Rita Matias propõe sala de amamentação no Parlamento
A deputada Rita Matias, do Chega, que foi mãe há pouco mais de um mês, fez uma proposta formal na Assembleia da República para que ali seja criada uma sala de amamentação.
Em declarações à Lusa, Rita Matias justificou que atualmente não existe na Assembleia da República "nenhum espaço condigno" para a extração e armazenamento de leite materno e destacou que "esta resposta pode ficar até para o futuro, para garantir que nenhuma mulher tenha que sentir que eventualmente tem que abdicar da amamentação para poder voltar ao exercício das suas funções ou que não tem um espaço condigno".
A deputada referiu que o Chega já tinha tido discussões internas sobre o tema e que esta sugestão, feita a 7 de outubro em conferência de líderes, "não foi motivada necessariamente" pelo facto de ter sido mãe recentemente, "mas porque poderia já ter acontecido com outras deputadas".
"Acho que era um legado positivo que o Chega poderia deixar nesta casa, também em defesa das mulheres e da sua participação, para que não tenham de abdicar do seu espaço político, do espaço que é conquistado muitas vezes a pulso, apenas e só porque foram mães", defendeu.
Admitindo que encontrar uma sala disponível não seja fácil para a gestão da Assembleia da República, Rita Matias realçou que a existência de um local destinado à extração e armazenamento de leite materno já existe em muitas empresas privadas e até em alguns espaços públicos. Não faz sentido a casa da democracia não ser também um exemplo de referência para os demais espaços onde há mulheres", sustentou.
Sobre o seu regresso às funções poucos dias depois de ter sido mãe e a decisão de não gozar a licença parental, apesar de a lei laboral prever um período obrigatório de licença de 42 dias para a mãe imediatamente após o parto, Rita Matias justificou que se está a reger pelo estatuto dos deputados.
"Nós estamos ao abrigo de um regime jurídico diferente. Para trabalhadores por conta de outrem é verdade, no entanto eu não tenho um contrato com a Assembleia da República, nem a Assembleia da República comigo, é um cargo público e, portanto, essa questão não se colocou e eu consigo conciliar também pela excecionalidade das funções parlamentares", sustentou.
A deputada disse também que quis "dar um sinal de que não é preciso fazer uma escolha" entre uma carreira política e a maternidade.

