O primeiro-ministro admitiu esta terça-feira que "o processo negocial" do Orçamento do Estado para 2025 (OE) chegou ao final e será aprovado no Conselho de Ministros na quarta-feira..Em entrevista à SIC, Luís Montenegro assumiu que o Governo vai apresentar um documento "com as bases da negociação" feitas com o PS..Sobre o IRC, onde o primeiro-ministro assumiu que o Governo vai seguir a redução de um ponto percentual proposta pelos socialistas, mas continua a ser ponto de discórdia, uma vez que o Executivo não vai aderir às reduções subsequentes. "Não é uma birra", reiterou, "são visões diferentes"..Este OE "inspira-se no ímpeto reformador do Governo", mas incluiu "propostas do PS", como por exemplo no IRS Jovem, que fica a "meio caminho" entre aquilo que o PS propôs e a intenção inicial do Governo. "É uma solução mais equilibrada", considerou Luís Montenegro..No entanto, tal "não significa que haja adesão" por parte do PS e que, com isso, possa ser aprovado. "Nem que o Governo se tenha afastado do seu programa", garantiu o primeiro-ministro..A convicção "é de que o OE vai ser viabilizado" no Parlamento, e há "todas as razões para estar otimista"..Referindo que tem "o maior respeito" pelo PS e por Pedro Nuno Santos, o primeiro-ministro disse acreditar que os socialistas fizeram "um esforço para dar um contributo"..Confrontado com as declarações de André Ventura, que admitiu viabilizar o OE se o PS não o fizer, Luís Montenegro garantiu que negociar com o Chega "não é possível". O partido "transformou-se num cata-vento", atirou o primeiro-ministro, lembrando que o Chega "já teve mais de dez visões diferentes" sobre o OE. Negociar com André Ventura seria algo que "ninguém" iria compreender..Sobre as medidas anunciadas para a função pública, Luís Montenegro garantiu não ter dado "benesses", mas sim "garantido a atratividade" das carreiras do Estado. "Para podermos ter polícias nas ruas, Forças Armadas que cumpram as suas funções, oficiais de justiça, a administração pública tem de ser competitiva", apontou..A intenção deste Governo é "transformar" o país, afirmou Luís Montenegro, que assumiu "não governar a pensar no Parlamento, mas sim no futuro do país". "Quero que o país saiba isto: a seguir a ser primeiro-ministro, não serei mais nada na política", anunciou ainda..Assumindo que está "sujeito aos instintos", o primeiro-ministro assumiu ser um "político de alto a baixo, que sente a sociedade". "O país está a sentir o Governo que tem, não posso falhar ao país", refletiu..Segundo o primeiro-ministro, as empresas desejariam que "o Governo fosse mais longe" em áreas como a desburocratização, mas, ao assinarem o acordo de concertação social, as confederações "deram um voto de confiança" ao Executivo. "Queremos aliviar a carga fiscal", reiterou Luís Montenegro, assumindo que "o investimento estrangeiro" é necessário para o país..Sobre a imigração, o primeiro-ministro assumiu que é um mecanismo "necessário" para a economia, recordando que a "manifestação de interesse era uma porta escancarada". "Há algumas zonas do país em que há alguma sensação de estranheza", apontou, reiterando que é necessária alguma "habituação"..Em relação à privatização da TAP, Luís Montenegro garantiu que o Governo "está a auscultar" opções e que "há empresas interessadas no capital" da companhia. No entanto, medidas como "garantir o hub de Lisboa" são condição essencial para a decisão..E vai renovar o mandato de Mário Centeno como governador do Banco de Portugal? Luís Montenegro não responde, adiando a decisão para mais perto "do final do mandato"..No que toca às autárquicas, o primeiro-ministro (que também é presidente do PSD) assumiu que podem existir "candidaturas em coligação com a IL" e mostrou-se convicto na reeleição do autarca de Lisboa, Carlos Moedas, desta vez "com a maioria" necessária para aprovar mais medidas. Decisões sobre as autárquicas serão "anunciadas depois do próximo congresso" social-democrata, que acontecerá no dia 19 de outubro..Já sobre a relação com Marcelo Rebelo de Sousa, esta é "boa, dentro do respeito pelas funções" de cada órgão de soberania, garantiu o chefe do Governo. Apontando à sucessão do Presidente da República, Luís Montenegro afirmou que "Luís Marques Mendes encaixa-se no perfil da moção de estratégia global do partido", não se alongando mais em comentários.