A proposta orçamental para 2025 é clara quando refere que o Governo se compromete ao pagamento de 75% do valor que recebem os médicos reformados se estes aceitarem regressar ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). O objetivo é atenuar a escassez de destes profissionais em determinadas áreas, nomeadamente nos cuidados de saúde primários. Recorde-se que, e segundo dados disponibilizados ao DN pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), em julho, cerca de 600 médicos reformados tinham voltado a trabalhar para o SNS. No entanto, um número sobejamente insuficiente para atenuar o número de médicos que podem entrar no regime de reforma pela idade até ao final deste ano (1910)..A medida agora inserida no OE 2025, o maior orçamento para o setor da Saúde nos últimos anos, se não é mesmo o maior de sempre, ultrapassa os 16,8 mil milhões e os orçamentos aprovados para 2021 e 2022, que registaram aumentos aos anos anteriores de 7,46% e de 8,03%, respetivamente, devido ao combate contra a pandemia da covid-19. Segundo se pode ler a proposta orçamental para o próximo ano, a despesa com pessoal do SNS vai aumentar em cerca de 425 milhões, totalizando 7,09 mil milhões de euros (+6,4%). Recorde-se que de acordo com os números oficiais, em 2024, o SNS integrava 150 mil profissionais de várias classes..Este aumento, e segundo é possível deduzir da leitura do documento entregue nesta quinta-feira no Parlamento, tem como objetivo cumprir os acordos já assumidos com vários sindicatos de classes profissionais, nomeadamente com a de enfermagem - com quem a tutela assinou um acordo a plataforma que reúne cinco estruturas sindicais e com o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), sendo que com este a valorização das grelhas salariais tenha ficado definido que se acontecerá em março de 2025. No entanto, e como refere ainda o documento do orçamento, o Governo compromete-se a manter as negociações com a classe médica e com a dos farmacêuticos hospitalares, os quais têm greves decretadas para os dias 22 e 24 de outubro..Em relação aos médicos, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que já prometeu mais ações de protesto de o este OE não incluir medidas como a valorização das grelhas profissionais no salário base, o DN sabe que não há reuniões agendadas com a tutela. A estrutura tem marcado para este sábado o seu Conselho Nacional onde poderá analisar o OE e também definir novas formas de luta.