António Costa: "O PS é muito mais que as suas lideranças circunstanciais"

Direção do PS celebrou esta tarde os 48 anos da fundação do partido com uma sessão online subordinada ao tema "Democracia e Poder Local"

António Costa aproveitou esta tarde uma sessão do PS em Lisboa de celebração os 48 anos do partido para desvalorizar a importância dos secretários gerais do partido face à importância do coletivo partidário no seu todo, em particular dos seus autarcas.

Sem referir nunca José Sócrates, António Costa disse que "o partido que é muito mais que as suas lideranças circunstanciais". "A vida do PS é feita diariamente não pelos seus secretários-gerais mas pelas centenas dos seus autarcas, deputados e militantes em geral", afirmou.

O líder socialista não deixou, porém, de homenagear todos os que antes dele lideraram o partido - na pessoa de Ferro Rodrigues, único ex-líder presente na sala - "desde Mário Soares ao António José Seguro, que me antecedeu neste cargo".

Segundo disse, "foi sempre o PS que esteve na raiz das grandes mudanças que marcam o pais ainda hoje". Numa sessão onde foram elogiados os primeiros autarcas do PS eleitos em 1976 - nomeadamente os primeiros 115 presidentes de câmara -, Costa considerou que "devem ter sido absolutamente maravilhosos esses momentos fundadores do poder local".

Recordando o seu passado como presidente da câmara de Lisboa, disse perceber "muito bem o gosto de exercer o poder de olhos nos olhos com os eleitores".

Segundo afirmou, desde 1976 "mais de um milhão de pessoas já exerceu funções no poder autárquico", daí que as autarquias sejam "uma enorme escola de democratas". E, além disso, "quanto mais próximo é o poder, mais forte é a fiscalização dos cidadãos".

O primeiro orador da sessão foi o presidente do PS, Carlos César, que afirmou que os "grandes avanços" legislativos no combate "pela transparência" e no combate à corrupção "deveram-se na maior parte das vezes à iniciativa ou aprovação do PS".

Também sem referir explicitamente o caso Sócrates, Carlos César passou no entanto pelo tema, ao dizer que o PS quer "continuar a ser um porto abrigo da confiança dos portugueses" mas fazendo-o "sem iludir os desvios às melhores práticas que num ou noutro momento aconteram".

Quanto ao combate à corrupção, acrescentou que "os riscos aconselham a que continuemos esse percurso de aprofundamento", recordando, a propósito, a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção cuja versão final foi aprovada pelo Governo justamente na véspera da leitura da decisão instrutória da "Operação Marquês".

Neste contexto, prosseguiu que ao PS compete "garantir uma democracia em que os portugueses reconheçam os resultados da sua participação" e "a probidade dos seus servidores".

César esforçou-se também por sublinhar o papel do líder do PS neste processo: "António Costa tem sido um dos principais fatores para a confiança dos portugueses nas suas instituições e no seu futuro".

Salientou, por outro lado, que o partido deve prosseguir "numa perspetiva reformista" os caminhos da descentralização de poderes da administração central para os poderes regionais e locais.

Sobre a pandemia, disse que é "uma crise muito dolorosa" com "mortes a mais" mas sublinhou a confiança que tem na capacidade de recuperação, sobretudo tendo em conta que ao leme está António Costa: "Tenho a certeza que vamos conseguir, com as portuguesas e os portugueses e com a liderança de António Costa e do PS."

A sessão iniciou-se com um vídeo de homenagem a Jorge Coelho, o ex-dirigente e ex-ministro do PS que morreu dia 7, vítima de ataque cardíaco, quando contava 66 anos. Os participantes na sessão cumpriram em sua homenagem um minuto de silêncio.

A seguir a César, um investigador do ISCTE, Raul Lopes, apresentou um estudo sobre as marcas do PS no poder local desde 1976.

Depois foi a vez de o autarca anfitrião, Fernando Medina, discursar. Fernando Medina assegurou que o PS irá encarar as próximas eleições autárquicas de "consciência tranquila". E o próximo mandato, disse, deverá ser, como o atual, de "prioridade ao combate à pandemia" mas "lado a lado com o Governo, em conjunto, não fazendo o contraponto mas fazendo o complemento".

Recordando que ele próprio nasceu no ano em que o PS foi fundado, 1973, Fernando Medina salientou que o PS é hoje é "um partido moderno das novas gerações". E "a única forma de honrar o trajeto é prosseguir os caminhos do futuro", valorizando questões como o combate às alterações climáticas ("o combate das nossas vidas") e a luta pela sustentabilidade social ("criar oportunidades para quem mais precisa"), assegurando a todos "os mais vastos direitos, cívicos, políticos, económicos e sociais".

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