"Esta reforma laboral parte dum mau princípio", de que é preciso tornar o mercado mais flexível, mas mais "instável", defendeu esta sexta-feira, 15 de maio, André Ventura, no Parlamento, explicando que, "ao ponto em que estamos, esta reforma é má e não deve ser aprovada". No entanto, o líder do Chega não fechou as portas à aprovação da proposta de lei que o Governo fará chegar ao hemiciclo, explicando que "esta tarde haverá contactos entre as lideranças das bancadas"."Se me perguntar se isto está completamente acabado, diria que não. Se estivesse não haveria conversações entre os líderes", vincou André Ventura, argumentando que o Chega está a fazer uma caminho para transformar a reforma laboral avançada pelo Governo numa "redignificação laboral".André Ventura deixou claro nas declarações nos Passos Perdidos que considera que a proposta do Governo para reformar a lei laboral "não é boa para o país", e não dá "nada de volta a quem trabalha", para além de ter "muito pouca utilidade para ao país".Sobre o tema das férias, que o Governo manteve na versão mais recente do documento – que, segundo a ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, incorpora mais de 50 contributos exógenos ao Governo, 12 deles da UGT –, e que André Ventura já tinha estabelecido como uma exigência para dar luz verde a uma versão da proposta, o líder do Chega esclareceu que não se trata de "férias compradas". De acordo com a proposta, são dois dias suplementares, não pagos, dos quais os trabalhadores podem usufruir."Há 10 anos tiraram-se férias às pessoas", lembrou o líder do Chega, defendendo que agora o caminho deveria ser "acabar com restrições que estavam em vigor desde o tempo das Troika". Portanto, avisou, tem de haver um "caminho de convergência".André Ventura que o Pacote Laboral "era um de muitos dos temas que estavam em discussão" na conversa que o Chega teve com Luís Montenegro na passada quarta-feira, mas foi o tema que o líder do Chega elegeu para partilhar com os jornalistas, frisando que "esta reforma laboral começou mal", apenas "porque o Governo decidiu não" dialogar, para além de ter mostrado "arrogância" durante o processo, que acabou por passar para fora como um "ataque aos direitos de quem trabalha"."Era um caminho sinuoso" desde o início, quando o documento foi apresentado em julho do ano passado, lembrou um líder do Chega, acrescentando que "foi mal comunicado" como um "ataque às mães".Afirmando que foi uma "má escolha e má execução por parte do Governo", André Ventura ainda criticou o facto do Governo ter insistido em "negociar do lado errado".O líder da bancada mais à direita do hemiciclo ainda considerou que esta discussão "não tem a ver com direita ou esquerda"."Não queremos um mercado selvagem", concluiu..Reforma laboral. Governo quer fim da proibição ao outsourcing, alargamento dos contratos a prazo e reforço das licenças parentais.PS cola rejeição do Pacote Laboral a “traves mestras”, que o Governo mantém