O candidato à Presidência da República António José Seguro à chegada para uma visita à Unidade de Saúde Familiar Cruzeiro e Mosteiro em Odivelas.
O candidato à Presidência da República António José Seguro à chegada para uma visita à Unidade de Saúde Familiar Cruzeiro e Mosteiro em Odivelas.Rodrigo Antunes/Lusa

Seguro diz estar "ansioso pela primeira reunião" com Luís Montenegro e promete "Saúde como prioridade"

Candidato mais votado na primeira volta das Presidenciais já pensa nos encontros com o primeiro-ministro, confiante na vitória sobre Ventura na segunda volta. Recusa colocar pressão sobre Montenegro, mas promete "exigência" e garante "estabilidade política."
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António José Seguro escolheu para o recomeço da campanha eleitoral para as presidenciais a visita a uma Unidade de Saúde Familiar (USF) em Odivelas. Não larga, portanto, o tema que considerou nevrálgico de há meses para cá e que também sabe ser um calcanhar de Aquiles na atual governação. Acompanhado por Adalberto Campos Fernandes, antigo ministro da Saúde de António Costa entre 2015 a 2018, visitou as USF do Mosteiro e do Cruzeiro e disse levar conselhos para Belém.

Sim, Belém. O candidato socialista já perspetiva reuniões com o primeiro-ministro à quinta-feira. “Todos sabem que a Saúde é prioridade das prioridades e vai ser a causa número um no meu primeiro ano de mandato. Vou trabalhar insistentemente para que haja Saúde para todos os portugueses. Nesta Unidade, encontrei respostas muito adequadas para aquilo que é necessário, o que prova que quando há organização e boa gestão, há um bom serviço”, principiou, acentuando ainda mais a convicção de que vai ser eleito Presidente da República: “Há boas ideias, há boas medidas, e, honestamente, já estou a recolher esses contributos para, quando reunir com os partidos, quando reunir com o primeiro-ministro, levar estes contributos para que os portugueses tenham cuidados de Saúde a tempo e horas. Estou ansioso para essa primeira reunião e para que possamos definir as nossas regras de trabalho.”

O ex-secretário-geral do Partido Socialista afirma que vai ser “exigente”, mas recusa usar o termo “pressão” quando confrontado com a ideia de que deve supervisionar mais o Governo por ter sido ele e André Ventura, dos dois maiores partidos da oposição ao Executivo da AD, a chegarem à segunda volta das presidenciais. Promete “uma relação normal com o Governo e com os parceiros sociais e representantes dos trabalhadores”, garantindo que continuará a “fazer a campanha suprapartidária” que fez até aqui, sentindo que deve “cooperar com o Governo para uma vida melhor.”

A esquerda atirou-lhe farpas durante meses por ter permitido a Passos Coelho governar nos tempos da troika. Apesar de agora ser um candidato que reúne apoios de vários quadrantes, reafirma que “a estabilidade política é muito importante”, permanecendo inquebrável na conceção de que o Governo está legitimado nas urnas e de que não será oposição em Belém, apesar da exigência e vigilância que promete aplicar. Por isso, salienta que quem “chefia os ministros é o primeiro-ministro”, não alimentando possíveis pedidos de demissão de ministros, como é o caso de Ana Paula Martins, a responsável pela pasta da Saúde.

Só se alongou mais criticamente em dois casos. Primeiro, na declaração de Álvaro Almeida, diretor-executivo do SNS, que recusou o “caos” e vincou “a melhor resposta” dos meios nos últimos tempos. Recorde-se que Almeida foi colocado por Ana Paula Martins e até Marques Mendes. Sem criticar abertamente o Governo, apontou responsabilidades à coordenação do Serviço Nacional de Saúde. “Há esperas de semanas e meses para se marcar uma consulta. Sabemos que se tem visto problemas no socorro, há ambulâncias paradas. Esta situação de emergência indigna-me”, atira.

Depois, na Lei Laboral, fez o aviso mais sério ao Executivo. Se fora mais ténue a crítica em outubro e novembro, em dezembro passou a adotar um discurso assertivo, a pedir mudanças para promulgar o documento. A esquerda, neste caso, disse sempre que rejeita o pacote. “Mantém-se tudo aquilo que disse. Se o decreto chegar como está, essa é a minha posição. Espero que haja condições para que haja uma evolução e que o Governo perceba que tem de ouvir as partes e respeitar os representantes dos trabalhadores”, explana.

Costa ainda não deu os parabéns, mas Seguro conta com isso

Neste arranque de campanha, Seguro voltou a ser questionado sobre se António Costa, presidente do Conselho Europeu, o tinha parabenizado. Depois de no domingo, nas Caldas da Rainha, ter dito que ainda não vira todas as mensagens recebidas, agora indicia que não recebeu qualquer menção de Costa, mas que espera esse cumprimento na eleição em fevereiro. “Houve uma eleição para saber quem passava à segunda volta. E, portanto, as felicitações dos titulares de órgãos institucionais ou de órgãos de soberania surgirão quando houver um presidente eleito”, antevê.

António José Seguro tem vindo a colher apoios da direita, apesar de Luís Montenegro não ter aconselhado o voto no socialista - tal como não fizeram Gouveia e Melo, Marques Mendes ou Cotrim de Figueiredo. No entanto, os mandatários de Cotrim, José Miguel Júdice, e de Marques Mendes, Rui Moreira, já se associaram ao socialista na luta contra Ventura na segunda volta. “Respeito a posição de cada português e de cada candidato. Agora, fico muito feliz por ter o apoio do dr. Rui Moreira e do dr. José Miguel Júdice. Fico muito feliz com todos os apoios que têm chegado, quer da esquerda, quer da direita”, destaca.

Apoios partidários ficaram confirmados

Depois de revelarem ao DN o caminho a seguir (ver aqui), José Manuel Pureza e Rui Tavares, líderes de Bloco de Esquerda e Livre, avançaram com a validação do nome de Seguro para uma indicação de votação coletiva. O Bloco aprovou-o na Mesa Nacional, o Livre tem esta terça-feira essa confirmação em assembleia. Também o PCP reuniu o Comité Central para semelhante decisão. Volt e PAN também já haviam declarado apoios ao socialista.

Luís Montenegro disse que o “[seu] campo político não estaria representado”, mas o PSD divide-se e há conversas de altas figuras do partido para que haja o reconhecimento de que Seguro é preferível a Ventura. Até aqui, António Capucho e Miguel Poiares Maduro, ex-ministros, o ex-secretário de Estado José Eduardo Martins, Duarte Pacheco, Pacheco Pereira, o deputado Cristóvão Norte e Pedro Duarte, este último presidente da Câmara do Porto, expressaram o sentido de voto no socialista.

A Iniciativa Liberal ainda não deliberou, nem tem reunião marcada, mas Mário Amorim Lopes e Rodrigo Saraiva anunciaram a preferência por Seguro. O CDS-PP reúne esta quarta-feira, embora a Juventude Popular já tenha dito que não endossaria votos a qualquer dos candidatos. Ontem, a presidente do grupo político europeu dos Socialistas e Democratas (S&D), Iratxe García Pérez, pediu a “todos os democratas portugueses” para votarem em António José Seguro, classificando-o como o “candidato pró-europeu”, que “representa a liberdade”. “Foi isso que transmiti segunda-feira aos líderes do Partido Popular Europeu, Manfred Weber, e do Renew Europe, Valérie Hayer”, acrescentou. Na Europa, PSD e CDS-PP integram o PPE, a IL, o Renew Europe.

Vincando a “estabilidade política”, Seguro só foi crítico em dois casos. Primeiro, refutando a confiança do diretor-executivo do SNS de que há melhorias na Saúde. Depois, na Lei Laboral, que diz não passar como está.
Duas críticas mais assertivas
A presidente do grupo político europeu dos Socialistas e Democratas, Iratxe García Pérez, pediu aos líderes do Partido Popular Europeu, Manfred Weber, e do Renew Europe, Valérie Hayer, para sensibilizarem eurodeputados nacionais para o voto em Seguro.
Apelo ao voto na Europa
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