Francisco Louça na convenção do BE.
Francisco Louça na convenção do BE.Leonardo Negrão

Convenção do BE: Louçã não imputa erros a Mortágua e diz que Pureza derruba muros

Sobre se o ex-deputado José Manuel Pureza será a pessoa certa para liderar o partido nesta fase, um dos fundadores do partido considerou-o “uma escolha forte”.
Publicado a
Atualizado a

O fundador e ex-líder do BE Francisco Louçã elogiou na tarde deste sábado, 29 de novembro, o trabalho de Mariana Mortágua à frente do partido e recusou imputar-lhe erros, destacando em José Manuel Pureza a capacidade de “derrubar muros” e “aproximação entre correntes”.

Em declarações aos jornalistas à margem da XIV Convenção Nacional do BE, Francisco Louçã disse ter “um enorme apreço” por aquilo que Mariana Mortágua fez na liderança do partido, enaltecendo a “combatividade e dignidade extraordinária” e um dos “atos mais generosos e extraordinários da política portuguesa” que foi integrar uma flotilha humanitária para Gaza.

“Eu não imputo erros à Mariana. O Bloco sofreu, perdeu nestas eleições. Na primeira eleição em que ela participou, subiu a votação. Depois, na crise política provocada por Montenegro, teve a mais forte derrota eleitoral”, respondeu, considerando que aquilo que esta reunião magna irá discutir é “como é que se organiza uma esquerda que seja consistente consigo própria”.

Sobre se o ex-deputado José Manuel Pureza será a pessoa certa para liderar o partido nesta fase, Louçã considerou-o “uma escolha forte”, com uma experiência, “como poucas pessoas dentro do Bloco, de trabalho unitário, de aproximação entre correntes”.

Há pouco tempo ele estava a discutir com o Papa Francisco o diálogo entre marxistas e cristãos. Isto é uma pérola no mundo. Que ele tenha participado com Francisco Pinto Balsemão ou com Rui Rio ou com tantas outras pessoas num movimento para legalizar a morte assistida, é a expressão de que ele é capaz de derrubar murros”, enfatizou.

O antigo coordenador do BE espera para ver a discussão interna quanto à "decisão de ir ao combate onde ele é mais difícil”.

“Os jovens são hoje maioritariamente de extrema-direita. O discurso de ódio banalizou-se de tal modo que conspurcou a vida democrática. Esse é um combate em que a esquerda tem que recuperar terreno, tem que recuperar alento, tem que recuperar a capacidade de luta e de expressão política”, defendeu.

Para Louçã “talvez essa seja uma mudança tão profunda que vai exigir imensa capacidade, imensa atenção, imensa curiosidade e imensa vontade”.

“É preciso falar à inteligência das pessoas, ao seu coração, à sua alma e à sua inteligência”, afirmou.

O fundador do partido afastou a ideia do desaparecimento do BE, apontando as “raízes muito fortes” do partido, que “tem uma dificuldade que é igual a toda a esquerda”.

“Eu acho que seria infantil se houvesse alguém na esquerda que estivesse contente. A extrema-direita é o segundo partido em Portugal, temos um fascista na Casa Branca. Se há alguém que está contente não está a ver o filme”, avisou.

Francisco Louça na convenção do BE.
Mortágua espera "mudança" e admite erros, mas rejeita que tenham sido "determinantes"
Francisco Louça na convenção do BE.
José Manuel Pureza defende que BE “tem que mudar para crescer”

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt