O antigo deputado regional Nuno Morna, fundador da Iniciativa Liberal (IL) e do Núcleo Regional da Madeira, anunciou a sua desvinculação daquilo que diz ser agora “uma espécie de caricatura de partido liberal, habitado por algumas figuras que confundem projeto político com escadote pessoal e imaginam a lealdade como submissão, crítica como traição e a frontalidade como inconveniência”.Em declarações ao DN, Nuno Morna esclareceu que a decisão teve a ver com a liderança regional de Gonçalo Maia Camelo, atual deputado único na Assembleia Legislativa Regional da Madeira. “Não concordo com tudo o que a IL tem feito a nível nacional, mas sentia-me mais ou menos confortável com isso. Aqui não. Há uma descarada aproximação ao PSD regional. Neste momento, quase que já estão sentados ao colo”, diz o ex-deputado e coordenador, criticando quem se “senta à mesa com pessoas que têm processos em tribunal por corrupção e que trouxeram a Madeira até um ponto em que, 50 anos depois, o que nos têm para dar é uma autonomia desgraçada e uma subsidiodependência”. E deixa claro que já no seu mandato havia entre os liberais quem defendesse maior abertura para com o Governo Regional da Madeira, presidido por Miguel Albuquerque.Muito crítico do “grupo que tomou de assalto a liderança regional”, Morna diz que o seu afastamento em relação ao partido que ajudou a fundar foi um processo gradual, patente na decisão de ter recusado ocupar o segundo lugar da lista de candidatos às eleições regionais madeirenses. “Tive variadíssimos motivos para sair, por discordar de muitas coisas que, para mim, são uma marcha-atrás em relação ao que a IL defendia. Não o quis fazer por um motivo óbvio. Houve eleições no ano passado para a Assembleia Regional, para a Assembleia da República, e depois as autárquicas. De modo algum quis ser desculpa para maus resultados”, justifica o antigo coordenador.Sobre a atuação do sucessor na Assembleia Legislativa Regional da Madeira, Nuno Morna critica Gonçalo Maia Camelo por “já lhe ter ouvido tudo e mais alguma coisa” em relação ao Subsídio Social de Mobilidade, contrapondo a proposta inicial da IL, que tinha a ver com “uma redução significativa nas taxas aeroportuárias, de maneira a tornar o aeroporto bastante competitivo e atrativo para outras companhias aéreas”. Além de defender que “tem tanto direito o madeirense a viajar para o continente a preços que garantam a continuidade territorial, tal como está na Constituição, como o inverso”, pelo que é preciso encontrar uma solução para que as viagens sejam mais baratas para todos os portugueses.Apontando o voto antecipado em mobilidade como o principal legado da sua passagem pela Assembleia Regional, embora só vá ser aplicado nas próximas eleições regionais, Morna teve vários dirigentes nacionais do partido a “manifestar pesar” pela sua decisão, sendo o ex-líder Carlos Guimarães Pinto aquele “que se expôs mais”. Em sentido contrário, diz que não ouviu qualquer palavra da atual Comissão Executiva..Deputado regional da IL diz que expulsão de Mayan "não passa de uma espécie de fogueira inquisitorial"