Ministro da Defesa diz que contactou autarca de Leiria e não obteve resposta
ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Ministro da Defesa diz que contactou autarca de Leiria e não obteve resposta

Não obstante a “falta de resposta”, Nuno Melo acrescentou que os militares partiram para o distrito e lamentou que Gonçalo Lopes tenha decidido “apoucar” quem o ajudou.
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O ministro da Defesa afirmou esta quinta-feira, 12 de março, que contactou o presidente da Câmara Municipal de Leiria assim que chegou a Portugal no dia 29 de janeiro e não obteve resposta, lamentando que o autarca tenha decidido “apoucar” quem o ajudou.

Nuno Melo falava durante uma audição na Assembleia da República, depois de ter sido questionado pelo deputado do CDS-PP João Almeida sobre se contactou ou não com o autarca de Leiria, Gonçalo Lopes (PS), que chegou a queixar-se da falta de militares no terreno durante as intempéries que assolaram o país entre o final de janeiro e início de fevereiro.

De acordo com o ministro, que mostrou aos deputados um ‘print’ da sua conversa com Gonçalo Lopes na rede social 'WhatsApp', afirmou que assim que aterrou em Portugal no dia 29 de janeiro, vindo da Turquia, o primeiro telefonema que fez foi para o autarca de Leiria.

“Não me atendeu”, disse, acrescentando que enviou uma mensagem e não obteve resposta.

Não obstante a “falta de resposta”, continuou, Nuno Melo acrescentou que os militares partiram para o distrito.

Nuno Melo disse ainda que “muitas ajudas foram recusadas”, por terem sido consideradas desnecessárias.

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O ministro detalhou que nos dias 01 e 02 de fevereiro, a autarquia recusou militares para vigiar geradores devido a furtos. No dia 02, segundo Nuno Melo, também foi recusada a “valência de drones aéreos” e no dia seguinte “uma cozinha de campanha” e um reforço com mais de 90 militares da marinha para trabalhos diferenciados que foram depois distribuídos para os concelhos de Marinha Grande, Pombal, Ourém e Batalha.

Lembrando que a lei permite que as autarquias peçam auxilio direto às instalações militares no seu território, Nuno Melo afirmou que a autarquia de Leiria solicitou apenas nove camas, que foram entregues.

“Que o senhor presidente da Câmara de Leiria se tenha empenhado, também não fez mais do que é suposto. Agora, que para enaltecer o seu próprio esforço, não tenha resistido a apoucar repetidamente alguns daqueles que mais o ajudaram. Isso é que não parece bem. Porque nos grandes momentos a pequena política não pode prevalecer sobre aquilo que é mais relevante”, lamentou.

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Melo diz que prontidão dos militares foi “máxima desde o primeiro dia”

O ministro da Defesa Nacional afirmou que o nível de prontidão das Forças Armadas durante as intempéries que atingiram o país foi “o máximo desde o primeiro dia”, refutando atrasos.

“Não houve atraso, nem diminuição do grau de prontidão dos militares desde o primeiro dia, desde o primeiro momento, respondendo àquilo que lhes foi pedido pela Proteção Civil”, afirmou Nuno Melo, durante uma audição na Assembleia da República, em resposta ao deputado do Chega Nuno Simões de Melo.

Interrogado sobre os timings de ação no terreno dos militares durante o “comboio de tempestades” que atingiu Portugal continental entre o final de janeiro e o início de fevereiro, Nuno Melo sublinhou que as Forças Armadas deram “desde o primeiro dia, em alguns casos, respostas de uma hora”.

“Se isso não demonstra a elevada prontidão das Forças Armadas, então, não sei o que é que é mais preciso. Só tem que fazer meia dúzia de telefonemas para perceber o grau de prontidão absolutamente inexcedível e permanente das Forças Armadas, desde o primeiro dia”, defendeu.

Nuno Melo acrescentou que os militares estão no terreno desde o dia 28 de janeiro e insistiu que “o nível de prontidão foi o máximo desde o primeiro dia”.

“Não é o ministro que define níveis de prontidão, mas sim quem comanda”, afirmou.

O governante ressalvou, contudo, que nesta matéria o Governo deu autorização para que passasse a existir um contacto direto entre os ramos das Forças Armadas e os municípios, agilizando a chegada de apoio ao terreno.

No início da sua intervenção, o deputado do Chega Nuno Simões de Melo criticou o ministro por ter feito declarações acerca do líder do seu partido, André Ventura, acusando-o de ter desrespeitado os militares das Forças Armadas durante o debate quinzenal no parlamento no dia 19 de fevereiro, e de ter faltado à verdade “sem qualquer pudor”.

Nuno Melo disse manter as suas declarações, sem tirar “uma vírgula”, acusando o Chega de usar a mentira para fazer política.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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