A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, assistiu na terça-feira à tomada de posse do seu terceiro secretário de Estado da Gestão de Saúde desde que assumiu a pasta, há menos de dois anos, mas a substituição de Rocha Gonçalves por Francisco Pinheiro Catalão, que era administrador da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, dificilmente poderá aliviar a pressão sobre a social-democrata que foi bastonária da Ordem dos Farmacêuticos e presidiu ao conselho de administração do Hospital de Santa Maria. Encarada como o “elo mais fraco” do Governo desde que Maria Lúcia Amaral deixou de ser ministra da Administração Interna, Ana Paula Martins é desde há muito tempo alvo recorrente da oposição, com André Ventura e José Luís Carneiro a pedirem a sua demissão. Embora a própria tenha dito, no início do ano, que não pediu nem pedirá para sair, permanecendo enquanto for vontade de Luís Montenegro, não poderá contar com muito apoio externo.Para a coordenadora do Chega na Comissão Parlamentar de Saúde, Marta Silva, os últimos desenvolvimentos no Ministério da Saúde “reforçam a ideia de que a ministra está muito fragilizada politicamente e com condições reduzidas para se manter em funções”.Referindo-se à notícia do Correio da Manhã que atribui a exoneração de Rocha Gonçalves ao alegado favorecimento do Hospital de Santo António, no Porto, autorizado a abrir uma Unidade de Cirurgia Cardíaca dirigida por um amigo do até agora secretário de Estado, a deputada do Chega defende que tal episódio “agrava a perceção de falta de autoridade política” da ministra. “O primeiro-ministro está a ser teimoso e passa a ter responsabilidades políticas diretas na sua manutenção”, diz Marta Silva, para quem a ministra “tem falhado no essencial”, indicando exemplos como a falta de médicos de família e a reorganização de urgências, que prevê “fazer disparar os tempos de socorro pré-hospitalar”. Ao ponto de dizer que “Marta Temido foi-se embora por muito menos”.Também a coordenadora do PS na Comissão Parlamentar de Saúde, Susana Correia, comenta que “não é a resiliência da ministra nem a inércia do primeiro-ministro que resolvem os problemas do Serviço Nacional de Saúde”. Identificando retrocessos em todas as políticas na área da prevenção de saúde”, contrapõe as “grandes expectativas” da AD às “desculpas e argumentos” que estão a ser dadas aos utentes.Entre os antecessores de Ana Paula Martins na “pasta muito difícil” do Ministério da Saúde há quem comente ao DN que a sua manutenção é um “sinal de teimosia do primeiro-ministro”, que nas últimas legislativas a elevou a cabeça de lista por Vila Real. Apesar de ter alguns anticorpos dentro do PSD, pela ligação a Rui Rio, de quem foi vice-presidente.Para a ministra “esgotadíssima e sem soluções”, que “não tem tido arte, engenho e sorte de acertar”, ficam ainda críticas ao “experimentalismo nas reformas, que não deram bom resultado”..Mais de 14 milhões de consultas, mais de 700 mil cirurgias, mas também mais listas de espera e utentes sem médico de família no SNS.Luís Montenegro segura Ana Paula Martins num debate quinzenal em que a oposição diagnosticou o colapso do SNS