Pedro Nuno Santos e Rui Rocha protagonizaram esta segunda-feira o primeiro debate para as presidenciais, onde os impostos, a saúde, a educação e a habitação foram armas de arremesso entre ambos.
Pedro Nuno Santos e Rui Rocha protagonizaram esta segunda-feira o primeiro debate para as presidenciais, onde os impostos, a saúde, a educação e a habitação foram armas de arremesso entre ambos.Divulgação SIC

Entre a "magia fiscal" e o modelo "que não funciona"

No primeiro debate das legislativas entre líderes partidários, que opôs o PS à IL, o líder socialista, Pedro Nuno Santos, acusou os liberais de quererem "reduzir de forma cega o IRC para as empresas", uma medida fiscal que, associada a outras, configura "um rombo fiscal de 9 mil milhões de euros".
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O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, acusou esta segunda-feira a Iniciativa Liberal de querer “reduzir de forma cega o IRC para as empresas” na mesma medida em que “acredita na magia fiscal”. No primeiro debate para as eleições legislativas de 10 de março, que opôs o líder do PS ao líder da Iniciativa Liberal (IL), Rui Rocha, a troca de argumentos andou à volta da fiscalidade, da saúde, da educação e acabou na habitação, a área que Pedro Nuno Santos tutelou no atual Governo.

No início do debate, Pedro Nuno Santos acusou a IL de ter “como única resposta uma redução aventureira e radical de impostos”. Questionando Rui Rocha de forma retórica sobre "quais são os custos do choque fiscal que está no programa" da IL, o líder do PS falou em "9 mil milhões de euros". 

"Os senhores não fazem magia ainda", ironizou o líder socialista, antes de afirmar que "no final de um programa destes [defendido pela IL] o que espera a Portugal é a austeridade".

Como contraponto, Rui Rocha acusou a governação socialista de ser “aventureira” por insistir num modelo “que não funciona”. Para Rui Rocha, a IL apresenta “soluções para as pessoas e empresas”, que passam por “15% de IRS”, o que daria a um jovem que ganha “1800 euros brutos” a possibilidade de passar “a levar 2200 euros líquidos para casa”.

Depois de Pedro Nuno Santos evocar que Portugal foi o segundo país da União Europeia que, no último trimestre de 2023, mais cresceu em termos económicos, Rui Rocha criticou a governação socialista por apresentar um país "fantástico", "com tudo a funcionar", quando "na saúde não funciona, com ugências fechadas", com o mesmo a acontecer na educação, "com falta de professores". "Queremos um país diferente", defendeu. 

Sobre as soluções para o Serviço Nacional de Saúde, Rui Rocha questionou Pedro Nuno Santos sobre o fim das parcerias publico-privadas e a forma como acabou por "prejudicar os utentes". 

Pedro Nuno Santos respondeu que no PS não há "dogmas".

"Não há nenhum dogma connosco, não queremos é desistir do SNS", completou o secretário-geral do PS, contrapondo que a IL não apresentou nenhuma proposta. "Se se entender que será uma melhor solução, avançaremos", disse Pedro Nuno Santos, acrescentando que "temos de dar aos hospitais públicos as mesmas condições que demos às gestões privadas dos hospitais públicos".

Em resposta, Rui Rocha sustentou que "quem tem mais rendimentos" fica obrigado a contratar um seguro de saúde para ter assistência médica, e que "quem tem menos rendimentos" fica "obrigado ao SNS" e sem resposta.

Se por um lado Rui Rocha defendeu que as soluções que a IL espera para o país "foram testadas por toda a Europa", Pedro Nuno Santos insistiu com o argumento da "magia".

"Os senhores não têm dinheiro para pagar o que querem defender", acusou Pedro Nunos Santos, acrescentando "que podem fazer magia, mas a magia não existe".

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