Ventura acusa Governo e PS de hipocrisia por se oporem às propostas do Chega para descida do IVA
O líder do Chega, André Ventura, voltou a usar o IVA como arma de arremesso contra o Governo, acusando o primeiro‑ministro, Luís Montenegro, e o restante Executivo, de adotarem uma postura incoerente e irresponsável sobre o tema. Em declarações aos jornalistas no Funchal, André Ventura ainda estendeu as críticas ao PS, apelando a que reavalie a posição que anunciou para a votação das propostas – principalmente sobre a descida do IVA no cabaz essencail – do Chega no Parlamento.
Ventura classificou a posição do executivo como "uma hipocrisia sem nome, de uma irresponsabilidade política e pública sem nome", argumentando que este comportamento contribui para que "as pessoas deixem de acreditar na política verdadeiramente". As críticas surgem depois de o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, ter alertado que a descida do IVA dos combustíveis poderia levar Portugal ao défice em 2027.
O presidente do Chega recordou que, em 2022, o PSD – então na oposição – defendia precisamente essa redução: "Eu queria recordar o senhor primeiro‑ministro e o ministro das Finanças também que foram eles quem, precisamente, apoiou a descida dos combustíveis". O líder do partido mais à direita no hemiciclo insistiu que esta é "a forma mais rápida e eficaz de produzir uma redução real dos preços nas bombas de gasolina" e "a única solução possível" para aliviar rapidamente o custo de vida.
André Ventura sublinhou que a medida não contradiz eventuais apoios temporários do Governo "nem incompatível com nenhum desconto que o Governo queira atribuir temporariamente", para além de insistir que esta é a única medida "que permanentemente garante que as pessoas vão pagar menos, conforme já foi feito noutros países".
"O que eu não compreendo é como Montenegro em 2022 dizia que se devia descer o IVA dos combustíveis e o Montenegro de 2026 acha que é irresponsável propor a descida dos combustíveis", insistiu, antes de apontar baterias ao PS.
Relativamente ao líder do PS, José Luís Carneiro, que já tinha anunciado que os socialistas votarão contra a proposta do Chega, André Ventura considerou tratar‑se de "hipocrisia sem qualquer limite" e "falsidade sem qualquer limite", defendendo que estas posições “geram verdadeiramente o descrédito da política".
Ainda assim, relembrando o debate parlamentar sobre o custo de vida, marcado para 24 de setembro a pedido do Chega, André Ventura apelou aos líderes do PS e do PSD "que metam a mão na consciência", afirmando que esta é "a hipótese que temos, a última nos próximos tempos, de descer o IVA nos combustíveis verdadeiramente".
"Ou fazemos alguma coisa ou então achamos que os portugueses só têm que aguentar, aguentar, aguentar e calar. Um dia vai correr mal", avisou.
