Chega formaliza pedido para audição urgente do diretor da PJ após choque de versões no Governo
O Grupo Parlamentar do Chega formalizou, esta quarta-feira (9) à noite, o pedido de audição com caráter de urgência do diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) perante a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
A iniciativa parlamentar, assinada pela deputada Cristina Rodrigues, surge na sequência do anúncio público feito pelo partido e visa esclarecer o que este classifica como contradições insanáveis entre dois membros do Governo sobre o destino e os custos de destruição dos resíduos químicos apreendidos no âmbito da "Operação Pacoba".
Na origem do requerimento está o desfasamento entre o depoimento prestado no parlamento pelo Ministro da Administração Interna, Luís Neves — que chefiava a PJ à data da operação —, e as respostas escritas enviadas à Assembleia da República pela ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice.
Em causa estão os valores apresentados pela empresa Ambimed para o tratamento dos produtos químicos apreendidos. Na terça-feira, perante os deputados, Luís Neves sustentou que os bidões com resíduos perigosos foram provisoriamente depositados nas instalações da Construbarcelos porque o encargo de destruição rondava os 150 mil euros e dizia respeito exclusivamente à Operação Pacoba.
A tutela da Justiça havia respondido formalmente ao Chega dizendo que a proposta orçamental da dita empresa se fixava numa base de 144.456 euros que, acrescida de IVA, (perfazia um encargo global de 177.444 euros), englobando afinal mais material do que apenas o apreendido naquela ação policial específica.
Confrontada esta quarta-feira pela bancada do Chega durante a sua audição regimental, Rita Alarcão Júdice rejeitou que tenha havido qualquer mentira, vincando que se limitou a reencaminhar as informações transmitidas formalmente pela própria Polícia Judiciária.
Para a bancada de André Ventura, a explicação não dissipa as dúvidas e indicia "encobrimento político".
No texto do requerimento entregue à presidente da 1.ª Comissão, Paula Cardoso, o Chega sustenta que "um dos dois governantes faltou à verdade" e defende que só o atual responsável máximo da instituição policial poderá detalhar a cronologia, o teor real das propostas orçamentais e as instruções que ditaram o depósito dos materiais perigosos.
