Ventura insiste na redução do IVA nos combustíveis e assegura ser uma "despesa temporária e acomodável" no OE
André Ventura insistiu esta terça-feira, 22 de setembro, na redução do IVA sobre os combustíveis.
"O que estamos a ter em Portugal é um roubo. As pessoas sentem-se roubadas. Há guerras, mas quase metade do valor dos combustíveis são impostos. Com as medidas propostas do Chega, hoje o gasóleo estaria cinco, seis ou sete cêntimos por litro a menos", afirmou, em entrevista à CNN Portugal.
"Temos o cabaz alimentar mais caro da nossa história e 100 mil crianças não encontram vagas em creches. A ministra do Ambiente diz 'poupem', mas a ministra devia começar por não andar de carro. Quando a ministra poupar, pode dizer para pouparmos", prosseguiu.
O líder do Chega diz que não faz sentido fazer-se um novo desconto no ISP todas as semanas e lembra que "47 a 55 por cento do que pagamos em combustíveis são impostos". "Não pedimos para fazerem uma descida permanente, pedimos uma descida durante 12 meses. Ou fazemos isto no parlamento ou as pessoas começam a pensar que o parlamento não serve para nada", frisou. "Qual é o problema de darmos um benefício fiscal às pessoas se as pessoas têm andado a pagar a mais?", questionou.
Ventura defende que a redução do IVA nos combustíveis que propõe "é uma despesa temporária e acomodável no Orçamento de Estado". "Para que servem as despesas fiscais a não ser para momentos de aperto como estes? Porque a Polónia e a Croácia conseguem e nós não?", questionou, lembrando que Luís Montenegro, quando estava na oposição, defendia a redução do IVA. "Onde anda o espírito de Montenegro de 2022?", perguntou.
Ventura acusa o Partido Socialista de "hipocrisia", uma vez que "em oito anos de Governo PS, nunca desceram o preço dos combustíveis" e que agora apresentam algo que "não é uma proposta, é uma recomendação". "O que o Chega tem é um projeto de lei", esclareceu, explicando que a "única forma" de a medida entrar em vigor é no Orçamento de Estado de 2027, ou seja, a partir de janeiro. "Espero que na quinta-feira o PS ponha a mão na consciência", manifestou, sobre o dia em que vai ser votada a redução do IVA sobre os combustíveis.
Ainda sobre esse tema, o líder do Chega acusou o Governo não ter a prioridade "correta", reiterou que "não faz sentido termos um produto em Portugal em que metade do seu valor são impostos e frisou que "os melhores países têm combustíveis com menos impostos".
Acerca dos apelos à poupança dos portugueses no que concerne à energia, disse não considerar "que portugueses tenham hábitos errados".
No que diz respeito ao Caso Luís Neves, Ventura vinca que "faltou coragem" ao Presidente da República e garante que viu "coisas absolutamente escabrosas", tendo admitido que o "Chega deu o benefício da dúvida a Luís Neves e enganou-se".
O líder do Chega revelou ainda que o seu partido recebeu "informação com suspeitas" sobre o negócio da entrada do Estado no capital da REN e garante que a "primeira coisa" que fará se for eleito primeiro-ministro será uma "reforma na Justiça", que não será "só para juristas e filósofos".
