Minutos antes de a sessão solene comemorativa do 25 de Abril ficar marcada pelo momento em que o deputado socialista Pedro Delgado Alves se levantou e virou as costas ao presidente da Assembleia daRepública, José Pedro Aguiar-Branco, protestando contra o seu discurso, também a celebração do 52.º aniversário da Revolução dos Cravos promovida pela Câmara de Sintra, que este ano decorreu em Massamá, teve polémica, com a vereadora socialista Ana Mendes Godinho a ser acusada de desrespeitar Marco Almeida, que foi eleito presidente da autarquia em 2025, à frente de uma coligação entre PSD, Iniciativa Liberal e PAN, que entretanto integrou dois dos eleitos do Chega no executivo municipal.Enquanto Marco Almeida discursava, na manhã de sábado, vídeos partilhados nas redes sociais mostraram Ana Mendes Godinho, que liderou uma coligação entre o PS e o Livre nas eleições autárquicas, virada de costas para o palanque onde estava o presidente da Câmara de Sintra, e a utilizar o telemóvel durante o discurso deste. Fonte da autarquia disse ao DN que “é bom que esta prática entre os socialistas não se torne regra”, sobretudo quando está em causa uma vereadora “com responsabilidades nacionais no PS” - numa alusão à entrada da ex-ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Nacional no Secretariado Nacional do partido -, acrescentando que “possivelmente o sucesso e a adesão às comemorações do 25 de Abril em Sintra, que aconteceram pela primeira vez numa freguesia socialista, incomodaram algumas pessoas”.Contactada pelo DN, Ana Mendes Godinho recusou que tenha pretendido fazer um protesto semelhante ao de Delgado Alves, seu antigo colega de bancada na Assembleia da República. “Estive na posição em que era suposto estar, virada para as forças de segurança e para a população”, disse, garantindo ter seguido o protocolo que diz ter sido “furado” pelos vereadores da maioria, que se viraram para o palanque durante a intervenção do presidente da Câmara de Sintra. Reduzindo o episódio a “um fait-divers estúpido e sem razão nenhuma, vindo de alguém que quer entrar nas notícias nacionais, o que não conseguiu com o seu discurso”, Ana Mendes Godinho disse ao DN que “estranho era se eu virasse as costas à população”, salientando que na comemoração do 25 de Abril do ano passado, ainda com Basílio Horta à frente da autarquia então liderada pelo PS, que teve lugar na sede da Câmara de Sintra, os vereadores ficaram de frente para a população.. “Indiferente” às críticas por ter estado a consultar o telemóvel enquantoo presidente da Câmara de Sintra discursava, Ana Mendes Godinho disse para “não inventarem uma coisa tão tonta” em vez de “resolverem os problemas da população”.No seu discurso, dirigido sobretudo aos mais jovens, Marco Almeida, que teve consigo o presidente da Assembleia Municipal de Sintra, Fernando Seara, destacou o facto de ser a primeira vez que as comemorações oficiais do 25 de Abril saíram dos Paços do Concelho, defendendo que “celebrar em Massamá é afirmar que Abril não tem fronteiras e é uma chama que pertence a todos, sem exceção”..Pedro Delgado Alves reforça críticas .O deputado socialista Pedro Delgado Alves voltou a defender o seu protesto contra o discurso do presidente da Assembleia da República nas comemorações parlamentares do 25 de Abril, em que José Pedro Aguiar-Branco criticou excessos nas exigências de transparência.“Não reagir a um momento em que se ameaça recuar na qualidade da Democracia (precisamente no dia em que a celebramos) seria falhar na representação das pessoas que se batem há anos pela transparência da vida pública”, escreveu, no artigo “Voltar as costas à opacidade”, na edição desta segunda-feira do Público. Segundo Delgado Alves, se 2025 “foi pouco auspicioso”, e houve eleições “com o caso Spinumviva como mote”, 2026 “não trouxe notícias melhores”, pois o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, sustentou que “tudo está mal e precisa de ser revisitado” na área da transparência..Aguiar-Branco não vai reagir a virar de costas do deputado Delgado Alves no 25 de Abril