Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Montenegro visitaram esta segunda-feira as zonas afetadas pelos incêndios. Ambos viajaram no mesmo helicóptero, algo que, em Portugal não é proibido. No entanto, esta situação não é desejável -- e até é desaconselhada, para que se possa garantir a segurança de duas das principais figuras de Estado..Esta não foi, no entanto, a primeira vez que Marcelo Rebelo de Sousa partilhou uma aeronave com um primeiro-ministro. No passado, já viajara para Paris com António Costa, aquando da celebração do 10 de junho..Ao contrário de outros países na Europa, não há lei que proíba os chefes de Estado e de Governo de viajarem juntos. Até porque, em caso de algum incidente, ambos não se substituem. No artigo 132.º da Constituição, é até definido que, em caso de morte do Presidente da República, é o presidente do Parlamento (2.ª figura do Estado) a assumir funções para evitar uma crise institucional (artigo 132.º.)..Mas não só na Presidência de Marcelo Rebelo de Sousa se verificou esta situação. Em 1980, por exemplo, Ramalho Eanes e Francisco Sá Carneiro foram juntos à Jugoslávia para marcar presença no funeral do presidente Tito. Em 1976, o mesmo Ramalho Eanes viajou para os Açores com Mário Soares (à data primeiro-ministro), tendo havido uma aterragem marcada pelo sobressalto, chegando mesmo a haver carros de bombeiros na pista -- mas o motivo não foi divulgado..Nos mandatos de Mário Soares e de Cavaco Silva não houve registo de voos conjuntos, apesar de haver algumas ocasiões em que primeiro-ministro e Presidente da República pudessem viajar juntos (como as cimeiras da CPLP e iberoamericanas)..Recentemente, noutros contextos, o presidente polaco (Lech Kaczsynski) morreu, em 2010, num acidente em Smolensk, na Rússia, depois do avião em que seguia se ter incendidado. Todos os outros passageiros do voo -- incluindo a, à altura, primeira-dama e o vice-presidente do Parlamento polaco -- morreram também..Nos Estados Unidos, por exemplo, também não existe uma lei que proíba as duas mais altas figuras (presidente e vice) de viajarem no mesmo avião. Mas tal não impede que ambos se desloquem em separado, salvaguardando a continuidade do poder, em caso de morte do presidente americano.