O ataque não reivindicado (mas também não desmentido) de Israel a um edifício anexo à embaixada do Irão em Damasco marcou um novo mínimo entre Teerão e Telavive.
O ataque não reivindicado (mas também não desmentido) de Israel a um edifício anexo à embaixada do Irão em Damasco marcou um novo mínimo entre Teerão e Telavive.LOUAI BESHARA / AFP

Catarina Martins justifica abstenção em resolução sobre o Irão: "Omite ingerência de Israel e da Mossad"

Eurodeputada do Bloco votou, tal como outros portugueses, com abstenção numa resolução sobre a repressão violenta de manifestantes. Lamenta que não haja garantias de que os EUA não irão entrar no país
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Parlamento Europeu (PE) aprovou, no dia 22 de Janeiro, uma resolução de condenação à repressão violenta de manifestantes no Irão, com 562 votos a favor, nove contra e 57 abstenções. Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, Lídia Pereira, do PSD, e António Tânger Correia, do Chega, também se abstiveram.

Catarina Martins justificou o sentido de voto acusando a interferência de Israel no Irão. "A resolução proposta omite ou rejeita várias informações relevantes, como a ingerência de Israel através de agentes da Mossad", aponta, mencionando que esta foi mesmo "reconhecida pelo próprio antigo Secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo".

"Omite o impacto das sanções impostas ao Irão na qualidade de vida dos seus cidadãos, que constitui uma violação do direito internacional e dos direitos humanos", prossegue, considerando "bizarro que uma resolução que cita várias posições da ONU não refira o pedido desta organização para o levantamento dessas sanções."

Defendendo o direito internacional, Catarina Martins afirma que "a resolução não se demarca das sucessivas ameaças de intervenção militar no Irão feitas pelos Estados Unidos e Israel", considerando que a entrada no território "teria consequências devastadoras na região." "Ao não se demarcar, a resolução parece querer abrir caminho e legitimar essa intervenção, o que é particularmente irresponsável no quadro das ameaças que os Estados Unidos têm feito também em relação a países da União Europeia", detalha.

Depois de votar com abstenção, a deputada europeia eleita pelo Bloco de Esquerda e candidata na primeira volta das Presidenciais lembra que já se solidarizou anteriormente e que a resolução "identifica corretamente a violência da repressão do Estado Iraniano e da Guarda Revolucionária Iraniana sobre manifestantes iranianos que lutam contra a crise social, pelos direitos das mulheres, pela democracia e liberdades básicas."

A situação no Médio Oriente e também a postura ameaçadora de Donald Trump à Gronelândia serão temas da reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda. O encontro liderado por José Manuel Pureza este sábado dedicará atenção à atualidade política internacional, sem esquecer os principais temas em Portugal. O Bloco, por Fabian Figueiredo, já se insurgiu com a possível presença do Governo de Portugal numa cimeira internacional organizada em Israel.

O ataque não reivindicado (mas também não desmentido) de Israel a um edifício anexo à embaixada do Irão em Damasco marcou um novo mínimo entre Teerão e Telavive.
Bloco de Esquerda insurge-se por possível presença do governo de Portugal em cimeira organizada por Israel
O ataque não reivindicado (mas também não desmentido) de Israel a um edifício anexo à embaixada do Irão em Damasco marcou um novo mínimo entre Teerão e Telavive.
Catarina Martins acaba Presidenciais apoiada por todas as principais figuras do Bloco de Esquerda

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