André Ventura, presidente do Chega.
André Ventura, presidente do Chega.EPA/JOSE SENA GOULAO

Chega acusa Aguiar-Branco de querer travar inquérito a Luís Neves e exige início rápido da CPI

Ração surge depois de Aguiar-Branco ter defendido limite de duas comissões de inquérito em simultâneo, questão que levará à conferência de líderes na próxima quarta-feira
Publicado a: 
Atualizado a: 

O Chega acusou esta segunda-feira (5 de outubro) o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, de tentar condicionar o funcionamento da comissão parlamentar de inquérito proposta pelo partido à atuação de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária.

A reação surge depois de Aguiar-Branco ter defendido que deve ser respeitada a prática parlamentar de manter, no máximo, duas comissões de inquérito em funcionamento em simultâneo, questão que levará à conferência de líderes na próxima quarta-feira (7).

Numa carta enviada ao presidente do Parlamento, o presidente do Chega, André Ventura - que vai presidir à CPI -, manifesta “o mais vivo repúdio” pelas declarações e acusa Aguiar-Branco de ter “um notório e evidente interesse em proteger” o atual ministro da Administração Interna.

Para o Chega, a posição do presidente da Assembleia representa mais uma tentativa de condicionar o inquérito a Luís Neves. “Primeiro, era o objeto da Comissão que não estava conforme; depois, era a extensão da investigação; seguiram-se as interferências políticas e, agora, finalmente, tenta travar a Comissão de Inquérito pelo facto de estarem outras a decorrer”, escreve o Chega.

O partido sustenta ainda que a limitação a duas comissões em simultâneo não está prevista “em nenhuma norma do Regimento da Assembleia da República ou da Constituição da República Portuguesa”.

Na carta, o Chega acusa Aguiar-Branco de estar “sequestrado pelos interesses de PSD e PS” tal como o seu antecessor, o socialista Augusto Santos Silva, e garante que continuará a defender uma investigação “rápida e sem amarras” a Luís Neves.

"O Chega lamenta essa atitude e vai pugnar por uma investigação rápida e sem amarras ao doutor Luís Neves, apesar de todos os obstáculos. É esse o interesse superior do povo português que devia também nortear a sua atuação”, acrescenta-se na mesma carta também assinada pelo líder parlamentar do partido, Pedro Pinto.

Aguiar-Branco, por seu lado, reconheceu que o Regimento permite, no plano estritamente formal, quatro comissões em simultâneo, mas lembrou que "existe uma prática parlamentar de limitar esse número a duas para permitir a participação dos deputados, sobretudo dos grupos parlamentares com menos representantes". A decisão caberá à conferência de líderes.

André Ventura, presidente do Chega.
Aguiar-Branco defende limite de duas comissões parlamentares de inquérito em simultâneo
André Ventura, presidente do Chega.
André Ventura avança com CPI a Luís Neves apesar de Aguiar-Branco não aceitar dois temas propostos pelo Chega
Diário de Notícias
www.dn.pt