Morreu o autarca que queria dar uma "voz forte" a Viseu

Autarca morreu este domingo aos 59 anos, vítima de complicações respiratórias decorrentes da covid-19.

O presidente da Câmara de Viseu, António Almeida Henriques, morreu este domingo aos 59 anos, vítima de complicações respiratórias decorrentes da covid-19, anunciou o município.

"O Município de Viseu informa, com enorme pesar, que o Presidente da Câmara, António Almeida Henriques, faleceu esta manhã no Hospital de São Teotónio, vítima de complicações respiratórias decorrentes da covid-19", anunciou a Câmara de Viseu.

Almeida Henriques realizou o teste à covid-19 a 4 de março e, apesar do resultado positivo, sentia-se bem e "apenas com sintomas ligeiros", tendo continuado a trabalhar a partir de casa.

Mas, poucos dias depois, devido à agudização dos sintomas, dirigiu-se às urgências do Hospital de São Teotónio e acabou por ficar internado "para melhor avaliação da evolução".

A 10 de março, Almeida Henriques seria transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos, devido "agravamento da insuficiência respiratória", que "levou à necessidade de entubação e ventilação mecânica".

Almeida Henriques era presidente da câmara de Viseu há dois mandatos, desde 2013, e seria recandidato nas eleições legislativas deste ano." A sua elevada cultura democrática e competência política levaram-no a ocupar diversas funções de grande responsabilidade, tanto ao nível do associativismo, como a nível político", evoca a nota do município.

O autarca foi deputado à Assembleia da República de 2002 a 2011, nas IX, X e XI e XII legislaturas, assumindo as funções de vice-presidente do grupo parlamentar do PSD entre 2005 e 2007 e também entre 2010 e 2011.

Entre 2011 e 2013 foi Secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional do XIX Governo Constitucional, liderado por Pedro Passos Coelho.

O Presidente da República veio lembrar "já com saudade" o "companheiro de muitas lides". "É uma morte que nos lembra como somos frágeis e como é importante levar a sério esta pandemia do nosso descontentamento. Almeida Henriques deixou-nos, mas a sua obra não nos deixará e será lembrado, em particular, pelos viseenses", escreveu numa nota publicada no site da Presidência.

A direção do PSD lamentou a morte do "autarca dedicado", que "dedicou grande parte da sua vida ao serviço público". Rui Rio deixou no twitter uma "homenagem pública" ao autarca.

Uma homenagem que se estende a vários membros do partido, que esta manhã deixaram uma mensagem pública de pesar pelo falecimento do autarca.

Do Parlamento ao Governo e à autarquia, sempre com uma profunda ligação à terra natal

Nascido a 5 de maio de 1961 em Viseu, advogado de profissão, António Joaquim Almeida Henriques teve um percurso muito ligado à política, mas também ao mundo empresarial, sempre com uma particular ligação à região onde nasceu.

Na vida política esteve cerca de uma década como deputado na Assembleia da República, passou por funções executivas no governo, até avançar em 2013 para a câmara de Viseu, onde sucedeu a Fernando Ruas, histórico autarca da cidade que atingiu o limite de mandatos. Assumiu como desígnio transformar Viseu numa das "principais capitais de distrito, uma das principais cidades/região" do país, "uma voz em rede com os municípios com quem Viseu forma uma comunidade e uma região" e "uma voz forte e esclarecida perante o poder central".

Casado e pai de três filhos, Almeida Henriques manteve sempre uma profunda ligação à sua terra natal. Militante social-democrata desde a década de 80, era conhecido como um ferrenho portista.

Foi presidente da Associação Industrial da Região de Viseu (AIRV), de 1994 a 2002, presidente da direção do Conselho Empresarial do Centro - Câmara de Comércio e Indústria, de 2002 a 2010, e vice-presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, de 2005 a 2010, entre outros cargos associativos e empresariais.

Almeida Henriques era ainda vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), presidente da secção de 'Smart Cities' (Cidades Inteligentes) da ANMP e presidente do Conselho Geral da Fundação para os Estudos e Formação nas Autarquias Locais.

Teve ainda uma participação ativa em várias instituições culturais, sociais e científicas da região e foi fundador e administrador de várias empresas.

Era comendador da Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial, por atribuição do Presidente da República Jorge Sampaio.

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