PR antecipa reunião do Infarmed: "Discutir abertura, ampla abertura"

Marcelo diz que já passaram os tempos em que entrava na reunião do Infarmed com o "coração pequenino". Mas pede, "sem dramas" e com "serenidade", regras claras para as escolas.

Discutir a próxima (e última) fase do plano de desconfinamento, agora que a vacinação completa está quase a atingir 85% da população. Esse será o propósito, hoje, de mais uma reunião no Infarmed entre peritos na pandemia e decisores políticos. "A intenção do Governo é que se realize uma nova reunião do Infarmed para debater este novo patamar e as medidas que se devem aprovar", declarou há uma semana a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva. Depois da reunião, o Conselho de Ministros tomará decisões. A ministra deixou porém um aviso: o país terá de continuar a conviver com "medidas obrigatórias" e com as respetivas recomendações da DGS.

Ontem, o Presidente da República disse estar feliz por participar na reunião do Infarmed com "a melhor situação" relativa à pandemia "em ano e meio". "Desta vez já se vai discutir abertura, muito abertura, ampla abertura [...]. Parece outro mundo", afirmou.

"Eu, naturalmente, devo ouvir os especialistas antes de dizer o que quer que seja - a função dos políticos não é fazerem de especialistas, é tomarem decisões políticas depois de ouvirem os especialistas [...] -, agora uma coisa é certa, que me sinto feliz porque vou para uma reunião do Infarmed com a melhor situação do último ano e meio", afirmou o chefe de Estado.

Falando aos jornalistas portugueses em Roma, após se ter reunido com 14 chefes de Estado da UE na 16.ª reunião do Grupo de Arraiolos, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que costumava "ir sempre com o coração pequeno - e às vezes pequeníssimo - para as reuniões do Infarmed, tais os números de casos, tais os números de internamentos em cuidados intensivos e tais os números de mortes".

Marcelo disse esperar que na reunião surjam esclarecimentos, "sem drama e com serenidade", aos portugueses sobre a covid-19, nomeadamente no arranque do ano letivo. "Disse sempre no Infarmed e disse-o fora do Infarmed: é muito importante que em cada momento - e agora é uma nova fase que corresponde ao começo do ano letivo - que os portugueses saibam exatamente quais são as regras."

Para o chefe de Estado, é preciso que fique claro que, quando e "se houver infetados [...], como é que é a reação e como é que se vai normalizando a vida nacional". "Isto, feito sem drama, com serenidade, mas com um esclarecimento, é muito importante para aquilo que tem sido a resposta dos portugueses, lúcida, serena e massiva", adiantou.

Situação "invejável"

Marcelo disse ainda ser "bom" poder "dar o exemplo dos portugueses e de Portugal também na vacinação" contra a covid-19 nesta reunião do Grupo de Arraiolos, que junta 15 chefes de Estado da União Europeia, numa altura em que a Europa tenta controlar a pandemia. "Quero agradecer uma vez mais aos portugueses e é bom fazê-lo aqui em Itália, numa reunião internacional."

O Presidente apresentou os dados da vacinação nacional perante os seus homólogos do Grupo de Arraiolos , considerando a situação portuguesa como "invejável". "Houve chefes de Estado que, eles próprios, falaram das suas situações, dizendo que ficavam aquém daquilo que gostariam e a nossa situação é invejável", afirmou. "Mesmo países com taxas de vacinação muito altas - dou o exemplo da Áustria - falaram em percentagens muito inferiores à nossa e outros nem falaram sequer porque a percentagem era muitíssimo mais baixa e todos perguntavam: "mas como é que é possível Portugal ter estado, aparentemente, visto de fora, tão mal e agora estar tão bem"." "A partir do momento em que entrou a vacinação em massa, foi também em massa que se deu o começo da mudança", acrescentou o Presidente da República.

De acordo com os dados de ontem, a taxa de incidência nacional de infeções com SARS-CoV-2 nos últimos 14 dias em Portugal baixou de 240 para 208,3 casos por 100 mil habitantes e o índice de transmissão desceu para 0,85.

Segundo o boletim epidemiológico conjunto da DGS e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a taxa de incidência (média de novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias) nacional baixou dos 240,7 casos, na sexta-feira, para 208,3. Em Portugal continental, a taxa de incidência baixou de 247,9 para 214. O Rt - que estima o número de casos secundários de infeção resultantes de uma pessoa portadora do vírus - está hoje em 0,85 a nível nacional e em 0,87 em Portugal continental. Na sexta-feira estava em 0,87 em todo o território. Os dados do Rt e da incidência de novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias - indicadores que compõem a matriz de risco de acompanhamento da pandemia - são atualizados pelas autoridades de saúde à segunda-feira, à quarta-feira e à sexta-feira. O nível de risco na matriz de monitorização fixa-se em 480 casos por 100 mil habitantes a 14 dias.

joao.p.henriques@dn.pt

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