A segunda volta das presidenciais de 2026 vem dar razão à célebre citação de Karl Marx, que a História se repete como farsa?Alfredo Barroso (AB) - Eu não iria tão longe. Não quero de maneira nenhuma magoar a democracia, mas não é comparável. Estas eleições são muito diferentes. Em primeiro lugar, os personagens não são comparáveis. Quando pensamos que na primeira volta de 1986 se apresentaram à votação Maria de Lourdes Pintasilgo, Francisco Salgado Zenha, Diogo Freitas do Amaral e Mário Soares, podemos ver que o estatuto político não é comparável com os atuais protagonistas, incluindo os da primeira volta. E havia total dúvida sobre quem seria o vencedor na segunda volta em 1986, e aqui, em princípio, não há dúvida nenhuma. Inclusive, o André Ventura já deixou de fazer campanha presidencial para fazer campanha para uma futura eleição legislativa. E há muitas diferenças na forma como decorreram as campanhas. A de 1986 foi, quer de um lado, quer do outro, completamente entregue a políticos. Não a especialistas em marketing que ditam o que o candidato deve fazer. Quem dava sugestões aos candidatos - e suponho que isso era repetível com Freitas do Amaral - eram um conjunto de pessoas, nomeadamente membros da comissão política e a direção da campanha, que estava dividida entre mim e o comandante Gomes Mota, que infelizmente já morreu. Eu com a parte política, ele com a parte logística e financeira. Tínhamos pessoas a trabalhar diariamente connosco, como Vasco Pulido Valente, António Barreto, António-Pedro Vasconcelos, Mário Barroso, e outras pessoas estimáveis que muito nos ajudaram a construir a campanha.Ribeiro e Castro, concorda que está a ser uma segunda volta poucochinha, comparada com a de 1986?José Ribeiro e Castro (JRC) - A segunda e a primeira. O quadro político em geral está bastante longe do tipo de debate político que tínhamos na década de 80. Não quero ser desprimoroso para os candidatos, nem para os que estão na segunda volta, nem para os da primeira. Chamo a atenção para aspetos objetivos. No que tenho escrito, tenho chamado a atenção para isto, ainda que ninguém ligue: se olharmos para os quatro candidatos das presidenciais de 1986, eram todos independentes, e apresentaram-se todos com independência. Não houve nenhum candidato de partido. O PCP sempre teve a tradição de apresentar um candidato, que era uma forma de defender o seu eleitorado, mas esta moda de haver candidatos partidários foi crescendo ao longo das últimas décadas, e isso empobrece imenso a eleição presidencial. A Constituição exige que seja uma eleição direta, e às vezes as pessoas embirram com isso, pois o Presidente da República não é chefe do Executivo. Dizem que não tem muitos poderes, mas é eleito diretamente pelo povo, e isso é um regresso ao sistema eleitoral português antes da eleição de Humberto Delgado. O regime apanhou um susto [em 1958] e acabou com as eleições diretas. E no Pacto MFA-Partidos, imposto a seguir ao 11 de Março, o MFA impôs o regresso à continuação do colégio eleitoral. Se não tivesse sido o 25 de Novembro, não teríamos eleições presidenciais. Foram possíveis por causa do 25 de Novembro e da revisão do Pacto MFA-Partidos, que permitiu a aprovação do texto final da Constituição. A Presidência da República é um elemento essencial da nossa democracia. E o seu titular tem uma grande força para exercer o seu poder moderador, a sua magistratura de influência. Na monarquia constitucional, o poder moderador era inerente à figura majestática do rei. O presidente republicano não tem a majestade do rei, mas tem o voto popular. É o que lhe dá autoridade. Por isso é que a Constituição exige que os candidatos presidenciais têm de recolher assinaturas, como os partidos. Se a Constituição quisesse que os candidatos fossem impostos pelos partidos, não era preciso mais assinaturas. Nestas eleições presidenciais, com exceção do António José Seguro, que se apresentou com independência, do almirante Gouveia e Melo e de Cotrim de Figueiredo - que sendo liberal, não foi uma candidatura da Iniciativa Liberal, cuja candidata teria sido a Mariana Leitão -, houve o candidato do PSD, o do Chega, o do PCP, a do Bloco de Esquerda, e o do Livre. Passou a ser uma passarela de candidatos partidários, e isso enfraquece a eleição presidencial. No artigo “A eleição da porta ao lado”, escrevi que os dois não estão na mesma pista e não correm para a mesma coisa. Há um candidato que quer ser Presidente e André Ventura fez o mesmo que em 2021. Usa a votação como trampolim para outros voos. É uma apropriação indevida de uma eleição.E acaba por tornar muito previsível o resultado final, como ambos já deixaram claro.JRC - A eleição perde qualidade. A segunda volta de 1986 poderia ter tido réplicas mais verdadeiras numas eventuais segundas voltas de 1996, entre Jorge Sampaio e Cavaco Silva, ou de 2006, entre Cavaco Silva e Manuel Alegre?AB - Manuel Alegre ainda sonhou que o conjunto de votos na primeira volta lhe permitisse ir à segunda volta com o professor Cavaco. Mas não era expectável. Estive mais ou menos envolvido desagradavelmente nessa campanha, e percebi desde logo que iria terminar como terminou. Aliás, avisei várias vezes o candidato que me pediu que o ajudasse: “Olha que vem aí uma candidatura forte, que anda a ser preparada há anos.” Sabia disso porque me dava muito bem com uma pessoa muito próxima do professor Cavaco, que me ia dando conta de como ele estava a estruturar a sua futura campanha. Avisei, mas o meu candidato estava convencido que, apresentando-se, o professor Cavaco não se iria bater com ele. Disse-lhe que estava enganado. E estava. Com isso sofri muito. Fui mesmo responsabilizado pela derrota de Mário Soares. Injustamente e estupidamente porque quem perdeu foi ele e é evidente que não deveria ter-se apresentado esta derradeira vez numa campanha para a Presidência da República.Ribeiro e Castro, acredita que 1996 e 2006 poderiam ter sido segundas voltas mais animadas e substanciais?JRC - Não me recordo que tivesse havido grande interrogação sobre se haveria segunda volta. Em 1996, a derrota de Cavaco foi relativamente compreensível porque ele estava no fim do seu Governo. Aquilo acabou mal para o PSD, teve uma zanga com o Fernando Nogueira e apresentou-se com a base fragilizada por causa disso. E, provavelmente, marcou que voltaria, em tempo oportuno. É o que acontece na eleição de 2006, na qual contribuí, como presidente do CDS, para a vitória à primeira volta. Mesmo que fossem poucos os votos do CDS, foram suficientes para lhe dar a vitória à primeira volta. Sofri alguns ataques de Paulo Portas e de outros dirigentes, mas foi a opção estratégica correta e não me arrependo de a ter feito. Cavaco Silva, gostem as pessoas muito dele ou não, será por muitas décadas o único político português que teve quatro maiorias absolutas na sua carreira. Quanto a Mário Soares, tive pena de o ver em candidaturas inglórias. Compreendo que era um lutador e depois fomos colegas no Parlamento Europeu, mas o que as pessoas lembram é a eleição em 1986 e a reeleição em 1991. E os mandatos, também com alguns problemas, mas com a figura de um Presidente da República que marcou um determinado período da História portuguesa. Foi o que marcou a expressão “Presidente de todos os portugueses”. Sobretudo no primeiro mandato, isso foi mais indiscutível. A outra candidatura foi má para ele e para amigos dele do PS. AB - Sobretudo os que o empurraram e convenceram de que podia ganhar.JRC - Já tinha tido um conflito com o Zenha, que o magoou bastante, e depois com Manuel Alegre. Isso não foi bom.Acaba por ser trágico que Mário Soares, tanto na campanha vencedora como na perdedora, tenha tido que enfrentar amigos.AB - Exatamente. Cortei da minha memória a última fase, pois foi desagradável para a profunda relação de amizade que havia entre mim e ele. Nem era uma relação familiar - era uma relação política e, ao mesmo tempo, de amizade pessoal e de cumplicidade. Houve pessoas que se convenceram de que Mário Soares podia voltar a ser Presidente e convenceram-no. E era muito difícil impedi-lo de fazer o que fez. Eu não o impedi, até tentei ajudá-lo o mais que pude, mas é um tempo de que guardo muito pouca memória e que não gostaria de reviver. Já me deu pesadelos, inclusive.. Na campanha eleitoral de 1986, Freitas do Amaral teve consigo Agustina Bessa-Luís, Mário Soares contou com Sophia de Melllo Breyner Andresen, e ainda havia Natália Correia com Maria de Lourdes Pintasilgo...AB - E ainda Alexandre O’Neill.Olhando para os vultos da cultura na campanha de 1986, que retrato fazem da campanha atual?JRC - É uma travessia do deserto. A candidatura de Freitas do Amaral reuniu muitos cantores e músicos, gente da cultura de outras áreas, e também muitos atletas portugueses. Só não se conseguiu que a Amália [Rodrigues] cantasse o hino Prá Frente Portugal.AB - Estávamos expectantes para ver se a Amália ia ou não aparecer em público com o Freitas. Nós tínhamos uma grande cantadeira de fado, a Hermínia Silva, que era uma mulher simpática, e tinha imensa popularidade também.Mas não era a Amália.AB - Não, mas em atletas tínhamos o Carlos Lopes.JRC - Recordo-me que, no primeiro comício, no Pavilhão dos Desportos, ainda na pré-campanha, a grande estrela foi o Marco Paulo. Foi a campanha toda a cantar o Coração Maravilhoso e o Tenho Dois Amores.Isso já podia ser visto como uma concessão ao populismo...JRC - O Marco Paulo era o nosso Tom Jones.AB - No nosso caso foi o Rui Veloso. Estava na sede da campanha, no Saldanha, onde passei várias noites, e ele apareceu por volta das 23h00. Lembro-me de a minha secretária dizer “está aqui o Rui Veloso e quer falar consigo”. Vinha com uma cassete, e pediu-me para ouvir. Achei que a música era uma maravilha e agradeci-lhe imenso. Depois a questão era saber como preencher aquilo com uma letra. Falei ao António-Pedro Vasconcelos, que infelizmente já morreu, e disse-lhe “Tens que fazer uma letra para a música do Rui Veloso.” Ficou o Rock da Liberdade. A música teve importância, tal como as personalidades da cultura, do desporto, da ciência, que estiveram de um lado e do outro. Foi uma campanha de uma riqueza política, intelectual e cultural muito grande, que nunca mais se reproduziu. Aproximou-se, na campanha do Sampaio, mas foi só mesmo uma aproximação. JRC - Acrescento algo que caracterizou a candidatura de Freitas do Amaral. Ele escreveu o livro Uma Solução para Portugal, que refletia sobre vários problemas do país, incluindo o sistema eleitoral, em que defendeu o sistema francês. Esse livro foi editado pelo grande editor da Europa-América, Francisco Lyon de Castro, e teve 15 ou 16 edições, o que para o nosso mercado foi uma coisa única. AB - E fez a felicidade do Lyon de Castro, que eu conheci muito bem (risos).JRC - Vendeu muito. Isso mostra que era uma campanha em que havia pensamento: Freitas do Amaral, com o livro e outras ideias, Mário Soares, com a sua carreira, Salgado Zenha e Maria de Lourdes Pintasilgo, eram pessoas com pensamento. As pessoas sabiam o que pensavam e como viam o país.Certo é que a campanha de Freitas do Amaral também é vista como a primeira campanha eleitoral à americana. Será possível que, no território mediático que temos hoje, de TikTok e de Instagram, também fosse o candidato que melhor poderia aproveitar esses meios? JRC - Sem dúvida que nos adequaríamos a manobrar esses instrumentos. Mas de acordo com a ética da campanha. Não usaríamos o TikTok para semear fake news, mas para afirmar rapidamente ideias de força da campanha e propostas. Hoje a linguagem digital é fundamental. Uma coisa que ressaltou na campanha de Luís Marques Mendes foi um grande fracasso do ponto de vista de mensagem digital. Isso, hoje em dia, faz uma grande falta. Assim como a campanha de 1986 se adequou aos instrumentos de comunicação da altura. Tínhamos uma série de músicas do folclore tradicional português com letras adaptadas, além do Prá Frente Portugal, que era o tema principal. Os tempos de antena, de rádio e de televisão foram formatados para aquilo que eram os instrumentos de comunicação. E foi a última vez que tiveram importância. Não tenho dúvida que o TikTok, o Instagram, os podcasts curtos, estariam hoje na nossa candidatura.O Alfredo imagina António-Pedro Vasconcelos a puxar por Mário Soares num TikTok?AB - No TikTok custa-me imaginar, até porque tem sido um instrumento mais de desinformação do que de esclarecimento. Talvez seja bota de elástico nessa matéria, mas hoje o marketing domina a política de uma maneira avassaladora. Coisa que não sucedeu, por exemplo, na campanha do Freitas. Pode ter sido à americana, mas não era condicionada pelo marketing. Era condicionada pelo pensamento dele, pelas pessoas que conseguiu atrair, e o mesmo sucedeu com a campanha de Mário Soares. Apostámos muito nos tempos de antena, tal como a campanha do Freitas, e tivemos a sorte de o cineasta Mário Barroso, meu primo, se ter lembrado de que, em vez de alugarmos um estúdio que estava sujeito a horários e muito condicionado no tempo, podíamos alugar um estúdio volante a uns amigos franceses dele, que se tornaram soaristas, tal o entusiasmo com que acabaram por fazer aquilo. Esse estúdio móvel permitiu-nos alterar tempos de antena, antes de termos de os entregar, porque nos lembrávamos disto ou daquilo. Quando houve o ataque de foi alvo o Mário Soares na Marinha Grande, telefonou-me o Nuno Teixeira, que era um grande realizador de televisão, nomeadamente do Herman José, a dizer: “Passou-se isto, o nosso candidato foi atacado e insultado por militantes do PCP, mas não consegui as imagens. Autoriza-me que tente pedir à RTP que nos empreste?” E eu disse: “Mas porquê é que me está a pedir isso?” “Porque é ilegal”, respondeu, ao que eu disse: “Então faz-me o favor de cometer a ilegalidade.” Ele conseguiu e alterámos um tempo de antena que começava justamente com as imagens, e com uma música sinistra do filme do Stanley Kubrick, Laranja Mecânica, que era um excerto de uma obra-prima do Henry Purcell, um compositor do século XVII. Já agora, gostava de fazer uma observação sobre duas coisas que passaram em claro em 1986. A primeira delas foi o Governo do Bloco Central, numa aliança entre o PS e o PSD, de que era chefe o primeiro-ministro Mário Soares. Acho que foi um governo com êxito, apesar dos sacrifícios impostos à população. Aqueles 5%, 7% ou 8% que ele tinha nas sondagens, no início, derivavam justamente da campanha que se fez contra ele por causa do Governo. E ele tinha sido um ótimo primeiro-ministro, na minha opinião. Sou suspeito, porque fazia parte do Governo, mas acho que atingiu os seus objetivos, também graças ao PSD, que nunca se regojizou com esse facto, embora Cavaco Silva tenha beneficiado, e graças a um ministro das Finanças excelente, Ernâni Lopes. A segunda observação é que ficou estabelecido que Mário Soares na primeira volta ganhou aos comunistas. Não contesto que os comunistas, como apoiavam o candidato de Ramalho Eanes [Salgado Zenha], evidentemente foram derrotados. Mas, mais importante, a meu ver, foi a derrota do eanismo. Foi definitivamente derrotado nessa primeira volta. E ainda mais depois, com a vitória de Mário Soares, à tangente, na segunda volta. . Seria mais fácil para Freitas do Amaral vencer Salgado Zenha numa segunda volta?JRC - Preferia ter o Salgado Zenha na segunda volta. Seria mais fácil de combater, porque havia parte do eleitorado de Mário Soares que não iria votar nele, e bastava isso. Toda a gente notou, e nós protestámos por isso, que Mário Soares radicalizou bastante o discurso da primeira para a segunda volta. E atacou violentamente Freitas de Amaral. Mas isso era para mostrar o seu antifascismo, para que os votos do PCP e do resto da esquerda confluíssem como ele pretendia. Aliás, na sexta-feira, antes da segunda volta, houve um diplomata americano que perguntou qual era a minha previsão. Respondi-lhe que ”ou ganhamos largamente ou perdemos por uma unha negra”. Ele disse que não percebia. Expliquei que o nosso problema é se o Mário Soares conseguia atrair o resto do eleitorado, nomeadamente o do PCP. Se ele não conseguisse, ganhávamos largamente. Se conseguisse, perderíamos por uma unha negra. E aconteceu.AB - O antifascismo de Mário Soares era inegável. Foi 12 vezes preso, foi deportado pelo Salazar e foi exilado pelo Marcello Caetano.JRC - Deixe-me acrescentar um ponto. Na hipótese de Salgado Zenha passar à segunda volta, não seria apenas a totalidade do eleitorado de Mário Soares que não se transmitiria para ele, mas também o de Maria de Lourdes Pintasilgo. Tinha sido colega de Freitas do Amaral na Câmara Corporativa e eram ambos católicos. E a candidatura de Maria de Lourdes Pintasilgo estava bastante ressentida com Salgado Zenha e com Ramalho Eanes. Seria muito duvidoso que a totalidade do eleitorado de Maria de Lourdes Pintasilgo convergisse para aquela candidatura, que a tinha ofendido e magoado.. Que conselhos dariam a António José Seguro e a André Ventura para estes últimos dias de campanha para a segunda volta?AB - Um conselho que eu lhe daria é que não repetisse a ideia de que quanto mais votos, maior a legitimidade de um Presidente. Isto não é verdade. A legitimidade é dada pela vitória, nem que seja só por um voto. E tem que ser confirmada pela forma como se exerce e se desempenha a função. António José Seguro tem insistido bastante nesse tema.AB - É um erro, porque acho que a abstenção vai ser maior do que muita gente pensa. Oxalá não seja, mas provavelmente será. Até porque esta tragédia que se bateu sobre o país também deve ter desligado um pouco as pessoas de uma campanha que é quase inexistente. Esse era o conselho que daria: não diga que a legitimidade de um Presidente está associada à quantidade de votos com que ganha. Isso não é exato, não é verdade e não é feliz para ele. E a André Ventura, daria algum conselho? AB - Daria o conselho de se calar, porque não gosto nada dele.JRC - Quanto a António José Seguro, manteria a linha de apelar a uma grande afluência às urnas, mas retiraria esta parte da legitimidade, dizendo que é preciso dar mais força a quem quer ser um Presidente de todos os portugueses, e um presidente de proximidade. E a continuação do Presidente dos afetos, que precisa desse apoio significativo na opinião pública. E que será um Presidente isento, um árbitro, leal e correto, mas atento às necessidades e às inspirações do povo português, fazendo ouvir a sua voz sempre que necessário. Quanto à André Ventura, nos dias que faltam, diria para reconhecer que tem falado de temas que não são da agenda presidencial, e que são de outras agendas, e que agora fazia a surpresa de dizer o que faria se fosse Presidente da República. Qual seria a sua atitude, que se comprometesse a ser o Presidente de todos os portugueses, e como é que o faria, para ser de facto o Presidente de todos os portugueses?AB - Ele já disse que não quer ser de todos os portugueses. Queria ser Presidente, mas não de todos os portugueses. JRC - Mas convém ser de todos os portugueses. O Presidente da República tem obrigações constitucionais, e de estatuto, de coesão nacional. É uma espécie de um rei civil, um rei republicano. É uma figura de grande magistério, titular de poder moderador. E, portanto, creio que era muito importante que André Ventura esclarecesse o povo português, os cidadãos que vão votar, que ideias têm para o relacionamento com os portugueses, para o relacionamento com os vários partidos, com a Assembleia da República e com o Governo. .Presidenciais 2026. Seguro vem reforçar peso da esquerda, Ventura seria caso inédito.Presidenciais. Ministros guardam sentido de voto e blindam Luís Montenegro