Secretário-geral do PS, José Luís Carneiro.
Secretário-geral do PS, José Luís Carneiro.FOTO: GERARDO SANTOS

PS prepara rentrée de Olhão com ataque cerrado a "falhas do Governo"

Custo de vida, economia, saúde, educação e resposta às crises vão marcar a rentrée socialista de domingo. André Moz Caldas antecipa uma ofensiva centrada no desgaste do Governo, Alexandra Leitão reclama uma oposição “exigente, construtiva e confiável” e Álvaro Beleza, um dos socialistas mais próximos de Seguro, sustenta que o PS deve privilegiar estratégia de longo prazo, com propostas para dez anos.
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Custo de vida, economia, saúde, habitação, resposta às tempestades e problemas nos exames nacionais estarão no centro da rentrée socialista de domingo, em Olhão. Para 16 de agosto, o PS prepara um ataque duro ao Governo, que acusa de falhar em áreas essenciais, de não responder à perda de poder de compra e de revelar incapacidade nos momentos de maior exigência.

É este o diagnóstico traçado por André Moz Caldas, porta-voz do PS e membro do Secretariado Nacional, que antecipa ao DN os principais temas da rentrée, que estarão maioritariamente presentes no discurso de José Luís Carneiro, o líder do partido. O dirigente descreve um governo “altamente desgastado”, que “falha em toda a linha”, e dirige a crítica a Luís Montenegro: “Este é um primeiro-ministro que está onde não devia estar e falta onde e quando é preciso.”

Na economia, o agravamento do custo de vida será uma das linhas de ataque. “A prova de que a economia está a falhar está no facto de o Governo ter sido incapaz de responder ao agravamento do custo de vida. Pior, o Governo está a ganhar dinheiro com a inflação”, afirma Moz Caldas.

Os combustíveis surgem como exemplo. “Na passada segunda-feira, chegou mesmo ao cúmulo de aumentar o ISP para manter o aumento de impostos sobre os combustíveis que existe desde que o Governo da AD tomou posse.” O PS sustenta, com base nas Contas Gerais do Estado de 2024 e 2025, que o Estado arrecadou mais 1.048 milhões de euros em receita associada à tributação dos combustíveis.

A resposta do Executivo em situações de crise será também um eixo. “Um Governo sem soluções e que falha no essencial. Falhou nos momentos mais críticos. Falhou no apagão. Falhou nos incêndios de 2025, quando, de forma insensível e irresponsável, manteve a festa no Pontal com o país a arder. Em 2026 chegou tarde e reagiu mal às tempestades”, acusa Moz Caldas.

Saúde, habitação e salários completam o quadro. “Este é um Governo que falhou na saúde. Na habitação. Está a falhar nos salários. E quis atacar os mais vulneráveis”, afirma, apontando ainda a “contrarreforma laboral” e a proposta inicial da PSU.

Os exames nacionais entram também na ofensiva socialista. “É já hoje um Governo atulhado em problemas. Nem na educação conseguiu cumprir os mínimos, ao falhar uma das principais obrigações: a obrigação de dar previsibilidade, segurança e confiança aos exames”, acusa.

No Orçamento do Estado, Moz Caldas não antecipa uma mudança de posição do PS: o partido quer primeiro conhecer a proposta. Não afasta, porém, a possibilidade de contribuir para a viabilização do documento, desde que o primeiro-ministro não avance com “uma revisão constitucional sem o Partido Socialista” nem faça “mexidas no nosso sistema de segurança social”.

Secretário-geral do PS, José Luís Carneiro.
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“Firmeza na defesa dos valores da Constituição”, defende Alexandra Leitão

Alexandra Leitão, membro da Comissão Política Nacional do PS, estará presente na rentrée. “O que espero - e julgo que os portugueses esperam do PS - é que continue a afirmar-se como a única alternativa democrática, progressista e solidária a um Governo que todos os dias desilude o país e os portugueses”, afirma.

A socialista, que foi líder da bancada parlamentar quando Pedro Nuno Santos era secretário-geral, descreve o executivo como “um Governo desgastado, incompetente, que cria mais problemas do que aqueles que resolve” e defende que o PS se afirme como uma oposição “exigente, construtiva e confiável”.

A defesa dos direitos fundamentais e dos princípios constitucionais surge como outra prioridade para Leitão, que aponta as leis laborais e o regime de detenção de estrangeiros, incluindo menores, como matérias em que o PS deve manter uma posição firme. “A firmeza na defesa dos valores da Constituição é fundamental”, sublinha.

Sobre o Orçamento, evita antecipar uma decisão. “Sobre isso apenas diria que é preciso esperar para o ver.”

“Pensar a dez anos”, pede Álvaro Beleza

Álvaro Beleza, presidente da SEDES e membro da Comissão Política Nacional do PS, defende que os socialistas devem privilegiar uma oposição construtiva, assente na apresentação de propostas, e construir uma alternativa que combine crescimento económico com maior igualdade.

“O Partido Socialista está a criar uma alternativa que promova um crescimento económico com mais igualdade e, portanto, melhores salários. Um sistema de saúde e de segurança social que não deixe ninguém para trás, que garanta a igualdade de acesso e de qualidade a todos”, afirma.

Para Beleza, o partido não precisa de se afastar dos princípios que historicamente o identificam. “O PS não tem que inventar, não é? Tem que defender aquilo que sempre defendeu.”

Na antecipação da rentrée socialista em Olhão, diz que “O PS deve preocupar-se, mais do que criticar, em apresentar propostas”, sustenta, avançando com algumas das áreas que considera estratégicas para o país.

A ferrovia de alta velocidade surge em primeiro lugar. Beleza considera Portugal “atrasadíssimo” nesta matéria e defende uma rede que atravesse o território e assegure ligações internacionais. A transição energética é outra das prioridades. “Devia haver um painel solar em cada telhado em Portugal”, defende Beleza, para quem o acesso à produção de energia solar deve ser alargado às famílias com menos recursos. Destaca ainda a importância da refinaria de Sines, que “não pode correr o risco de um dia ser encerrada por decisões” externas.

Mais do que respostas para o imediato, Beleza defende que o PS apresente uma estratégia de longo prazo. “O PS deve fazer aquilo que a política faz pouco: pensar a dez anos”.

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