O candidato presidencial António Filipe reafirmou esta quarta-feira, 7 de janeiro, que não desiste da corrida à Presidência da República realçando estar “muito longe politicamente” da candidatura de António José Seguro, como da de Gouveia e Melo e de Marques Mendes.A desistência das candidaturas de esquerda voltou à ordem do dia, depois do candidato Jorge Pinto ter dito que não será por ele que António José Seguro não será Presidente da República, durante o debate a 11 que de decorreu terça-feira na RTP, tendo afirmado que irá até ao fim.“Eu hei de estar a votar no dia 18 e a perguntarem-me se eu vou desistir”, ironizou António Filipe, durante uma iniciativa de campanha que decorreu esta manhã na Costa da Caparica, no concelho de Almada.Questionado sobre a posição de Jorge Pinto, o ex-deputado comunista considerou que se o adversário apelou “a alguma desistência foi a dele próprio”, salientando que isso não “o afeta minimamente”.À pergunta se foi contactado por outra candidatura respondeu: “Porque havia de ser contactado?”O candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP e pelo PEV disse ainda conhecer António José Seguro há mais de 40 anos e que são amigos, mas realçou que ambos têm “divergências políticas muito grandes”."Mas, quer dizer, eu creio que o posicionamento político de cada um é claro, é conhecido. Quer dizer, eu estou muito longe politicamente da candidatura de António José Seguro, como estou da de Gouveia Mela, de Marques Mendes e de outras", frisou.Na sua opinião, os candidatos mais "próximos politicamente" de António José Seguro, são Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo, basta ver o posicionamento que esses três candidatos têm e que disputam eleitorados muito próximos”.Questionado sobre se Seguro não está suficientemente à esquerda afirmou: “Mas o candidato António José Seguro diz alguma coisa de esquerda?” Acrescentou ainda que se está a “falar de alguém que se absteve violentamente nos tempos da ‘troika’”.“Nunca contámos com ele para combater a ‘troika’ e foi uma luta muito difícil em que os portugueses estiveram empenhados para ultrapassar esse período difícil em que os seus direitos foram tão ameaçados com cortes de subsídios, com cortes de feriados e nós nunca ouvimos uma palavra de António José Seguro sobre isso”, sublinhou.António Filipe defendeu que a sua candidatura é hoje “mais válida” do que quando avançou, que “não é uma candidatura satélite” e que a “vantagem que existe numa eleição a duas voltas é a possibilidade das pessoas votarem no candidato que querem mesmo”.“O candidato de esquerda não desiste, ele está aqui. E esta candidatura assumiu-se desde o primeiro dia como uma candidatura contra o consenso neoliberal e os candidatos que o representam”, realçou.António Filipe destacou as questões ambientais ao visitar a praia da Costa da Caparica, em Almada, para ver os efeitos da erosão costeira, realçando que o Presidente da República tem o papel de sensibilizar.“Eu acho que as questões ambientais devem estar no centro e se me perguntarem o que é que o Presidente da República pode fazer relativamente a isso eu acho que pode fazer aquilo que eu estou a fazer agora enquanto candidato, que é sensibilizar”, afirmou junto à praia da Costa da Caparica, onde recebeu um abaixo-assinado subscrito por 200 ecologistas de apoio à sua candidatura.O candidato apoiado pelo PCP e PEV acrescentou que quando um Presidente da República sensibiliza “o país e a opinião pública, isso não pode deixar de ter consequências também para sensibilizar os responsáveis pelo poder político, os responsáveis governativos, para a necessidade de serem tomadas medidas”.“Portanto, o objetivo é trazer estas questões também para o debate, fazer com que as pessoas sintam que o debate político em torno das eleições presidenciais também serve para discutir os problemas concretos, os problemas que afligem, os problemas que realmente preocupam”, frisou ainda.António Filipe quer que as pessoas “possam sentir que vão eleger um Presidente da República que as compreende, que está a par dos seus problemas e que se compromete também a lutar pela sua resolução”.O desafio de ir hoje à Costa da Caparica, no concelho de Almada, distrito de Setúbal, partiu do Partido Ecologista os Verdes (PEV) porque esta é uma localidade, segundo a dirigente Heloísa Apolónia, “bastante afetada pelos efeitos concretos das alterações climáticas” e onde há a necessidade de repor areia na praia.“Nós consideramos que o Presidente da República, e isso também tem falhado nas diversas presidências da República até agora, tem a obrigação, o dever, de alertar para estas matérias, impulsionar a ação, pedir a ação aos executivos relativamente a esta matéria”, alertou ainda a ecologista.Em representação dos subscritores do abaixo-assinado, a jovem Maria José afirmou que são pessoas “que acreditam que esta é a candidatura [António Filipe] que pode dar expressão às questões das alterações climáticas e da ecologia em Portugal”..Presidenciais: António Filipe defende ter “ambição legítima” de lutar pelo resultado.Presidenciais. Gouveia e Melo gosta de simuladores de navios mas não de sondagens