antigo secretário-geral do PS Eduardo Ferro Rodrigues apelou esta sexta-feira (12 de junho) à liderança de José Luís Carneiro para que não viabilize o Orçamento do Estado para 2027, denunciando que a aliança política entre PSD e Chega deve levar o PS a abandonar qualquer estratégia de colaboração com o Governo.

As declarações de Ferro Rodrigues, partilhadas com o DN e outros órgãos de comunicação social, ocorrem num dia que deixou muitos socialistas incomodados com o que consideram ter sido um episódio bastante negativo para o PS na Assembleia da República: o inesperado falhanço da eleição da candidata indicada pelo PS para Provedora de Justiça, Luísa Neto, que deixou os socialistas desconfiados do PSD, com quem tinham acordado o nome da jurista, e algum mal-estar interno também pela falta de cinco deputados socialistas a esta votação, segundo soube o DN.

Já no dia anterior, os socialistas tinham visto com desagrado a decisão do presidente do Parlamento, Aguiar-Branco, em suspender o arranque do processo de revisão constitucional desencadeado pelo Chega.

“Hoje é um dia importante, o dia em que a aliança do PSD com o Chega pode ser vista claramente”, considera Ferro Rodrigues, para quem os acontecimentos recentes demonstram uma aproximação entre os dois partidos. O antigo líder socialista defendeu que o PS deve rever a sua postura perante o executivo de Luís Montenegro e sugere o voto contra o Orçamento de Estado de 2027. “Espero que o mais rapidamente possível fique bem assinalado que não contam com o PS para a passagem do Orçamento do Estado no Parlamento”, declarou.

Ferro Rodrigues diz que “é preciso que o mais cedo possível fique claro que quem governa Portugal é o PSD e a extrema-direita” e que, perante esse cenário, “todos devem assumir posição e comportamento”. E desafia a atual liderança dos socialistas a denunciar o que considera ser uma falsa narrativa política, do Chega, “a rábula de que a muleta do governo seria o maior partido da oposição”.

Por isso, o antigo presidente da Assembleia da República apela a uma oposição mais clara do PS ao Governo de Luís Montenegro: “Esperemos que, em nome da estabilidade, o PS não continue a colaborar para que a aliança PSD-Chega se fortaleça (…) com a utilidade dos idiotas”

Entre os motivos da sua insatisfação está então a eleição falhada de Luísa Neto para provedora de Justiça, na votação que decorreu esta manhã. A atual presidente do Instituto Nacional de Administração (INA), indicada pelo PS com apoio prévio do PSD, obteve 131 votos favoráveis entre os 207 deputados votantes, ficando sete votos aquém da maioria qualificada de dois terços necessária para ser eleita (138).

PS avalia insistir com nome de Luísa Neto

Em declarações adicionais ao jornal Expresso, Ferro Rodrigues atribuiu o desfecho a uma “atitude traiçoeira” por parte dos sociais-democratas. Entretanto, o PS avalia uma possível insistência com o nome de Luísa Neto para uma nova votação, como adiantou o jornal digital Observador. Ao que apurou o DN, os socialistas vão consultar primeiro a disponibilidade da jurista para ver o seu nome submetido a segunda votação. Entre algumas figuras do partido, sabe o DN, é defendida a opção de abdicar de indicar qualquer nome caso Luísa Neto não queira ir outra vez a votos.

Já o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, garantiu que o partido continuará a apoiar a candidatura caso os socialistas decidam reapresentá-la.

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