Vacinação. Câmara de Cascais contacta Rússia, China e Israel

Aproveitando a rede estabelecida a partir das cidades geminadas, a câmara municipal de Cascais admite vir a comprar vacinas à Rússia, China e Israel. Carlos Carreiras admite a possibilidade ao DN mas assegura que nunca avançará sem antes falar com o Governo.

A Câmara Municipal de Cascais já desenvolveu contactos na Rússia, China e Israel no sentido de comprar vacinas anti-covid 19.

A novidade foi confirmada ao DN pelo próprio presidente da autarquia. Carlos Carreiras (PSD) afirmou que estes contactos foram feitos aproveitando a rede de relações internacionais estabelecida pela autarquia a partir, por exemplo, da geminação de cidades.

Carreiras reconhece, no entanto, que há vários obstáculos a que o processo avance. Para já, era preciso que as vacinas em causa fossem reconhecidas pela Agência Europeia do Medicamento. E por outro lado, Portugal está "agarrado" a compromissos na UE que fazem com que se possam adquirir as vacinas compradas pela Comissão Europeia. Além do mais, todo o programa de vacinação está centralizado nas estruturas do SNS, designadamente nas aquisições.

O Governo já admitiu que a vacinação poderá vir a ser ministrada fora do SNS - nas farmácias, por exemplo - mas para já esta opção é impossível (e o coordenador da task force, vice-almirante Gouveia e Melo, até a tem sugerido insistentemente para aumentar o poder de fogo do plano e conseguir atingir em setembro o objetivo de ter 70% da população imunizada).

Carlos Carreiras reconhece assim, falando com o DN, que eventuais atuações autónomas da autarquia nesta operação "nunca se poderiam desenvolver sem conversações com o Governo". O autarca nega, por outro lado, "visões paroquiais" que visem apenas e exclusivamente a proteção da população de Cascais.

A ideia - especificou - é que Cascais se torne numa espécie de pivot para uma operação de larga escala que inclua o fornecimento de vacinas a países da CPLP.

Açores também ponderam

Dada a lentidão do avanço do processo de vacinação em Portugal - algo que o Governo atribui a atrasos no fornecimento -, a pretensão de Cascais não é propriamente inédita.

Nos Açores, o secretário regional da Saúde, Clélio Meneses, entrevistado pela SIC, queixava-se há dias que "as vacinas não têm chegado" ao arquipélago "nem nos tempos nem nas quantidades previstas, o que torna a situação mais constrangedora do que era expectável". Na mesma declaração, o governante admitia que o Governo Regional poderia ter obter vacinas na Rússia, China e EUA, caso a UE não respondesse afirmativamente à urgência do arquipélago.

Em relação à vacina russa, Sputnik V, o próprio vice-almirante Gouveia e Melo já defendeu que deve ser usada em Portugal, desde que previamente autorizada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla inglesa).

"Defendo a aquisição de todas as vacinas que sejam possíveis trazer ao processo português, desde que tenham qualidade, as garantias necessárias de reguladores credíveis e possam ser administradas em território nacional", afirmou , entrevistado pela Lusa. Atualmente, Portugal pode utilizar as vacinas desenvolvidas pela Pfizer, Moderna, AstraZeneca, Janssen, Sanofi/GSK e CureVac. A Rússia já ofereceu à UE cem milhões de doses da sua vacina, dependendo isso da autorização da EMA.

Vacinar "cem mil pessoas por dia"

Na quinta-feira, o Presidente da República pressionou o Governo para a necessidade de "vacinar mais e mais depressa" a população - tendo em conta o tal objetivo de ter 70% da população portuguesa imunizada em setembro.

Ontem António Costa comentou a intervenção presidencial dizendo que Marcelo Rebelo de Sousa deu "voz pública à estratégia do Governo" para a vacinação e para o aumento da testagem.

"Entendi [a mensagem do Presidente da República ao país na quinta-feira à noite] como dando voz pública ao que é a estratégia que está definida, não só no aumento da capacidade de vacinação, de que é exemplo o exercício que vai ser feito este fim de semana", afirmou o primeiro-ministro.

Segundo afirmou, este fim de semana decorrerá a "primeira operação em larga escala de vacinação massiva", com a vacinação de "mais de 80 mil pessoas", entre professores e assistentes operacionais, sobretudo do pré-escolar e primeiro ciclo. "Não estamos atrasados na administração [de vacinas], há é atrasos na produção", afirmou ainda, considerando que entre "final de abril, início de maio" aumentará o número de doses de vacinas a receber e poderão ser vacinadas mais de "cem mil pessoas por dia".

joao.p.henriques@dn.pt

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG