O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, junta-se no final desta semana, sexta-feira (17) e sábado (18), em Barcelona, Espanha, a outros líderes mundiais de corrente progressista num encontro que tem sido já catalogado como a “Davos da esquerda” - numa comparação com o fórum económico mundial que costuma reunir naquela cidade suíça. Denominado como Global Progressive Mobilisation (GPM) - Mobilização Progressista Global, numa tradução livre do inglês -, este movimento de esquerdas aparece com o objetivo declarado de unir “as forças progressistas do mundo” para oferecer “uma alternativa necessária às forças conservadoras e de extrema-direita”. Esta cimeira, que é a primeira de âmbito global, recicla valores e alguns oradores - como o presidente brasileiro, Lula da Silva, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez - do encontro congénere que aconteceu no Chile em julho do ano passado, intitulado Democracia Sempre. Ao DN, a eurodeputada socialista Ana Catarina Mendes - que, junto com o líder do PS, José Luís Carneiro, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, será uma das três vozes portuguesas a intervir como orador na cimeira - diz estar “absolutamente convencida de que a única forma que temos de responder ao crescimento da extrema-direita é ter uma agenda social fortíssima que responda aos problemas das pessoas”, e é por isso que habitação, saúde e rendimentos vão estar na ordem do dia.Em julho de 2025, Pedro Sánchez, no Chile, dizia que “é hora de dar um passo em frente” enquanto deixava avisos sobre “uma internacional reacionária, que atua de forma coordenada”, à qual “é tão importante responder com coordenação e união.”No final de março, no XXV Congresso do PS, José Luís Carneiro lembrava, no encerramento da reunião magna socialista, face aos receios expressos por vários jovens em relação a temas como a guerra ou o custo de vida, que “parte dessa insegurança resulta de políticas que estão a falhar. Sabemos que quando a política não responde de forma eficaz, abrem-se espaços ao desalento e aos discursos populistas.”Fonte próxima de Carneiro identifica precisamente como objetivo desta cimeira progressista em Barcelona a concertação de “uma resposta, a uma escala global, à ofensiva dos populismos”, numa aliança global que pretende travar os avanços da extrema-direita. Mas Ana Catarina Mendes recusa a ideia de que esta cimeira - sob a alçada do Partido dos Socialistas Europeus (PES), da Internacional Socialista (à qual Pedro Sánchez preside) e da Progressive Alliance - é uma reação à crescente popularidade de partidos como o Chega, preferindo descrever o objetivo do encontro como uma resposta às pessoas: “[o que está em jogo] é o que é que nós temos para oferecer aos cidadãos enquanto partidos progressistas.”Por isso, à semelhança do que se ouviu de vários oradores no Congresso do PS, Ana Catarina Mendes defende: “Temos de ter a capacidade de renovar a nossa agenda, renovar o nosso contrato social com as pessoas.”Ana Catarina Mendes será oradora numa intervenção sobre migração e argumenta que “esta ideia da instrumentalização da imigração [por parte da extrema-direita] para gerar medos, gerar falsas percepções, mesmo que os dados evidenciem o contrário do que estão a dizer, é uma matéria a que os progressistas têm que ter resposta”.Para a eurodeputada, a Europa tem de voltar a apostar numa política humanista, “mais solidária”, principalmente quando a extrema-direita festeja, “no plenário da Assembleia da República, o regulamento do retorno e vemos os eurodeputados da extrema direita a escrever posts nas redes sociais a dizer: chegou a nova era da deportação.” .Socialistas pedem a Carneiro para afirmar o partido com “ideias novas” para o país.Carneiro pressiona AD a escolher entre PS e Chega: "É altura de exigirmos que se decida"