Pedro Delgado Alves, deputado do PS
Pedro Delgado Alves, deputado do PSFoto: Leonardo Negrão

PS acusa Abreu Amorim de “queimar as pontes todas” na solução para o Constitucional

O deputado socialista Pedro Delgado Alves considera que o ministro dos Assuntos Parlamentares devia ser "mais diplomático" porque ter de "falar com as oposições todas”.
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O PS acusou esta segunda-feira, 23 de março, o ministro dos Assuntos Parlamentares de estar a “queimar as pontes todas” em vez de encontrar uma solução para a eleição de juízes para o Tribunal Constitucional, considerando que “só piora a situação institucional”.

Em declarações à agência Lusa, Pedro Delgado Alves, deputado do PS, respondeu às declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, que tinha acusado o PS de se ter transformado numa “força de conservadorismo granítico”, que resiste à mudança “com todas as forças”, e de querer “manter a sua omnipresença nos órgãos do Estado”.

Pedro Delgado Alves, deputado do PS
Ministro acusa PS de querer “manter omnipresença nos órgãos do Estado”

“Nunca passou pela cabeça ao PS, no momento em que era o PSD que tinha menos votos ou que, eventualmente, tinha menos peso, dizer que ficava de fora da equação ou que esta ideia de haver um esforço para o equilíbrio desaparecer e, portanto, é só de lamentar este grau da acrimónia todo que estava naquelas declarações. Não ajuda rigorosamente nada e só piora a situação institucional”, lamentou.

Na perspetiva do dirigente socialista, “se de facto se está a procurar encontrar uma solução, isto é queimar as pontes todas e não mostrar manifesto interesse em fazer isso”, ou seja, encontrar uma solução para o problema. 

“E depois, o tom. Eu acho que é um tom que é, de todo, pouco construtivo, e um ministro dos Assuntos Parlamentares é, de todos aquele que, em teoria, deveria ser o mais diplomático dos membros do governo, porque é aquele que tem que falar com as oposições todas”, defendeu.

Delgado Alves considerou que o dia de hoje “não foi extraordinariamente simpático dessa perspetiva”, recusando que seja uma questão de “estados de alma ou do PS ficar mais ou menos incomodado”.

“O ponto não é de todo esse. Agora se, de facto, é miminhos para o Chega e depois tratamento do Partido Socialista desta maneira, quer dizer, sobra muito pouco para podermos dar-nos ao respeito”, condenou.

Para o deputado do PS, “era fundamental que o PSD parasse para pensar um bocadinho sobre aquilo que está em cima da mesa”. “E o que se pede não é mais do que manter um equilíbrio que, ao longo de 40 anos, tem preservado o Tribunal, tem preservado a dignidade das instituições”, disse, recordando que a eleição dos juízes para o Tribunal Constitucional “tem merecido 40 anos de equilíbrio e de consenso para que a escolha seja reflexo de partidos que são conhecedores e defensores da Constituição”. 

O que preocupa os socialistas, segundo Delgado Alves, “é que haja um Tribunal Constitucional que seja capaz de interpretar a Constituição de acordo com os valores da Constituição”.

“E parece-nos que a melhor forma de o fazer é, no fundo, perguntando aos partidos que são comprometidos com a Constituição quais é que são os perfis de juízes que lá deviam estar”, referiu.

O deputado do PS afirmou que “o PSD tem dias em que é muito assertivo em dizer que não conversa com o Chega e que o Chega é um problema”. 

“Depois vai negociar tantas outras coisas quase todos os dias com o Chega que deixa uma pessoa estonteada”, disse.

Abreu Amorim discursava nns Jornadas Parlamentares do CDS-PP, referindo-se ao PS como “a grande força conservadora deste país”.

“Resistem à mudança com todas as suas forças, preferem sempre a inação à transformação", sustentou.

Estas declarações acontecem dois dias antes de a AR decidir a nova data das eleições para os órgãos externos.

Em causa está o impasse para a eleição dos órgãos externos para a Assembleia da República, tendo sido tornadas públicas nos últimos dias discordâncias entre PSD e PS quanto à indicação dos nomes para o Tribunal Constitucional, que já motivaram esta semana uma reunião entre o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o líder do PS, José Luís Carneiro, mas que foi inconclusiva.

Dos três juízes que têm de ser substituídos, dois foram indicados pelo PSD e um pelo PS, estando em aberto a possibilidade de o Chega, agora segundo maior partido parlamentar, entrar neste órgão e de os socialistas ficarem de fora desta eleição.

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