Terminado o ciclo de eleições sucessivas, o Barómetro DN/Aximage de março revela o tripartidarismo em estado puro. Após a coligação que suporta o Governo de Luís Montenegro ter uma vantagem superior a oito pontos em outubro, no último estudo a incluir a intenção de voto em legislativas, existe agora um empate técnico entre as três principais forças políticas, com PS à frente da AD e Chega, mas todos dentro da margem de erro de 4,2%. O partido liderado por José Luís Carneiro surge em primeiro lugar nas intenções de voto, com 27% (23,8% em outubro), enquanto a AD cai de 32,4% para 26,6%, com escassa vantagem sobre o Chega, que sobe de 21,9% para 25,8%. Só que esse resultado das 551 entrevistas feitas pela Aximage a 2 e 3 de março, depois das eleições presidenciais - nas quais os partidos da coligação entre PSD e CDS se alhearam da segunda volta, entre António José Seguro e André Ventura - e da recomposição do Governo, resulta da distribuição dos 6,9% de indecisos. Entre os que sabem em quem votariam se houvesse legislativas, a AD mantém-se à frente, com 25,4%, seguida do PS, com 25%, e Chega, com 23,5%, mas os socialistas beneficiam de o método de distribuição levar em conta votações anteriores dos indecisos e o seu posicionamento no espetro político. .Olhando para os segmentos do eleitorado, com PS, AD e Chega a obterem mais apoio entre os homens do que nas mulheres, confirmam-se tendências e acentuam-se sinais de preocupação para os partidos. Enquanto o PS apresenta intenções de voto bastante niveladas em todo o país, a AD conta com apoio muito reduzido na Área Metropolitana de Lisboa (19,3%). E o Chega, que lidera na capital (33,9%), fica muito aquém da média na Área Metropolitana do Porto (15,8%).Para a liderança do PS no Barómetro DN/Aximage contribuem os 38,9% de intenções de voto dos mais velhos, com 65 anos ou mais, e a liderança destacada (39,3%) nos mais ricos, da Classe A/B. Contra o que tem sido habitual, a AD surge destacada entre os mais jovens, dos 18 aos 34 anos (25,5%) e na Classe C1 (30,6%), deixando para o Chega a primazia nos inquiridos entre 35 e 49 anos (30,8%) e entre 50 e 64 anos (33,6%), bem como na Classe C2 (28,1%) e no seu habitual reduto dos mais pobres, pertencentes à Classe D (34,2%).Nos restantes partidos, distantes do trio da frente, destaca-se a Iniciativa Liberal, que sobe de 5,9% para 7,4%, cimentando o estatuto de quarta força partidária, mais por força dos 13,11% de intenções de voto entre os mais jovens do que pelos 7,2% entre os mais ricos. Um indício de que a atração dos eleitores entre 18 e 34 anos pela candidatura presidencial de João Cotrim de Figueiredo erá sido transposta, ainda que parcialmente, para o seu partido.À esquerda do PS, mantêm-se os problemas. Todos esses partidos descem em relação aos números de outubro e à percentagem obtida nas últimas legislativas. O Livre ainda tem 4,2%, mas a CDU cai para 2,7%, o PAN para 1,3% e o Bloco de Esquerda, agora coordenado por José Manuel Pureza, não passa dos 0,9% .Socialistas por Ventura.Muito clara continua a ser a opinião da maioria dos inquiridos quanto à principal figura da oposição, com André Ventura a ser apontado por 59% dos inquiridos, enquanto José Luís Carneiro não vai além de 21%. Até os que votaram no PS nas últimas legislativas reconhecem que o líder do Chega (41%) supera o secretário-geral socialista (38%). Tal distância aumenta no eleitorado da AD (61%-27%), tornando-se esmagadora entre os que votaram no Chega (87%-4%), com Carneiro mais próximo do estatuto de figura da oposição entre os mais ricos, da Classe A/B (45%-36%), e os mais velhos (53%-32%).Pelo contrário, José Luís Carneiro (23,4%) fica ligeiramente à frente de André Ventura (22,6%) quando se pergunta em qual líder partidário têm mais confiança para ser primeiro-ministro. Mas Luís Montenegro é o preferido (31%), superado apenas pelo líder do Chega nos mais pobres e nos residentes na Área Metropolitana de Lisboa, e pelo secretário-geral do PS entre os inquiridos mais ricos e mais velhos. .Barómetro DN/Aximage: Eleitorado de Montenegro aprova escolha de Luís Neves.Ficha técnica.Objetivo do Estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage - Comunicação e Imagem Lda. para o DN relativa a barómetro político e temas da atualidade. Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal. Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII),a partir do universo conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em entrevistas efetivas: 551 entrevistas CAWI; 268 homens e 283 mulheres; 123 entre os 18 e os 34 anos,148 entre os 35 e os 49 anos, 155 entre os 50 e os 64 anos e 125 para os 65 e mais anos; Norte 194, Centro 125, Sul e Ilhas 68, Área Metropolitana de Lisboa 164. Técnica: Aplicação online - CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) - de um questionário estruturado, devidamente adaptado ao suporte utilizado, a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas. O trabalho de campo decorreu entre 2 e 3 de março de 2026.Taxa de resposta: 87,46%.Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,2%.Responsabilidade do estudo: Aximage - Comunicação e Imagem Lda.,sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.