O co-porta-voz do Livre, Rui Tavares, acusou André Ventura de "ter repetido quatro ou cinco vezes" uma frase utilizada pelo ditador nazi Adolf Hitler, ao dizer "fomos apunhalados pelas costas", durante o discurso do líder do Chega na sessão solene do 52.º aniversário do 25 de Abril, ao referir-se à Guerra Colonial."Estamos todos a fazer de conta que não foi nada, mas evidentemente ele usou a famosa frase da punhalada com que os nazis se referiam à Primeira Guerra Mundial", disse Rui Tavares, no início do desfile comemorativo da Revolução dos Cravos, que encheu a Avenida da Liberdade na tarde deste sábado.Garantindo que o Livre se encarrega de "tudo o que é defesa da democracia", Tavares referiu-se a Ventura como "alguém que ainda há pouco falava em três Salazares", recordando que o Presidente da República, António José Seguro, "alertou para os discursos de ódio que passam pelas redes sociais e às vezes pelo Parlamento" durante o seu discurso na sessão solene comemorativa.Ainda segundo Rui Tavares, o Governo "de uma direita muito radicalizada que, ainda por cima, gosta de tentar disfarçar com uma falsa moderação" decidiu "desvalorizar o 25 de Abril" com a decisão de instalar o Centro Interpretativo da Revolução dos Cravos na Pontinha e não no Terreiro do Paço. Algo que levou o dirigente do Livre a anunciar, durante a sessão solene, o lançamento da petição online Por Abril no Sítio Certo, para que fique no local onde ocorreu "o momento decisivo", quando uma coluna de militares fiéis ao regime recusou abrir fogo contra os soldados comandados pelo revolucionário Salgueiro Maia.Ao ser questionado pelo DN sobre se o Presidente da República, ao dizer que "não se pode amar o 25 de Abril por decreto", estaria a apontar falhas na forma como a Revolução dos Cravos é ensinada e explicada aos portugueses, Rui Tavares disse que "hoje temos muita gente a querer mentir acerca do legado da ditadura porque a ignorância acerca da maneira como esta se impôs permite que venham mentirosos e oportunistas dizer o que lhes apetecer e alguém há-de engolir".Voltando a referir-se, como fizera na sessão solene da Assembleia da República, ao centenário, no próximo ano, da Revolta do Remorso, em que os políticos republicanos reagiram ao facto de "terem deixado perder a República", e que provocou 80 mortes em Lisboa, o co-porta-voz do Livre questionou onde estão as placas a assinalar o que aconteceu e "onde estão nas escolas os ensinamentos acerca de toda essa luta que os portugueses travaram"."Não haver isso é o que permite vender qualquer mentira. Dizer que a ditadura se impôs sem grande resistência não é verdade, e que impôs a ordem ao caos também não é verdade. Nos primeiros anos foi o caos militar em cima do caos civil. É preciso ensinar tudo isso", disse Rui Tavares, acrescentando que se era a isso que António José Seguro se referia, o Chefe de Estado "tem toda a razão", pois o amor ao 25 de Abril se impõe através do amor ao conhecimento, à pátria e à democracia..Apelo à transparência nos donativos aos partidos e ataques aos "donos de Abril" marcam sessão solene.Discurso de Seguro elogiado por... Ventura. Esquerda aproveita para criticar pacote laboral .Apelo à transparência nos donativos aos partidos e ataques aos "donos de Abril" marcam sessão solene .Pedro Delgado Alves explica porque virou as costas a Aguiar-Branco na sessão solene do 25 de Abril