André Ventura revelou ter falado com Santiago Abascal, líder do Vox e da família europeia dos Patriots.
André Ventura revelou ter falado com Santiago Abascal, líder do Vox e da família europeia dos Patriots.Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

André Ventura apela ao Governo para repor fronteiras com Espanha devido a "invasão migratória" de Ceuta

Líder do Chega responsabiliza primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pela entrada de dezenas de milhar de pessoas no enclave situado no Norte de África. E diz que demonstra falhas dos socialistas.
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O líder do Chega, André Ventura, apelou ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, para que reponha o controlo de fronteiras com Espanha ainda nesta sexta-feira (31de julho). A suspensão da livre circulação no Espaço Schengen, proposta pelo maior grupo parlamentar da oposição, foi reiterada por Ventura numa conferência de imprensa marcada por críticas ao executivo espanhol de Pedro Sánchez, responsabilizando-o pela entrada de dezenas de milhar de marroquinos no enclave de Ceuta, à qual se referiu como "uma invasão migratória".

Para o Chega, tornou-se necessária a reposição do controlo fronteiriço entre Portugal e Espanha e a suspensão de Espanha dos acordos de livre circulação na União Europeia, "para garantir que a negligência de um governo não põe em causa a segurança de todos os outros".

Ventura apontou Portugal e França, enquanto países com fronteiras terrestres com Espanha, como "os mais ameaçados" pela possibilidade que milhares de pessoas que chegaram ilegalmente a Ceuta consigam entrar na Península Ibérica.

E o líder do Chega responsabilizou Pedro Sánchez, dizendo que "o socialismo espanhol foi criminoso quando disse que iria regularizar toda a gente", numa referência à regularização extraordinária que abrangeu mais de um milhão de imigrantes em situação irregular, tendo havido respostas positivas para mais de 600 mil requerentes. “Queremos que o mundo veja Espanha como um país que respeita, protege e garante os direitos humanos”, disse Sánchez, acerca de um processo que implica a entrega de autorização de residência e trabalho pelo período de um ano.

Muito diferente é a visão do líder do Chega, para quem a "invasão migratória" de Ceuta prova que os executivos socialistas e sociais-democratas "não estão a gerir bem a identidade da Europa e estão a pôr a nossa segurança em risco". A propósito, Ventura revelou ter falado com o seu aliado político Santiago Abascal, líder do partido Vox e da família política dos Patriotas, na qual o seu partido está integrado no Parlamento Europeu, "para partilhar preocupações e garantir que nada nos move contra Espanha e o povo espanhol".

Esquerda acusa Chega de ignorância e aproveitamento

Quanto às críticas dos partidos de esquerda à iniciativa do seu partido, que o acusaram de ignorância por supostamente desconhecer que Ceuta (tal como o outro enclave espanhol de Melilla) não faz parte do Espaço Schengen, Ventura disse que "como toda a gente sabe, ou devia saber, pela decisão recente do Tribunal Constitucional de Espanha, quem chegar por via marítima não pode ser deportado". E defendeu que isso levou a que milhares de pessoas chegassem a nado, com algumas dezenas a perderem a vida, esperando de seguida passar para território europeu.

Nas primeiras reações à iniciativa do Chega, o socialista Pedro Delgado Alves acusou Ventura de "cavalgar, de forma populista e desinformada", uma crise humanitária, enquanto o deputado do Livre, Paulo Muacho, falou de "mais uma tentativa de aproveitamento", admitindo que o governo espanhol "está a lidar com a situação o melhor que consegue".

Também a deputada única do PAN, Inês de Sousa Real, acusou o Chega de "falhar nas aulas de Geografia e na empatia", enquanto a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, considerou "uma enorme irresponsabilidade fechar as fronteiras com Espanha" e reduziu a iniciativa de Ventura a "um aproveitamento de quem defende agendas reacionárias e xenófobas".

Mais incisivo foi o deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, para quem o apelo à reposição de fronteiras e suspensão de Espanha dos acordos de livre circulação "é profundamente irresponsável e revela profunda ignorância", na medida em que, "ao contrário da Avenida de Ceuta", a cidade espanhola homónima não integra o Espaço Schengen.

Para Fabian Figueiredo, "ir atrás dos soundbites da extrema-direita italiana", tendo sido a primeira-ministra Giorgia Meloni a primeira a avançar com a reposição do controlo de fronteiras, leva o Chega a defender uma proposta que prejudicaria centenas de milhar de famílias de emigrantes portugueses e lusodescendentes, dificultando a sua deslocação a Portugal nas férias de verão.

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