Na Praça Afonso de Albuquerque, em frente ao Palácio de Belém, dois grupos gritaram esta terça-feira, 21 de abril, pelo presidente brasileiro, Lula da Silva, com intenções diferentes mas sem confrontos diretos. Num dos lados, apoiantes do Chega apelavam a André Ventura que fosse “em frente”, porque estava ali “a sua gente”, enquanto chamavam “ladrão” ao político brasileiro. A escassos 10 metros, apoiantes do núcleo local do PT, o partido de Lula, repetiam mantras como “paz sim, guerra não”, e gritavam: “25 de Abril sempre. Fascismo, nunca mais.”Os cartazes também contrastavam, com um lado – o que estava a ser incitado pelo líder do Chega – a ostentar imagens de Lula da Silva atrás das grades – por vezes ao lado de José Sócrates –, o que estava afinado com as palavras lançadas por Ventura, que puxava pelas dezenas de pessoas que estavam à sua frente: “Lula, ladrão, o teu lugar é na prisão.”Questionado sobre se há aproveitamento político por parte do Chega cada vez que o presidente brasileiro visita Portugal, como aconteceu em 2023, André Ventura justificou que, a cada uma destas visitas, “o Chega faz o que as pessoas dignas deviam fazer, que era protestar”. As pessoas, além de repetirem o nome do líder do Chega, recuperavam cânticos das campanhas do partido: “Não importa, não importa se dizem bem ou mal. Nós só queremos o Ventura a mandar em Portugal.”.Quando subiu ao palco montado no relvado, André Ventura acusou muitos dos apoiantes de Lula de nem saberem “porque é que estão ali”. “Devem estar a receber o subsídio de alguém”, atirou, enquanto sugeria que “são pagos pelo PT para estarem ali”. Ventura, antes, perguntou, de forma retórica, como é que o primeiro chefe de Estado que Seguro “recebe aqui é um corrupto e um ladrão”. “Se a polícia fizesse ali uma rusga, a maior parte eram presos”, insistiu ainda Ventura sobre os apoiantes do PT.Ventura foi acompanhado por vários deputados do Chega, que argumentavam o mesmo que o líder do partido, mas com outras palavras.Pedro Frazão, vários minutos antes da intervenção do líder do Chega, afirmara que esta é uma luta “sobrenatural” do “bem contra o mal”, que “pode chegar a confronto físico”, até porque “se os anjos têm espadas é porque nem tudo se resolve com conversas”, defendeu, aludindo depois ao ataque com um cocktail Molotov na Marcha pela Vida.No outro lado, na concentração dos apoiantes de Lula, o líder do núcleo do PT em Lisboa, Pedro Prola, lembrou, em declarações ao DN, que aquele grupo de apoiantes fora convocado há quatro dias, enquanto a convocação para o protesto do Chega só aconteceu no dia anterior.Entre os apoiantes de Lula, o DN ouviu Taciana, que está a fazer um doutoramento na Universidade de Lisboa, em parceria com a Universidade de São Paulo, apoiado “pelo governo federal, pelo governo Lula”. “Eu venho de pais anabóbetos, que não estudaram, não tiveram oportunidade de estudar”, lembrou a estudante enquanto agradecia “as políticas públicas criadas desde o governo Lula”.“As pessoas que estão do outro lado não precisaram das políticas públicas de acesso à universidade. Eu acho que o presidente Lula é o presidente das pessoas vulneráveis”. Taciana ainda sublinhou que todas as pessoas têm a liberdade de se manifestar, mas apelou a que tenham “o conhecimento crítico sobre aquilo que fazem”. .Lula da Silva esteve em Belém com Ventura a gritar: "Lula, ladrão, o teu lugar é na prisão".Chega convoca concentração contra Lula da Silva à porta do Palácio de Belém