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OE2027. Pedro Nuno Santos critica abstenção do PS: "Estamos a dar mais um ano de vida ao Governo da AD"

O antigo secretário-geral socialista considerou que se deu um "cheque em branco" ao Governo, cuja atuação nas manifestações pela habitação critica. Revela ainda que não pretende recandidar-se a deputado.
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Pedro Nuno Santos criticou esta sexta-feira, 30 de outubro, a abstenção do PS na votação do Orçamento do Estado para 2027. Na sua primeira grande entrevista após deixar a liderança do partido, em maio de 2025, o antigo secretário-geral socialista garantiu à Renascença que, ao falar, não tem por objetivo atrapalhar o sucessor, José Luís Carneiro, mas disse que não se pode condicionar pelo receio de que isso venha a acontecer. Por isso, admitiu que, apesar de ter acompanhado o sentido de voto, não concordou.

“Estamos a dar mais um ano de vida ao Governo da AD para o Governo da AD poder fazer as reformas com o Chega”, considerou. “E o Chega fica nesta situação extraordinariamente confortável: não é responsável pela existência deste governo, mas participa na definição e no desenho das políticas públicas, como foi a lei do arrendamento”, acrescentou.

Confrontado com o facto de ter viabilizado um Orçamento do Estado quando era líder do PS, Pedro Nuno Santos afirmou: “Eu não queria, mas teve de ser”. “Tínhamos tido eleições há poucos meses e aceitámo-lo num quadro de negociação. O PS pelo menos dessa vez conseguiu travar e mudar algumas medidas do Governo”, reparou.

“Há um conjunto vasto de portugueses que votam em nós e nós damos um cheque em branco ao Governo. Isso para mim era inaceitável, por isso é que negociámos”, continuou na crítica à abstenção, defendendo também que um bloco central, como defendeu Carlos César, presidente do partido, não é alternativa. “Há incompatibilidade programática. Estamos a falar deste PSD, que em muitas matérias se aproximou da extrema-direita”, justificou, defendendo que o PS deve ser alternativa.

Admitindo que sente “gozo” por poder dizer o que pensa, o ex-líder do PS garantiu que não quer outra oportunidade como líder do PS nem em cargos de direção, nem sequer recandidatar-se a deputado. “A única coisa que quero fazer é ser um homem livre que tem a sua vida profissional e ao mesmo tempo fazer a minha intervenção política livre”, disse, assumindo que não vê “nenhuma razão para que José Luís Carneiro não vá a votos” e reconhecendo que não vê um projeto suficientemente interessante naqueles que se “esticaram” anteriormente.

Criticado por ter marcado presença numa manifestação pela habitação, em Lisboa, Pedro Nuno Santos garantiu que espera poder marcar presença noutras iniciativas do género. “Não me interessa a leitura que fazem sobre mim. Já não é sobre o PS - eu não represento o PS”, afirmou. No entanto, manifestou-se incomodado com a “caricatura que a direita tem feito dos manifestantes”. “Vou exagerar, mas é uma espécie de desumanização do outro, que tem como objetivo fazer o quê? Separá-los do resto da população. Sabem que se forem jovens, iguais aos filhos e aos netos da maioria das famílias, que é mais difícil aceitar-se uma carga policial. Agora se for 'gente que não trabalha, que anda a deambular pelas ruas', é mais fácil de se aceitar aquilo que aconteceu”, comentou.

Realçando que qualquer manifestação causa incómodo, pela ocupação de espaço público, defendeu que “isso não é um motivo para nós as proibirmos”. “O que nós vimos foi a polícia avançar, e avançar com força, a sério, sobre manifestantes que não estavam a tirar pedras, não estavam a partir nada, não estavam a fazer nada que justificasse aquele avanço”, disse, defendendo a necessidade de refletir sobre se isso é aceitável ou não “por causa do raio de umas tendas” que, na sua opinião, têm um “caráter profundamente simbólico”.

Para Pedro Nuno Santos tratou-se de reprimir uma manifestação pacífica e que há que agradecer o facto de os jovens portugueses não seguirem o exemplo dos de outros países europeus. “Houve um Governo que quis meter medo, que quis desviar a discussão do debate da habitação para o debate sobre a legitimidade daquele protesto”, defendeu, argumentando que “este Governo está neste momento politicamente quase morto”, com uma distância “gigante” para o Chega e para o PS. E foi mais longe: “Eu cá acho que este governo queria que acontecesse o que aconteceu em Paris”.

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