António José Seguro na Batalha
António José Seguro na BatalhaPaulo Cunha/Lusa

Seguro promete não deixar cair relatório pós-Kristin para prevenir futuras tempestades

Presidente da República vai retomar relatório sobre a depressão Kristin para avaliar preparação para futuras tempestades e alerta que “não temos tempo a perder”.
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O Presidente da República anunciou esta sexta-feira (14 de agosto), na Batalha, que vai fazer o ponto de situação do relatório produzido após a depressão Kristin para avaliar as “medidas preventivas para enfrentarmos futuras tempestades”.

Foi produzido um relatório que daqui a algum tempo irei retomar para fazermos um ponto de situação e avaliarmos as medidas preventivas para enfrentarmos futuras tempestades”, afirmou António José Seguro, na sua intervenção no Dia do Município da Batalha, no distrito de Leiria.

O Presidente da República sublinhou que o “presente sinaliza, todos os dias, novos perigos e com uma intensidade inédita”.

“Não temos tempo a perder e, em algumas dimensões, partimos atrasados”, alertou, ao reconhecer que o “Estado não estava preparado para enfrentar tanta devastação”, quando no dia 28 de janeiro a tempestade Kristin atingiu a região de Leiria.

Afirmando que passou pela região dias depois, António José Seguro partilhou “o desespero de muita gente”, constatando que “era impossível resistir a ventos que chegaram a atingir 200 quilómetros por hora”.

Para o chefe de Estado, os “momentos de crise são também reveladores” e fazem “despertar para a importância das pessoas e das estruturas de proximidade”, assim como da “solidariedade humana”.

Destacando o papel, “entre outros” dos “bombeiros, os agentes das forças de segurança, as estruturas de saúde e de solidariedade social, os técnicos das companhias de eletricidade, de água e de comunicações”, Seguro reforçou o elogio aos autarcas “cujo papel foi determinante e não se esgotou naqueles dias”.

“O processo de reconstrução é também ilustrativo de como temos de refletir sobre a nossa segurança e a nossa autonomia. Desde os meios mais simples, comunicações de emergência ou geradores de energia, até aos sistemas complexos de financiamento que permitam debelar as dificuldades o mais depressa possível”, alertou.

Seguro considerou que o “exemplo do Município da Batalha, que recorreu a um empréstimo de cerca de quatro milhões de euros para financiar investimentos e responder aos danos da tempestade, é revelador de como o Estado precisa de mais agilidade e de mais descentralização na tomada de decisões”.

Considerou ainda que a “resposta das companhias de seguros, a lentidão das operadoras de comunicações e das redes elétricas”, aliadas à “falta de mão-de-obra para a reconstrução, são fatores que exigem ponderação séria”.

Além da “preocupação legítima e urgente” com os incêndios, o Presidente da República alertou para os sinais “silenciosos, de natureza mais sensível, que se manifestam sobretudo nos momentos de ansiedade ou de medo”, pois “há muitas feridas por sarar e nem todas se veem nos telhados ou nas estradas”.

A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta e os temporais que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, causaram pelo menos 19 mortos, mais de metades durante trabalhos de recuperação, várias centenas de feridos, desalojados e deslocados.

As tempestades provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.

O Governo decretou que 90 municípios nas zonas afetadas pela depressão Kristin estavam em situação de calamidade, uma declaração que implica uma série de apoios e de medidas de exceção, estendendo posteriormente a situação a todo o território desde que os danos se devam às tempestades.

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