Apesar de o PSD ter desde outubro de 2025 mais de 1400 freguesias, 200 acima do PS, eram os socialistas que tinham a liderança da Associação Nacional de Freguesias encaminhada, isto porque acumulam mais de uma centena de delegados de superioridade para o PSD. No entanto, o PS descartou a possibilidade de avançar com uma lista à presidência, que seria encabeçada por Ricardo Marques. Assim, Francisco Brito irá suceder a Jorge Veloso, eleito em Março de 2022 enquanto presidente da União de Freguesias de São Martinho e Ribeira de Frades, em Coimbra. Brito é arquitecto e conquistou a Junta do Centro Histórico de Évora há quatro anos à CDU. O PSD ficará com a Anafre, juntando-a à Associação Nacional de Municípios, mas a lista terá paridade, com nove membros de PS e PSD na direção, dois vice-presidentes socialistas, um presidente e três vices nos sociais-democratas. Acrescentam-se a estes dois comunistas e um independente.A ameaça de poder vir a liderar o organismo fez o PSD “sentar-se à mesa das negociações”, principia Ricardo Marques ao DN. Nesse sentido, os socialistas consagraram o objetivo de alcançar “um acordo escrito, nunca antes visto”, antes do congresso do fim de semana, em Portimão, garantindo que a Anafre, que tem reivindicado constantemente melhores orçamentos, estivesse de “costas voltadas para o Governo.” Abdicando o PS de concorrer, contando com votos de independentes e do PCP para ser eleito anteriormente, a lista única vai, sim, avançar com o aval do PSD com um importante aumento financeiro para as freguesias. .Será congratulado um incremento “progressivo, faseado e vinculativo da participação das freguesias nos impostos do Estado (IRS, IRC e IVA), de 2,5% para 5%”. Na prática, sobe o financiamento em 1%, para 3,5% em 2027, aumentando 0,5% até 2030, o que resultará nos 5%, logo o dobro do financiamento anual efetuado. Vai, portanto, ao encontro do que PS e PCP têm, abertamente, defendido - uma maior descentralização de competências e reforço financeiro. Há um impacto direto ainda “na atualização das transferências para as freguesias de Lisboa com a equiparação anual à subida do salário mínimo nacional para 2027”, proposta que fora rejeitada no Orçamento de 2026. Prevê-se um acréscimo de pelo menos cinco milhões de euros nas contas do Estado.Fica ainda consagrado o aumento das subvenções dos eleitos para as assembleias de freguesia, “valor que desde 2016 não era revisto”, afiança Ricardo Marques, líder na junta de Benfica e dono da vitória mais expressiva para os socialistas na capital nas últimas Autárquicas.A Anafre “propõe a revisão do regime, permitindo às freguesias o acesso a empréstimos de médio e longo prazo”, estabelecendo “condições semelhantes às existentes para os municípios” com a garantia de que “o recurso ao crédito se destina exclusivamente a investimento público local.”Além disso, fica consagrado o “acesso efetivo aos fundos comunitários, nomeadamente no âmbito do PT2030”, prevendo que o mesmo possa ser feito por “consórcios ou associações de freguesia” e com “igualdade de oportunidades no acesso ao crédito, à semelhança do que se verifica com os municípios.” Na prática, concretiza-se a ideia de que as freguesias podem unir-se para se aproximarem de projetos comuns, mais regionais, uma descentralização do próprio aparelho do Estado.“Era uma das reivindicações do PCP, de sair do próximo congresso com um aumento do financiamento para as freguesias, o que garante mais do que a autonomia administrativa. Há alguma distribuição nacional e uma visão ampla mais aproximado à realidade para resolver os problemas locais”, vinca ao DN Eugénio Pisco, do grupo de trabalho do PCP para as autarquias locais, que garante que o partido não tinha um acordo preparado para que o PS pudesse ter a presidência. “Nunca abrimos essa possibilidade, sempre defendemos que tudo apontava para o que tem sido a prática na Anafre. Não apenas PS e PSD, mas também a CDU procuraram um entendimento. O que é prática é haver uma lista de consenso”, garante..OE2026: Anafre considera que este é o pior orçamento dos últimos cinco anos.PS cede e social-democrata Francisco Brito vai liderar Anafre