Manuel Machado: "A sondagem da rua, do olhar das pessoas, é que é importante"

O presidente da Câmara de Coimbra e recandidato socialista desvaloriza os estudos de opinião e os adversários. Fica como vereador? "Sou [só] candidato a presidente."

Como encara as sondagens que o colocam lado a lado com José Manuel Silva [cabeça-de-lista da coligação Juntos Somos Coimbra]?
Quero salvaguardar que não sou analista ou comentador de sondagens. A grande sondagem é a 26 de setembro, dia das eleições, essa é que é a megassondagem. A sondagem que tenho da rua, do olhar das pessoas, do entusiasmo das pessoas, do carinho com que nos encorajam a prosseguir esta jornada de luta... isso é que é uma sondagem muito importante.

Não é para si relevante os dados revelados?
Bom, são dados que valem o que valem. De notar que as fichas técnicas que se vão vendo são discutíveis, mas não entro nessa questão.

Os dados do seu partido também apontam para uma margem curta...
Sim, mas não sou analista de sondagens, essa não é a minha função. A minha função é apresentar um programa claro aos meus concidadãos sobre aquilo que é o meu projeto. E desde logo não deixar parar empreendimentos de enorme importância que estão em curso: o metro do Mondego, a construção do centro de saúde da Fernão Magalhães, uma nova estação velha em Coimbra B, melhoria da qualidade de vida, do ambiente urbano, a modernização dos transportes públicos com autocarros elétricos, o apoio a empresas, a criação de empresas, (...) a reabilitação urbana que temos a correr no centro da cidade não pode ser interrompida por aqueles que defendem que deve ser estudada outra vez.

Os outros candidatos referem dados que contrariam o seu otimismo: a perda de população, a falta de emprego, o problema da habitação, a falta de investimento, a falta de novas empresas, a perda de importância para cidades como Aveiro, Leiria, Viseu...
Os meus adversários dirão isso, já o diziam há quatro anos, já o diziam há oito... eu compreendo-os. Eles querem dizer mal de Coimbra, eu quero puxar Coimbra para cima. Eles querem atacar as empresas, o marasmo, já ouvi dizer. Não têm razão. Coimbra tem excelentes empresas, novas empresas, tem um saldo positivo muito significativo de empresas que têm prosperado. Não acompanho a leitura dos tremendistas que gastam o tempo a dizer mal da cidade...

Eles não dizem mal da cidade, dizem é mal da sua gestão...
Pois, mas isso é o modus operandi daqueles que só querem meter o pau na roda. Vejamos: estação velha requalificada.. o que é que eles dizem? Que é preciso mais estudos, que o projeto não presta, tem de haver mais tempo... para perder tempo. Querem esperar pela última moda, mas a última moda como nós sabemos não existe.

Estão deslocados da realidade, é isso?
E não só. Não querem organizar o seu trabalho de forma construtiva, a opção é destruir. A minha opção é construir.

Mas Coimbra não perdeu pessoas, não perdeu habitação, não perdeu emprego nas empresas?
Não, não.. o desemprego baixou significativamente. A demografia, a queda demográfica ocorreu em Coimbra de 2001 a 2011 e começou em 2011, 2012, 2013 a recuperar a perda anterior. A região centro, sim, perdeu população num valor preocupante de quase 5%.

O que diz José Manuel Silva é um equívoco?
Não estou a dizer que é um equívoco, estou a dizer que isso não é solução para o problema. As soluções nós apresentamo-las: ação social escolar, combate à pobreza e à exclusão social... isto sim são números importantes, (...) a luta por uma cidade de bem-estar. Só nos bairros municipais temos obras a decorrer no valor de 11 milhões de euros.

Mas, não é importante constatar, perceber as dificuldades?
Claro, mas não vou entreter-me a olhar para o passado. O passado eu conheço-o. O que me interessa é sobretudo evitar a repetição dos mesmo erros.

Quais erros?
Onde houve erros, evitar que se repitam.

Quais?
É hora de se olhar para a frente, de se impulsionar uma cidade onde dê gosto viver, (...) nós estamos a fazer coisas que ambicionamos há décadas, estamos a concretizá-las. Os meus adversários usam esse números por tremendismo, não têm ideias, não têm projetos, não têm estratégias e portanto entretêm-se a olhar para o passado.

É passado, mas tem o problema do Hospital dos Covões, das maternidades...
O Hospital dos Covões não pode fechar. A nova maternidade tem de ser construída.

Onde e quando?
A decisão é para tomar, disse o primeiro-ministro, dentro de poucos dias, logo a seguir às eleições.

E o hospital... tem a certeza de que não vai fechar?
Eu sou perentório nas palavras: o Hospital dos Covões não será fechado.

Se perder as eleições ou caso não tenha maioria assume o lugar de vereador?
Já o disse e reafirmo: sou candidato a presidente da Câmara de Coimbra.

Isso não é uma fragilidade, dizer às pessoas de Coimbra que se perder vai embora?
Eu tenho confiança no resultado e, por isso, sou candidato a presidente da Câmara de Coimbra.

Qual é o problema de ser vereador?
Sou candidato a presidente da câmara e sinto a confiança dos meus concidadãos para me reelegerem, (...) as pessoas conhecem-me, sabem quem eu sou e sabem como eu sou perseverante... para fazer o que falta e o que for preciso.

artur.cassiano@dn.pt

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