Álvaro Beleza defende que PS deve viabilizar OE sem negociações
Álvaro Beleza, o reeleito presidente da SEDES e membro da Comissão Política Nacional do PS, defende que o Partido Socialista deve viabilizar o próximo Orçamento do Estado sem negociar o documento com o Governo.
“Já penso isto há muito tempo. Já o pensava no tempo de Pedro Nuno Santos ”, afirma Beleza ao DN. Para o presidente da SEDES, negociar um Orçamento implica uma corresponsabilização que só faz sentido para partidos que integram o Executivo. “Porque negociar o orçamento é fazer orçamento a meias e só se deve negociar orçamentos quando se está dentro do Governo.”
Beleza, que é também um dos socialistas mais próximos do atual Presidente da República, António José Seguro, lamenta, neste contexto, que Portugal não tenha uma tradição mais forte de entendimentos governativos. “Portugal não tem tradição, infelizmente, de acordos e de coligações. Devia ter.”
Perante um Governo minoritário, considera, porém, que a escolha do PS deve ser entre permitir ou impedir a aprovação do documento, e não participar na sua elaboração. “Quando não se está no Governo, não faz sentido negociar orçamento.”
A posição que assume para o próximo Orçamento é de viabilização, tendo em conta a responsabilidade que atribui ao PS enquanto partido de governação. “O PS, que é um partido de Governo, havendo um Governo minoritário, e não querendo criar uma crise, deve viabilizar.”
Beleza desvaloriza, ainda assim, a centralidade política do debate orçamental. “Isso para mim não é assunto. Orçamento, aliás, nem deveria ser assunto de grande política.”
Ferro defendeu chumbo, mas recuou
Uma posição que contrasta com outras vozes do Partido. O mais vocal até hoje foi Ferro Rodrigues, histórico socialista e antigo líder da Assembleia da República, que chegou a defender publicamente o chumbo do orçamento para 2027. Na altura, o antigo líder socialista justificou o apelo com a existência de uma aliança política entre o PSD e o Chega, mas recuaria pouco depois na intransigência, aquando do entendimento entre PS e Governo na PSU, que deixou o Chega de fora.
Então, em entrevista à RTP2, Ferro Rodrigues sublinhou a mudança de rumo” e abandonou o apelo a um voto antecipado contra o Orçamento do Estado. “O acordo muito grave de regime com a força mais extremista que já alguma vez apareceu no Parlamento português parece estar em vias de dissolução”, justificou na altura.
Carneiro já se reuniu com Montenegro
O debate ocorre depois de o PS ter viabilizado o Orçamento para 2026 através da abstenção, opção então apresentada por Carneiro como uma decisão em nome da estabilidade política.
Agora, a posição oficial entre os socialistas é a de que o partido quer primeiro conhecer a proposta de Orçamento para 2027 que será apresentada pelo Governo. José Luís Carneiro, que a este propósito reuniu já com Luís Montenegro, não afasta, porém, a possibilidade de contribuir para a viabilização do documento, desde que o primeiro-ministro não avance com “uma revisão constitucional sem o partido Socialista” e não faça mexidas no sistema de Segurança Social, nomeadamente cortes de pensões e de apoios sociais.
Com Rui Frias
