O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, garantiu que a escolha dos caças que irão substituir os F-16 da Força Aérea será feita através de um processo que ainda não começou e que será guiada pelos pareceres de comissões técnicas. Desafiado pelo deputado socialista Hugo Oliveira, durante uma audição na Comissão Parlamentar de Defesa, a revelar qual é a sua preferência, o também líder centrista garantiu não a ter. "Não quero passar os meus próximos 30 anos em comissões de inquérito", respondeu a quem lhe perguntou se na Lei de Programação Militar já estaria prevista a solução e inscritos os valores necessários.Instado por deputados de várias bancadas a concretizar os investimentos do Programa SAFE, no valor total de 5,8 mil milhões de euros, Nuno Melo deixou claro que não o iria fazer. Em resposta a Sandra Ribeiro, do Chega, o ministro da Defesa Nacional disse que os contratos ainda não estão assinados e que "a discrição é muito importante".Nuno Melo reiterou que, "se tudo correr bem", todos os novos equipamentos das Forças Armadas estarão entregues até 2030, incluindo fragatas, veículos blindados, satélites e drones, num "investimento virtuoso" que permitirá dinamizar a indústria de Defesa portuguesa. O ministro destacou que desde o final de 2023 surgiram mais 132 empresas, num "crescimento impressionante" de 40%, passando para um volume de negócios de 10,9 mil milhões de euros e garantindo 54.100 postos de trabalho qualificados.Após uma intervenção inicial, na qual expôs o trabalho "feito em 17 meses" no Ministério da Defesa, na medida em que descontou três meses perdidos em campanha eleitoral e posse, Nuno Melo foi confrontado com perguntas de Nuno Simões de Melo, coordenador do Chega na Comissão Parlamentar de Defesa, acerca da revisão do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, desatualizado desde 2014, quando a Rússia ocupou a Crimeia.Nuno Melo recordou com o processo de revisão não depende apenas do seu ministério, garantindo que a Defesa fez a sua parte. O deputado do Chega insistiu, perguntando se existia a hipótese de alterar a Lei de Programação Militar sem que o novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional ser aprovado, tendo em conta as transformações na relação com a Federação Russa, mas também a maior volatilidade quanto ao papel dos Estados Unidos.Referindo-se à vontade manifestada pelo grupo parlamentar do PS de que haja uma comissão de acompanhamento do programa de investimentos SAFE, Nuno Melo garantiu que "a primeira preocupação" do Ministério da Defesa reside na transparência. Algo que implica a participação da Inspeção-Geral das Finanças, do Tribunal de Contas e do Ministério Público numa entidade de escrutínio, mas também estará em estudo outra entidade, com representantes de diferentes áreas governativas e figuras indicadas pela Assembleia da República. "Suponho que nunca nada foi feito a este nível", disse.Questionado por Miguel Rangel, da Iniciativa Liberal, foi o cumprimento da meta dos 2% do produto interno bruto gastos em Defesa, estabelecido pela NATO, na medida em que incorporou verbas de outros ministérios. Depois do deputado falar da diferença entre "um esforço real e estrutural de reforçar a capacidade militar portuguesa" e "critérios contabilísticos", Nuno Melo disse que a meta foi cumpridos "com critérios validados pela NATO", incluindo 4,1 mil milhões de euros de execução direta do Ministério da Defesa e dois mil milhões de euros de execução direta de outros ministérios.