O "sorriso sereno" e a "primavera que tinge" o discurso de Costa

Num encontro com 15 personalidades independentes em Monsanto, António Costa terminou a ação de campanha a apelar à estabilidade política e à continuação do governo socialista. Marcado por críticas ao PSD e a Rui Rio por parte dos convidados, o evento seguiu um rumo inesperado com foco no "sorriso" e na positividade do primeiro-ministro.

O Miradouro dos Montes Claros foi a escolha do Partido Socialista (PS) para dar início à primeira ação de campanha do dia, na região de Lisboa. Acompanhado de 15 personalidades independentes das áreas da cultura, desporto, saúde, educação e ciência, António Costa defendeu a continuidade do governo socialista e pediu estabilidade política.

Nas instalações do "Lisbon Secret Spot", com vista para o parque florestal de Monsanto, o sorriso de António Costa (ainda que sempre escondido pela máscara) foi um dos temas de conversa, como simbolismo para a sua "positividade" após a tomada de posse em 2015.

Ainda que numa manhã fria de inverno, o ambiente luminoso da sala acabou por corresponder ao tema e à "primavera" que, segundo o escritor Valter Hugo Mãe "tinge o discurso" do líder socialista. "O seu sorriso sereno, mas seguro, mudou radicalmente o clima em Portugal", disse. Já a antecipar um próximo governo, António Costa respondeu: "Há uma coisa que vos posso garantir, esse sorriso que eu tinha continua cá dentro."

Durante a reunião mediada pelo jornalista Luís Osório, a discussão ficou marcada pelas fortes críticas ao Partido Social Democrata (PSD) e a Rui Rio por parte dos convidados portuenses, nomeadamente Rosa Mota. A maratonista apelidou o líder social-democrata de "nazizinho" e confessou que foi "um terror" enquanto presidente da Câmara Municipal do Porto.

Com um discurso focado nos últimos dois anos de pandemia, a atriz Maria do Céu Guerra confessou ter ficado "muito contente que tenha acontecido num governo de António Costa", ao que o líder respondeu, entre risos, "não posso dizer o mesmo". "Sempre soube que este é um trabalho de maratona. Não sabia efetivamente, é que esta maratona era um misto. Era maratona, era uma corrida de obstáculos, era um corta-mato e a certa altura até já era um triatlo", brincou.

Já num tom de seriedade, o primeiro-ministro relembrou as dificuldades dos portugueses e reconheceu que "temos de virar rapidamente esta página". "Temos todas as condições para isso. Temos as pessoas e temos de ter as políticas certas", admitiu.

Quanto às eleições de 30 de janeiro, António Costa considerou que "a vida política é feita de mudanças", no entanto, apelou à continuidade do governo do partido socialista. "Juntos seguimos e conseguimos", concluiu.

ines.dias@dn.pt

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