Chega fez requerimento aceite pelo presidente da Assembleia da República.
Chega fez requerimento aceite pelo presidente da Assembleia da República.ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Deputados voltam a votar pena acessória de perda de nacionalidade chumbada pelo Tribunal Constitucional

Requerimento do Chega foi aceite pelo presidente da Assembleia da República. Inconstitucionalidade decretada pelos juizes conselheiros pode ser ultrapassada se dois terços dos deputados reconfirmarem.
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A pena acessória de perda de nacionalidade, chumbada pelo Tribunal Constitucional, vai ter uma votação de reapreciação na Assembleia da República, na qual o voto favorável de dois terços dos deputados poderá ultrapassar a inconstitucionalidade decretada pelos juizes conselheiros do Palácio Ratton.

O pedido de reapreciação parlamentar entregue pelo grupo parlamentar do Chega foi aceite pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco. Num despacho datado de sexta-feira passada, 29 de maio, este aceitou os requisitos formais apresentados pelo partido de André Ventura e determinou que o agendamento dessa votação seja agendado na próxima conferência de líderes.

A alteração do Código Penal para a perda de nacionalidade de cidadãos naturalizados que tenham cometido crimes com pena de prisão efetiva igual ou superior a cinco anos, e do impedimento da sua obtenção por quem nos 15 anos anteriores tenha cometido crimes que tenham essa moldura penal em Portugal, foi aprovada pelos deputados do PSD, Chega, Iniciativa Liberal e CDS. Caso todos mantenham essa orientação de voto - o que está longe de ser evidente -, será possível ultrapassar a inconstitucionalidade decretada pelo Tribunal Constitucional.

A 8 de maio, os juizes do Tribunal Constitucionalista anunciaram terem decidido, por unanimidade, pela inconstitucionalidade da pena acessória de perda da nacionalidade, considerando que várias das suas normas violavam os princípios da igualdade e da proporcionalidade.

Nesse mesmo dia, o presidente do Chega, André Ventura, defendeu que a Assembleia da República deveria reapreciar e reconfirmar o decreto que prevê a perda da nacionalidade e afirmou ter recebido o acórdão com “total estupefação”. Perante o chumbo do TC, Ventura sustentou que o parlamento, “com a maioria que há hoje”, deveria reconfirmar o diploma “independentemente da interpretação” dos juízes do Palácio Ratton, argumentando que o tribunal está a substituir-se “à vontade da maioria da população e do legislador”.

Ventura foi mais longe e propôs mesmo a realização de um referendo caso não seja possível reunir novamente a maioria qualificada de dois terços necessária para confirmar o decreto.

Já a 15 de dezembro de 2025 fora chumbada uma alteração do Código Penal no mesmo sentido, tal como fora a nova Lei da Nacionalidade. Os quatro partidos mais à direita no hemiciclo juntaram-se de novo para aprovar novas versões, tendo a Lei da Nacionalidade sido promulgada pelo atual Presidente da República, António José Seguro, com alguns reparos à falta de consensos parlamentares mais alargados e à necessidade de dar atenção à situação dos filhos de imigrantes nascidos em Portugal.

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Seguro veta por inconstitucionalidade pena acessória de perda da nacionalidade
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