André Ventura, presidente do Chega.
André Ventura, presidente do Chega.Foto: JOSÉ COELHO/LUSA

André Ventura: "Problema da habitação só se resolve com confiança"

Líder do Chega defendeu no ICPT que a crise na habitação exige confiança no mercado, criticou a imigração e considerou extemporâneo o debate sobre o aborto lançado por Passos Coelho.
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"É tempo de cortarmos com a mentalidade de terceiro mundo", afirmou esta quinta-feira, 22 de outubro, André Ventura, presidente do Chega, no almoço-debate do International Club of Portugal (ICPT). O problema da habitação "só se resolve com confiança e com a justiça a funcionar", prosseguiu.

A falta de habitação, um dos problemas críticos nacionais, apenas se resolve se se der confiança ao mercado, para que este funcione, e "com a justiça a fazer o seu papel", disse ainda o líder do Chega, que quer cortar com a "mentalidade terceiro-mundista", reforçou.

Disse ter sido criada uma mentalidade que funcionou contra os Vistos Gold e estes acabaram, mas, na verdade, eles foram 13 mil, quando a carência de habitação no país, sobretudo em cidades, é da ordem dos 400 mil fogos enquanto entraram 1,6 milhões de imigrantes que pressionaram a necessidade de casas, sublinhou.

De seguida, frisou que o país não tem mentalidade de investimento, o que é agravado pelo facto de o problema do país não ser ter ricos a mais, como quer fazer entender a esquerda radical, mas "ter pobres a mais".

Ventura entrou de seguida num discurso já antes repetido, ao frisar que o país não pode continuar "a importar pobres". Isto é realismo", acrescentou.

A uma pergunta da assistência, Ventura respondeu que defende mais investimento para o mercado vocacionado para rendas acessíveis, mas longe de um modelo como o dos Países Baixos, onde a habitação pública representa 35% do mercado, contra 2% no mercado nacional. Frisou que "apenas construção de habitação pública não é solução para o país".

Ventura concordou que é necessário construir mais, eventualmente com modelos construtivos mais rápidos, mas isso não resolve o problema no curto prazo. Por outro lado, criticou os governos por não cederem terrenos ou não aproveitarem edifícios devolutos públicos para criar habitação de renda acessível.

Defendeu a propriedade privada, mostrou-se contra expropriações ou ocupações e frisou que só quem tem uma mentalidade contra o mercado é que se opõe ao modelo em que "o Estado não obriga, mas incentiva a criar um mercado dinâmico". Criticou o modelo que fala em rendas moderadas de 2300 euros, quando o ordenado médio está próximo do salário mínimo: "Não é realista".

Na sua intervenção no ICPT, o líder do Chega considerou que a Europa está a receber "toda a lixeira mundial", acrescentando que quem chega quer "asilo e acolhimento" e "provoca o caos". Em contraste, os EUA recebem os mais qualificados, que atraem para as universidades, enquanto os europeus "dizem ser os mais humanistas, mas são os mais estúpidos do mundo".

Lembrou ainda um episódio recente em Bruxelas, aquando da reunião do grupo Patriotas pela Europa, quando cerca de uma centena de pessoas — que referiu serem "magrebinos de segunda geração" — provocaram a polícia, para reafirmar que a Europa se tornou "o recetáculo do lixo de quem quer tentar ter vida de luxo" à custa de quem trabalha. Frisou que esta realidade nada tem a ver com nacionalidades, "mas com a lógica europeia de há 50 anos".

Sobre as recentes manifestações, que tiveram por base o problema da habitação e que se tornaram uma forma de a extrema-esquerda, com reduzida representação parlamentar, se manifestar, criticou a ausência de resposta do primeiro-ministro e deu o exemplo de quem tem uma comunicação bem-feita, a da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, que advertiu quem quer destruir monumentos e adiantou, apenas, que o tema da habitação está a ser trabalhado.

O debate do ICPT foi ainda aproveitado por André Ventura para uma "alfinetada" a Pedro Passos Coelho, ao considerar extemporâneo voltar a entrar no tema do aborto.

Disse que este é um momento de crise, em que as pessoas vivem mal e o que é relevante é pensar na estratégia para o futuro, caso contrário a esquerda apropria-se dos temas relevantes do momento. Adiantou que quem está "a sofrer na pele o aumento do custo de vida, está-se nas tintas para o aborto".

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