Cartaxo. Socialistas perdem bastião histórico

Ter uma maioria absoluta e perder para uma maioria absoluta. O poder socialista resistiu 45 anos. Um estreante arrasou com um recandidato a terceiro mandato.

"A matriz de esquerda, a base sociológica de esquerda, a fidelização ao partido nas autárquicas desde o 25 de Abril, fruto de um trabalho de proximidade" caiu ao fim de 45 anos.
O "enraizamento"socialista que resistiu a pesadas derrotas em eleições legislativas - "Cavaco chegou a ter vitórias esmagadoras, mas nas autárquicas tudo mudava" - foi destronado por João Heitor e com maioria absoluta. O candidato social-democrata, na sua estreia como adversário do poder socialista, travou o terceiro mandato do atual presidente, Pedro Ribeiro.
A ideia de que "a crença ideológica dos mais velhos que olham o partido como se fosse um clube de futebol , que é para o resto da vida, independentemente de quem lá está" não resistiu.

"Mas há também o voto na pessoa, mais forte até do que as marcas ideológicas", dizia Pedro Ribeiro. E acertou.

O candidato PSD, agora eleito presidente, dizia recentemente ao DN que, "atualmente, as ligações económicas entre autarquia e associações serão poucas, até porque em alguns casos as empresas do concelho nem sequer são consultados para fornecimento à autarquia, ainda assim poderá haver empresários ou dirigentes que se possam sentir condicionados pelo receio de perder a possibilidade de negócio ou benefício. Temos de acreditar que, nesta altura, não será um fator decisivo". E não foi.

O PS caiu de uma maioria (teve 52,5% dos votos em 2017) para 29,03%. Já o PSD subiu de 27,7% para 46,58%.

O Cartaxo fazia parte de um grupo restrito de câmaras de 11 que desde 1976 estão nas mãos do PS: Alenquer, Campo Maior, Gavião, Reguengos de Monsaraz, Condeixa-a-Nova, Lourinhã, Odivelas, Olhão, Portimão e Torres Vedras.

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