José Sócrates.
José Sócrates.Foto: Gerardo Santos

Sindicato dos Funcionários Judiciais apresenta queixa contra advogado de José Sócrates

Organização repudia acusações de José Preto, que insinuou que funcionários judiciais divulgaram informação do processo Operação Marquês.
Publicado a
Atualizado a

O Sindicato dos Funcionários Judiciais manifestou “veemente repúdio” pelas acusações feitas por José Preto, advogado de José Sócrates, que sugeriu que funcionários - “em particular, a classe dos Oficiais de Justiça” - teriam divulgado à comunicação social a informação de que assumira a defesa do ex-primeiro-ministro.

As declarações constam de um requerimento submetido no processo Operação Marquês e vieram a público no Jornal da Noite da SIC na noite da última sexta-feira, 28 de novembro. No documento, José Preto insinuava que teriam sido funcionários judiciais a revelar a comunicação interna.

O sindicato considera que tal sugestão ignora um dado essencial: “O processo é público e tem como assistentes vários jornalistas”, que, como os restantes intervenientes, recebem automaticamente as notificações dos atos praticados, incluindo o requerimento apresentado pelo próprio advogado.

Na reação enviada à imprensa, o sindicato classifica as insinuações como “manifestamente infundadas, injuriosas e desadequadas”, lendo nelas um “incompreensível nervosismo” de José Preto. Ao referir “práticas indecentes”, “abusos de funções” e até um eventual “negócio indiciário”, o advogado acaba por imputar aos funcionários comportamentos “falsos e altamente ofensivos”.

A estrutura sindical insiste que o acesso ao requerimento foi simultâneo para todos os intervenientes processuais: magistrados do Ministério Público e judiciais, os 22 arguidos e respetivos mandatários, assim como cerca de uma dezena de assistentes. Por isso, “não faz qualquer sentido, nem possui o mínimo fundamento” atribuir responsabilidades aos funcionários judiciais.

O comunicado sublinha que também os advogados estão vinculados ao dever de urbanidade previsto no artigo 95.º do Estatuto da Ordem dos Advogados: agir com respeito e utilizar linguagem adequada perante todos os intervenientes, incluindo oficiais de justiça. As imputações de José Preto “violam frontalmente este dever profissional”, afirma o sindicato.

A estrutura anuncia ainda que irá apresentar queixa à Ordem dos Advogados e avançar com participação criminal, considerando que estão em causa afirmações difamatórias dirigidas a toda a classe. “A Justiça deve ser tratada com verdade e seriedade. Os funcionários judiciais oficiais de justiça merecem respeito!”, remata o comunicado.

José Sócrates.
Operação Marquês: Tribunal dá 10 dias ao novo advogado de Sócrates para conhecer caso
José Sócrates.
Operação Marquês. José Sócrates queixa-se ao PGR de "devassa da vida privada"

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt